Crítica | 1ª parte da 3ª temporada de ‘The Witcher’ foca em tensões políticas e muita AÇÃO

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Em 2019, a Netflix dava início a uma de suas empreitadas mais ambiciosas – a adaptação seriada de ‘The Witcher’, baseada nos romances homônimos de Andrzej Sapkowski. E, apesar de uma desequilibrada temporada de estreia, o contínuo investimento na produção nos presenteou com um segundo ciclo muito sólido, recheado de boas aventuras e de reviravoltas soberbas. Mas será que a série criada por Lauren S. Hissrich conseguiria manter o momentum com a vindoura e antecipada terceira iteração?

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Para a nova leva de episódios, a gigante do streaming apostou em uma divisão aos moldes de ‘Stranger Things’: os cinco primeiros capítulos seriam disponibilizados no final de junho, enquanto os três restantes, no mês seguinte – talvez como forma de amenizar a já confirmada saída de Henry Cavill como Geralt de Rivia. E, apesar do gostinho agridoce que nos prepara para a despedida do ator, o conjunto inicial é marcado por intrigas políticas, tensões bélicas e muitas cenas de ação que devem agradar aos fãs dos livros originais. Além do cuidado estético e técnico, é sempre ótimo revisitar esse fantasioso mundo e se deleitar com um elenco de peso que continua não perdendo a mão na hora de entregar performances valiosas.

Diferente das iterações predecessoras, a terceira temporada é marcada por uma melancolia derradeira, que acompanha os protagonistas desde os primeiros minutos: Geralt, Yennefer (Anya Chalotra) e Ciri (Freya Allan) fogem de seus inimigos, sendo obrigados a se mudar constantemente para não serem achados – e para que forças malignas, élficas ou humanas, coloquem a mão em Ciri, cujo poder se tornou artigo de troca entre os poderosos. Entretanto, eles também devem lidar com problemas entre si; afinal, Geralt e Yennefer não estão em bons termos depois que a feiticeira o enganou quanto em suas verdadeiras intenções com Ciri – que, por sua vez está sendo orientada por Yennefer para desenvolver suas habilidades mágicas. Enquanto isso, Ciri e Geralt continuam a navegar pela complexa relação “pai-filha” à medida que enfrentam perigos inimagináveis.

Como se não bastasse, a frágil paz que existe no Continente está ameaçada pela própria existência de Ciri – cujo destino está atado a uma profecia milenar. A jovem tem um alvo em suas costas e, por essa razão, é assistida de perto por Geralt e Yennefer; mas isso não impede que forças élficas e humanas arquitetem os próprios planos para capturá-la e usá-la como bem entender. Ora, até mesmo o pai de Ciri, o Imperador Emhyr (Bart Edwards), participa dessa caçada, o que torna tudo mais complicado. Logo, é notável como a narrativa, que já foi apresentada e explorada nos capítulos passados, agora tem liberdade o suficiente para tomar seu tempo e abrir ramificações mais específicas.

Comentar sobre o trabalho do elenco soa desnecessário, visto que cada um dos atores e atrizes entrega-se de corpo e alma aos personagens que encarnam. Cavill é o centro de nossa atenção, embebido em uma letárgica visão de mundo que começa a dar ares de simpatia por Ciri e de um complexo e controverso amor por Yennefer; o astro nutre de uma química invejável com Chalotra e Allan, ambas amadurecidas dentro de seus próprios arcos e com uma força descomunal que trazem às telinhas. E é claro que não poderíamos deixar de mencionar a performance de Jaskier (Joey Batey), nosso adorado bardo que sai das sombras de Geralt para perseguir os próprios sonhos e continuar como um dos favoritos do público.

Outro aspecto que merece aplausos é o roteiro: Hissrich, acompanhada de uma competente equipe criativa, nos guia por um enredo sombrio e nebuloso, que não pensa duas vezes antes de destilar reviravoltas e acontecimentos chocantes, cliffhangers motivadores e um bem-vindo suspense que toma força a partir do quarto episódio. A ideia, aqui, é revelar as engrenagens políticas e ideológicas que se escondem por trás dos líderes do Continente – e quem controla quem. Afinal, é notável o peso dramático que paira sobre um status quo em frangalhos e de que forma isso premedita os eventos futuros. A confiança se tornou uma relíquia a ser resguardada; todos estão contra todos e não há acordo de paz que consiga selar a trégua entre membros até mesmo da própria aliança.

A temporada encontra sucesso em sua completude, ainda que alguns deslizes existam: temos desavenças rítmicas ou extensões cansativas de um mesmo núcleo que mancham um pouco a nossa experiência, mas nada que consiga ofuscar o brilho da nova temporada. Até mesmo as investidas técnicas melhoraram, afastando-se da inebriante paleta de cores monocromática ou dos efeitos visuais execráveis e dando espaço a um comprometimento visível.

A primeira parte do terceiro ciclo de ‘The Witcher’ serve como ótima continuidade aos eventos do passado e acerta em cheio em quase todos os pontos. O gostinho amargo existe, mas não pela perda de potencial, e sim por saber que, muito em breve, seremos forçados a dar adeus a Cavill como o icônico bruxo – motivo pelo qual somos levados a apreciar com muito mais carinho esse ótimo encerramento (ao menos até agora).

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