Em 1979, o Pink Floyd chegava ao fim da década com status de uma das maiores bandas do planeta. Após o sucesso de The Dark Side of the Moon (1973), Wish You Were Here (1975) e Animals (1977), qualquer lançamento dos britânicos trazia a promessa de milhões de cópias vendidas. No entanto, quando o grupo entregou as fitas do ambicioso The Wall, a reação dentro da Columbia Records (sua gravadora nos Estados Unidos) esteve longe de ser positiva. Na verdade, os executivos odiaram o que ouviram.
O descontentamento não era sobre o conceito do álbum — uma ópera rock criada por Roger Waters sobre isolamento, trauma e alienação —, mas sim sobre seu apelo comercial. Ou melhor: a ausência dele. A gravadora olhou para a lista de faixas do álbum duplo e não conseguiu enxergar um único hit imediato para as rádios.
Nick Mason, baterista do Pink Floyd, admite que The Wall realmente não era algo fácil de ser assimilado a curto prazo e relembra como foi a recepção da Columbia (via Far Out Magazine):
“Todos nós achávamos que The Wall era algo bem fora do comum. Tocamos o material para um grupo de executivos da CBS nos Estados Unidos; pelo menos um deles disse: ‘Isso é horrível, o que vamos fazer?’. Eu certamente fiquei um pouco preocupado com algumas partes orquestrais, como ‘Bring the Boys Back Home’. Mas é preciso comprar a ideia de todo o conceito de The Wall. Não é uma coletânea de grandes singles.”
A tensão atingiu o ápice em relação à faixa “Another Brick in the Wall (Part 2)”. A gravadora não acreditava no potencial da música como single, considerando sua estrutura não convencional para as rádios. Foi a insistência do produtor Bob Ezrin falou mais alto: ele percebeu o potencial da batida influenciada pela disco music e teve a ideia de adicionar um coro de crianças da escola Islington Green, em Londres.
Apesar da resistência inicial dos executivos e das críticas de setores conservadores ao verso “We don’t need no education” (“Não precisamos de educação”, em tradução literal no português), a jogada arriscada da banda vingou. Lançada como single, “Another Brick in the Wall (Part 2)” tornou-se o único compacto do Pink Floyd a atingir o topo das paradas no Reino Unido e nos Estados Unidos, vendendo milhões de cópias no mundo todo.
“Run Like Hell” e “Comfortably Numb” também saíram como single, sendo esta última reconhecida amplamente por conter um dos melhores solos já gravados por David Gilmour.
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