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Elenco de ‘Homem em Chamas’ fala à RS sobre bastidores da série e presença do Brasil no audiovisual – Rolling Stone Brasil

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Nesta quinta, 30 de abril, estreia na Netflix Homem em Chamas, série estadunidense que aposta em uma abordagem contemporânea para uma história já conhecida. Baseada nos livros de A. J. Quinnell, que inspiraram também o filme Chamas da Vingança (2004), a produção não é um remake, mas uma expansão desse universo narrativo, aprofundando relações e dilemas dos personagens sob uma nova perspectiva.

Com brasileiros no elenco e na equipe e parte de seu enredo situado no Rio de Janeiro, a série de sete episódios mescla ação e drama, incorporando elementos culturais diversos e personagens de diferentes nacionalidades. 

Quem estrela a produção é Yahya Abdul-Mateen II (Aquaman), no papel do brutal e complexo John Creasy. Em entrevista à Rolling Stone Brasil, ele comentou suas expectativas para o papel, originalmente interpretado por Denzel Washington no filme de 2004. 

Apesar do desafio de revisitar um personagem tão marcante, o ator não se intimidou. “Eu gosto de colocar as cartas ao meu favor”, disse. “Firmei a responsabilidade de contar a história de Creasy da maneira mais honesta e interessante possível. Foi isso que me deu o ‘fogo’ para trabalhar de forma criativa e emocionante.”

Na série, Creasy é um ex-mercenário das Forças Especiais que enfrenta um transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) severo. Embora tente se afastar de seu passado sombrio, ele se vê novamente envolvido em um ciclo de conflitos, onde será obrigado a utilizar habilidades que gostaria de ter deixado para trás.

Segundo Abdul-Mateen II, a violência é apenas a face externa de seu personagem. “A violência é um reflexo das ferramentas que Creasy adquiriu como um homem de combate. No resto [do tempo], ele lida com o coração. Ele sente amor, cuida de alguém, todas essas coisas humanas que são naturais e de repente foram prejudicadas por uma grande perda”, explica. 

Foi importante para mim que cada vez que [Creasy] fosse violento, não fosse por uma virtude, porque ele estava gostando ou desejando aquilo. A expressão física era realmente uma manifestação do que estava acontecendo dentro dele. Olhando por esse lado, nós podemos realmente orar por esse personagem, porque ele não está sendo destrutivo apenas por diversão, mas por sobrevivência, e isso gera um senso de justiça que as pessoas podem se identificar. 

Alice já conhecia o filme Chamas da Vingança e revela que ficou “muito curiosa” sobre o novo projeto. Também conta que participar da produção foi um “bom desafio” — além de uma realização pessoal, visto que se declara fã de Yahya Abdul-Mateen II.

“A forma como os personagens são retratados tem mais detalhes, é mais humana e crua [do que no filme de 2004]”, afirmou. Billie Boullet (A Small Light), Bobby Cannavale (Blue Moon), Scoot McNairy (Não Fale o Mal) e Paul Ben-Victor (Os Três Patetas) também integram a série.

O protagonista [Creasy] não é o herói perfeito, eu nem sei se isso existe, o homem perfeito. Mas você vê ele lutando com a história da própria vida, e com a conexão com os outros, e [tratando de temas como] proteção e esperança. Eu achei muito interessante revisitar essa narrativa em um mundo como o de hoje, e trazer entretenimento, mas com essas qualidades mais profundas – Alice Braga

Thomás Aquino também explica o diferencial na abordagem da narrativa. “Homem em Chamas traz uma contemporaneidade maior para [o material original], principalmente pensando no que a gente tem de tecnologia hoje. A série tem novos personagens, um enredo diferenciado, e principalmente a questão do Brasil. A gente não representa o Brasil ‘ da vida real’, mas o Brasil está ali”, diz.

As nuances da narrativa

Segundo Aquino, Homem em Chamas se equilibra entre ação intensa e drama psicológico, explorando diferentes camadas dos personagens ao longo dos episódios. “É um grande ouro que o roteiro nos dá e um grande ouro que o diretor tenta fazer com que a gente consiga mostrar”, diz. “A gente vai poder ver vários personagens mostrando as facetas ao longo da série e não ‘entregando de cara’. Isso pra mim é o mais interessante.”

Os episódios 1 e 2 foram dirigidos por Steven Caple Jr. (Transformers: O Despertar das Feras), enquanto os episódios 3 e 4 foram dirigidos por Vicente Amorim (A Princesa da Yakuza). “Conversei muito com Steven, e foi muito interessante ver de onde ele veio. É um pensamento diferente do pensamento brasileiro, e é legal entender como a gente soma nisso”.

Thomás Aquino em ‘Homem em Chamas’
Thomás Aquino em ‘Homem em Chamas’ (Foto: Divulgação/Netflix)

A série foi parcialmente gravada no México, o que também permitiu a Aquino aprimorar seu espanhol e dividir experiências com pessoas de diferentes culturas. 

Para ele, as trocas nos bastidores foram uma das partes mais enriquecedoras do trabalho. “Quanto mais cultura eu puder conhecer, e poder também levar a minha para outras pessoas, melhor. Me senti feliz de estar fazendo uma série numa língua que não é minha. [O inglês] é uma coisa que eu assistia desde criança e me imaginava fazendo ali, então pra mim isso foi incrível”, contou.

Esse ritual de trocar experiências, tomando uma cerveja, falando da série, foi muito legal. Foi um trabalho que me ensinou muito.

Homem em Chamas e a presença do Brasil no audiovisual

Thomás Aquino vem consolidando sua trajetória no cinema e na televisão brasileiras. Ele ganhou destaque com sua atuação em Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho, e participou do maior sucesso recente do diretor, O Agente Secreto (2025), indicado a três categorias do Oscar 2026. O ator também integrou o elenco da série DNA do Crime (2023), que ganhou projeção internacional. Agora, representar o país numa produção estrangeira é motivo de grande alegria.

“Nos últimos dois anos, com o sucesso no Oscar e no Globo de Ouro, grandes artistas estão fazendo seus nomes, como Wagner Moura, Fernanda Torres, assim como a própria Alice Braga, Sônia Braga e outros que já foram”, celebra. “Eu fico muito contente de estar começando a fazer parte desse núcleo e eu espero que mais artistas brasileiros possam conquistar o mundo.”

Ele afirma que o reconhecimento do trabalho dos brasileiros internacionalmente é reflexo da qualidade das produções nacionais e da força criativa da indústria. “A gente sabe fazer filme, né?”, brinca. “Temos o próprio Selton Mello (Ainda Estou Aqui) agora fazendo Anaconda, e também podemos ver o quanto as nossas produções são capazes de se equiparar e competir com grandes produções globais, como aconteceu no Festival de Cannes.”

Segundo Aquino, é ótimo ver o Brasil representado sob novas perspectivas e fazer parte desse momento de valorização da cultura nacional, que pode abrir espaço para novas narrativas e talentos. “As pessoas começaram a olhar mais pro Brasil nesse sentido, e eu me sinto sortudo de fazer parte. Eu espero ser uma das pessoas que consiga rasgar também mais a bolha.” Assista ao trailer de Homem em Chamas

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Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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