Filme baseado em uma das séries mais assistidas da história da televisão acaba de desembarcar na Netflix

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Ninguém se conforma em perder oportunidades que talvez nunca mais voltem, ou deixar que sonhos de uma vida tenham por fim a lembrança que de quando em quando construímos deles, ao passo que tudo segue exatamente do modo como sempre fora, tépido, cinza, sem brilho, sem razão. Não existe nada de original em “A Ilha da Fantasia”, a releitura de Jeff Wadlow para o famoso seriado de televisão exibida pela ABC entre 1978 a 1984, no qual o senhor Roarke de Ricardo Montalban (1920-2009), o dono de um resort luxuoso em algum lugar do Pacífico, ciceroneava famosos (ou nem tanto), arrancando-lhes as confissões que davam azo ao episódio do dia. Bem, para não dizer que não falei das flores, essas celebridades e subcelebridades de antanho foram comutadas, naturalmente, pelo que parecem influenciadores digitais, essa nova e odienta categoria de gente à toa emitindo opinião sobre tudo, da guerra no norte da Eurásia à sorte de políticos tardiamente castigados com o ostracismo e a ameaça do rigor da lei, passando pela vida de outros desocupados como eles — detendo-se especialmente neste quesito. Um hidroplano desliza pelas franjas do mar, eles desembarcam e o espectador vai animando-se com ideia de juntar-se ao grupo. Mas se frusta um bocado.

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É uma empreitada plena de riscos tentar reacender brasas que marcaram a cultura pop com tanta força há quase meio século, mas Wadlow não fracassa de todo. Logo na primeira sequência, o diretor confere na isca do suspense de uma garota embrenhando pela mata da ilha o encaminhamento retórico que torna-se patente na transição do segundo para o terceiro ato, com as imagens perturbadoras que consegue extrai de seu roteiro, escrito com Christopher Roach e Jillian Jacobs. Depois dessa introdução nada auspiciosa, o filme vai tomando corpo, sem muita regularidade, e Gwen Olsen, Melanie Cole, Sloane Maddison, Brax e J.D. Weaver e Patrick Sullivan são recebidos por Julia, a gerente misteriosa, mas nunca assustadora, interpretada por Parisa Fitz-Henley. Minutos depois, aparece o senhor Roarke, aqui bem desenhado por Michael Peña — e não deixa de ser no mínimo curioso que um personagem cujo nome é irlandês tenha sido encarnado por um mexicano e um mexicano-americano —, instando que seus funcionários desamarrem o bode e sorriam, no que não é atendido jamais. Gwen talvez seja a hóspede que menos sente-se à vontade naquele paraíso artificial, e Maggie Q mantém até o fim o tom desconfiado que imprime a sua personagem, mesmo quando tem a segunda chance que tanto buscava para refazer a vida pessoal e aceitar o pedido de casamento de Allen Chambers, de Robbie Jones, o noivo que preterira cinco anos atrás ao termo de um namoro de doze meses. Se existe uma coisa que de fato vale a pena em “A Ilha da Fantasia” é a concertação de Wadlow, Maggie Q e Jones na subtrama da possível nova vida velha de Gwen, com o par inter-racial funcionando muito mais organicamente que os meio-irmãos de Ryan Hansen e Jimmy O. Yang, malgrado o diretor reserve para o encerramento uma surpresa até comovente, que nos faz verter uma lágrima furtiva diante da história de sacrifício de Brax por J.D. Mostrando-se um curinga para ninguém botar defeito, Yang é a grata surpresa do longa, primeiro na revelação tola e que não choca ninguém do princípio do segundo ato (e o que faz com ela) e a última cena, quando parece que vai substituir à altura o grande Herve Villechaize (1943-1993) e fica a insinuação de que a história continua.

Filme: A Ilha da Fantasia
Direção: Jeff Wadlow
Ano: 2020
Gêneros: Thriller/Fantasia
Nota: 8/10

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