Karla Houston, de 34 anos, decidiu seguir uma dinâmica incomum para manter o casamento de nove anos: ela vive aventuras amorosas livremente, enquanto o marido permanece monogâmico. O relacionamento aberto unilateral é um modelo não convencional que funciona para o casal da Califónia (EUA).
“Meu marido é monogâmico e eu sou poliamorosa, e tivemos que construir uma dinâmica que respeite essa diferença”, contou ao New York Post.
Karla afirma rejeitar rótulos. Para ela, a questão não é classificar relacionamentos, mas permitir que cada pessoa tenha autonomia para defini-los de forma autêntica, consensual e alinhada às próprias escolhas.
Decisão
Tudo começou em 2022, quando o casal, após muitas conversas honestas, optou pelo relacionamento aberto unilateral. Segundo a mulher, a ideia era evitar se encaixar à força em um molde tradicional que já não refletia completamente a sua realidade.
Embora o ciúme possa surgir, Houston, que é bissexual e sempre viveu relações poliamorosas, afirma que esses sentimentos costumam ser resolvidos por meio do diálogo, e não da evitação.
Aos 34 anos, ela acredita que a dinâmica do seu casamento exige mais comunicação e transparência emocional do que muitos relacionamentos tradicionais.
“Frequentemente existe um duplo padrão na sociedade, onde homens que têm múltiplos parceiros são normalizados ou até mesmo celebrados em alguns espaços, enquanto mulheres que exploram abertamente sua sexualidade ou a não monogamia são julgadas com muito mais severidade”, explicou ao portal norte-americano.
Cuidados no relacionamento aberto
Segundo Karla Houston, o marido não tenta controlá-la, e ela também não sente necessidade de esconder quem é para manter uma imagem tradicional de casamento. “Construímos uma relação baseada em escolhas, confiança e honestidade, e não em papéis de gênero rígidos”, afirmou.
A fala de Karla se aproxima da visão de Marcos Torati, psicólogo, professor e mestre em psicologia clínica pela PUC-SP.
“O pilar da sobrevivência de uma relação não monogâmica é a manutenção da sinceridade. Ela consiste em expressar genuinamente os próprios desejos, pensamentos, sentimentos e as intenções para que o parceiro(a) possa ter a liberdade de escolha em relação às regras do relacionamento, podendo ele(a) consentir ou não compactuar com determinada regra ou conduta, conta ao Metrópoles.
Para o psicólogo, a manutenção do diálogo funciona como tentativa de se estabelecer a compreensão individual, para que possa haver uma cooperação mútua dentro do relacionamento.
Fonte original: Metropoles.com







