Contratação de energia renovável por empresas privadas bate recorde em 2022; especialista explica motivos

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Para profissional, aumento da demanda foi impulsionado pela nova lei da energia solar no Brasil e política do carbono zero

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Medo da ‘taxação do sol’ e adequação com foco em responsabilidade ambiental. Estes foram alguns dos motivos que, segundo o especialista em energia solar Luiz Claudio Rosa, impulsionaram o aumento da contratação de energia renovável por empresas privadas em 2022.

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Um levantamento feito pela BloombergNEF (BNEF) apontou que o mundo bateu recorde de geração de energia renovável ao longo do ano passado, totalizando 36.7 GW. O crescimento, sentido principalmente nas Américas e na Ásia-Pacífico, foi de 18% em relação a 2021.

Foi justamente a preocupação com o meio ambiente que fez o empresário José Ordálio Fernandes Spínola, de 60 anos, decidir instalar um sistema de energia solar na empresa de equipamentos hospitalares que dirige. A sede da Mult Med, que fica em Sorocaba (SP), passou a contar com as placas solares em agosto de 2020. De lá para cá, o diretor sentiu uma economia de 80% a 90% na conta de energia todo mês.

“Na minha opinião, além da redução dos gastos, a procura de empresas privadas pela energia solar tem crescido nos últimos anos pelo fato de ser uma fonte de energia limpa, que não interfere no meio ambiente”, comenta.

Nova lei

No Brasil, as alterações na lei da energia solar, que foi sancionada em janeiro de 2022 e começou a valer em janeiro deste ano, fizeram com que muitos clientes antecipassem seus projetos com medo da chamada ‘taxa solar’. É o que explica Luiz Claudio, diretor da Viridian, uma empresa de Sorocaba (SP) que atua no setor há mais de 10 anos.

Com base na nova lei, quem aderiu ao sistema depois do dia 7 de janeiro de 2023 terá que pagar um ‘pedágio’ sobre o que for injetado na rede elétrica. Para quem já tinha energia solar antes das alterações, nada muda até 31 de dezembro de 2045.

“Alguns achavam erroneamente que a energia solar iria acabar ou que isso inviabilizaria os projetos futuros, mas, na verdade, houve uma troca. Antes pagava-se a Tarifa de Uso de Sistema de Distribuição (TUSD) embutida na conta de energia, mas ela foi substituída por uma tarifa incidente sobre a porção de energia que você injeta na rede, usando a rede da concessionária”, esclarece o especialista.

“Em muitos casos, essa troca fica nula, não tem impacto financeiro. Em outros, o impacto é pequeno, em torno de cinco meses de aumento de payback (retorno financeiro), mas nada que inviabilize o projeto. Tanto é que tivemos um crescimento acelerado no fim do ano e uma consequente queda nos primeiros três meses de 2023, porque muita gente antecipou os investimentos”, continua.

Carbono zero

Outro fator que contribuiu para o aumento da demanda por energia renováveis em empresas privadas foi a obrigação para que haja uma migração constante para a chamada política de carbono zero.

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O conceito, criado em 1997, durante o Protocolo de Kyoto, tem como objetivo neutralizar a emissão de gases do efeito estufa e controlar os impactos das mudanças climáticas no mundo todo.

“Isso vem sendo estimulado há muitos anos e ganhou mais força recentemente por conta das questões climáticas. Além disso, os preços têm caído ano a ano e as energias renováveis têm se tornado cada vez mais competitivas em relação às fontes fósseis”, comenta Luiz Claudio.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a energia solar deve se tornar a mais utilizada no Brasil em 2050. Hoje em dia, a fonte solar ultrapassou a energia eólica no país, perdendo apenas para as hidrelétricas.

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