TV 3.0: conheça e entenda futura tecnologia da TV brasileira

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Na última quarta-feira (3), o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, anunciou oficialmente o novo padrão da TV brasileira: a TV 3.0.

Segundo o Ministério das Comunicações (MCom), o objetivo da nova tecnologia é “revolucionar o setor com integração completa dos canais de TV com a internet“. Mas como isso vai funcionar?

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Afinal, o que é a TV 3.0?

O ponto principal da TV 3.0 é maximizar a interatividade das emissoras de TV abertas com suas respectivas audiências. Isso significa que elas poderão liberar conteúdos via streaming a partir da TV aberta, por exemplo, além de jogos, entre outros.

As emissoras poderão ter seus próprios aplicativos voltados para as Smart TVs, abandonando o atual sistema de organização por números, mas, como reporta o g1, uma conexão à internet não será obrigatória para receber o sinal da TV 3.0.

Outra vantagem da nova tecnologia é a melhoria absurda de imagem. A TV digital só consegue transmitir em Full HD (1080p), enquanto a TV 3.0 permite conteúdos em 4K e até 8K (caso a transmissão seja assistida pela internet) e otimização via tecnologia HDR, além de som imersivo, que permitirá ao telespectador escolher entre ouvir somente o microfone do cantor e a banda, ou impulsionar o som da plateia.

Estamos diante de uma das mais esperadas revoluções do setor, que chega a ser mais significativa do que vivemos na transmissão do analógico para o digital. É o futuro da TV no Brasil. Na prática, é a integração definitiva entre televisão aberta e gratuita e internet. Todas as evoluções de imagem e som vão estar disponíveis na TV aberta para a população. A interatividade, com a internet, que vai ser possível, é um instrumento a mais, mas não significa que a população precisa ter internet para ter acesso à TV 3.0.

Juscelino Filho, ministro das Comunicações, durante apresentação da TV 3.0

As emissoras também poderão personalizar temas e propagandas disponíveis, de modo a “melhorar a experiência para o telespectador”, destaca o MCom.

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As mudanças que acontecem no nosso setor nos colocam sempre em momentos cruciais. Hoje passamos por mais uma etapa chave de transformação digital e a evolução da TV 3.0 é um exemplo concreto de que a tecnologia e a internet são nossas aliadas nesse processo.

Flávio Lara Resende, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), durante apresentação da TV 3.0

Do lado das emissoras, a TV 3.0 permitirá recuperar suas receitas, que caíram com a propagação em massa dos streamings e das redes sociais, a partir de publicidade interativa, por exemplo.

Outra possibilidade é a integração de compras direto pela TV via anúncios ou apps integrados (no passado, a TV fechada chegou a proporcionar algo similar para seus assinantes).

O MCom ressalta ainda a possibilidade de parcerias e patrocínios com marcas e empresas, com os programas podendo ter um patrocínio em específico (a lá Roda a Roda Jequiti, do SBT), associa-se a determinados conteúdos e até criar programas de marca exclusivos, com vistas a promover seus produtos ou serviços.

Claro que a tecnologia permitira que as emissoras de TV aberta ofertem conteúdo pago, como eventos ao vivo, conteúdos originais, entre outros, como já ocorre nos streamings, por exemplo.

“TV do Futuro”: desdobramentos e implementação

  • A tecnologia está programada para começar a ser implantada em 2025, começando pelas grandes cidades brasileiras;
  • Universidades brasileiras e parceiros da indústria e do setor de radiodifusão estão desenvolvendo os padrões tecnológicos a serem integrados às futuras TVs em 2025;
  • Isso porque as TVs atuais não têm suporte à TV 3.0;
  • Portanto, a migração gradual deverá ser similar à da TV analógica para a digital: primeiro, com a chegada de TVs preparadas para a TV 3.0 por meio de conversores externos, além dos conversores em si, e, posteriormente, as TVs com conversores integrados;
  • O governo estuda entregar, de forma gratuita, os conversores às famílias de baixa renda, assim como aconteceu na migração para a TV digital e, atualmente, na troca do sinal das antenas parabólicas;
  • Mais de 20 organizações diferentes disputam a preferência tupiniquim para venderem sua tecnologia, com EUA e Japão à frente da disputa. Contudo, o governo não descarta hibridismo com modelos europeus para transmitir em dispositivos móveis.

Testes

Para que a TV 3.0 seja desenvolvida, o MCom estipulou que a Anatel garantisse a destinação de faixas VHF alto (174-216 MHz) e UHF (470-608 MHz e 614-698 MHz) ao serviço de radiodifusão de sons e imagens e ao serviço de retransmissão de televisão.

Por sua vez, o Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD) está na fase final de testes das tecnologias de transmissão do padrão proposto à TV 3.0. Sua conclusão está programada para dezembro deste ano.

A pós o prazo, os resultados serão avaliados e encaminhados pelo GT TV 3.0 junto à recomendação para adoção do padrão tecnológico.

Opinião do especialista

O Olhar Digital conversou sobre a TV 3.0 com Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação. Confira:

Olhar Digital: Em sua opinião, a TV 3.0 será melhor para a população em geral?

Arthur Igreja: Sim, ela pode ser melhor, porque vai trazer mais interatividade, mais qualidade. A TV 3.0 é uma evolução tecnológica muito na linha do que ocorreu com a TV digital, só que é um passo adiante. É tudo aponta que será melhor na hora de consumir. Porém, vai demandar uma transição que para uma parcela da população é indesejada e estressante. O resultado final é melhor, mas precisa ser analisada como será essa chegada até o momento do consumo de uma forma e de um conteúdo melhor.

OD: Como fica a situação de pessoas com menor poder aquisitivo, que não têm condições financeiras de comprar uma TV 4K/8K (caso queiram ver imagens acima de Full HD), ou de contratar um pacote de internet banda larga boa o bastante para realizar o streaming (caso queiram adotar o sistema)?

AI: Analisando pela ótica do que aconteceu com a TV digital, que teve um longo período de transição até que começaram a ser demarcadas algumas datas para “shutdown” [desligamento], para uma virada binária mesmo, um cancelamento. E também vale lembrar o que ocorreu com a liberação de frequências, por exemplo, para o 5G em relação às antenas parabólicas, que muitas pessoas foram afetadas. Os mais afetados são exatamente as classes sociais que têm menos poder aquisitivo, que não enxergam necessariamente um problema nisso, do tipo “como estou consumindo hoje”. Até por isso que o governo estuda como mitigar isso e criar um certo período de transição para que essa parcela da população seja minimamente impactada.

OD: Enquanto não chegarem ao Brasil TVs compatíveis com o sistema, você acredita valer a pena comprar um conversor pelas famílias que não deverão recebê-los gratuitamente, como quando houve a transição da TV analógica para a digital?

AI: Não há muito o que fazer. Os aparelhos que não têm essa capacidade nativa, leia-se todos hoje, vão demandar um conversor externo. Me parece que vai passar muito pela busca do ponto de vista de quem consome TV aberta, daquelas pessoas que querem mais qualidade de imagem, de som, maior interatividade, porque o fato é que esse padrão vai se assemelhar mais ao streaming do que o próprio conceito que muitos já usam há décadas e décadas da TV aberta. Em um primeiro momento será mais uma busca individual, de maior ou menor curiosidade e interesse.

OD: E para as emissoras, qual será o ganho? Ele tem potencial de ser superior aos gastos com essa tecnologia (independente da linha de crédito do governo)?

AI: Tem um ganho sim, pois a partir da hora que se tem essa interação, personalização maior, também pode aumentar a receita. Tem um custo maior na produção do conteúdo, na customização, mas incrementa também a capacidade de geração de receita, porque se tem uma capacidade maior de compreensão de quem está consumindo. É a comparação do broadcast com a internet e as redes sociais. Inicialmente, isso pode representar investimento e custo, mas também alavancar novas formas de receita.

OD: Se você tivesse que sugerir uma tecnologia de TV 3.0 para ser comprada pelo Brasil, qual você indicaria? Por quê?

AI: É difícil opinar, pois estamos vendo um lobby, uma disputa entre a tecnologia japonesa e americana de novo. Historicamente, é o que acontece, tem proponentes, tem padrões. Basta lembrar décadas atrás o que aconteceu com o VHS Betamax, o mesmo ocorre com o padrão de antena 5G, com o padrão da própria TV. Essa análise tem que ser feita de uma forma muito estratégica, pois é basicamente um caminho sem volta, é uma escolha que é feita uma vez só. Sempre que se tem diferentes padrões, existirão prós e contras, e é importante que os critérios que são estabelecidos sejam mais objetivos e auditáveis, para que não seja uma escolha só com algum cunho não técnico.

OD: Em sua opinião, a TV 3.0 vai se tornar uma versão “brasileira” dos streamings pagos?

AI: Mais ou menos, está muito mais perto do streaming espelhado em tela do que como sempre foi a TV paga. Mas eu não acredito que seja só esse viés de streaming, pois o brasileiro ainda tem uma tradição bastante grande de TV aberta. É um consumo muito relevante, especialmente, uma presença grande em certas gerações. Vai ganhar contornos de streaming, mas esse depósito que existe da TV aberta no Brasil é forte, ainda tem um traço cultural bastante presente. Não vai ter uma virada de uma hora para outra.

OD: A TV 3.0 será obrigatória para os telespectadores, ou a TV aberta digital como conhecemos continuará existindo?

AI: A tendência é que exista um período de coexistência. E é uma questão de verificar se tem algum conflito, dependendo do padrão que for escolhido. No futuro, devemos ter uma escolha, mas para isso vai levar um bom tempo, pois precisa ter acesso a dados, pré-requisitos que hoje não atendem 100% ou uma parcela extremamente representativa da população. Existirá um “fade-in”, um “fade-out” e uma troca. Historicamente é isso que acontece: coexistência, transição, obsolescência e um novo padrão.


Fonte original: OlharDigital

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