×
Nine

Nevermore com esteroides sela sua volta com show forte, mas curto, no Bangers

Nine

O segundo e último dia de Bangers Open Air 2026, festival realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo, no sábado, 25, e domingo, 26, foi palco de uma reunião considerada improvável — seja pelas circunstâncias em si ou por se tratar de uma das pérolas perdidas da história do heavy metal. A nova formação do Nevermore realizou, aqui, o terceiro show desta era atual e o primeiro em um grande palco.

Fundado em 1992 a partir das cinzas de outro grupo, Sanctuary, o Nevermore se estabeleceu como um nome admirado no underground nas décadas de 1990 e 2000, ainda que nunca tenha conquistado um almejado salto comercial. Para se ter ideia, seu álbum mais vendido, Dead Heart in a Dead World (2000), teve 30 mil cópias vendidas na sua terra natal, Estados Unidos. Para efeito de comparação: gozando de bem menos oportunidades por ser brasileiro, o Angra, headliner da noite, despachou mais que o triplo desse número de sua obra mais popular, Rebirth (2001).

Ainda assim, nunca é tarde para descobrir boa música. Guiados por essa perspectiva, o guitarrista Jeff Loomis e o baterista Van Williams, membros da formação clássica, decidiram reativar o projeto no fim de 2024, 13 anos após o fim, provocado pelas saídas justamente de Loomis e Williams. Em 2017, o vocalista original Warrel Dane faleceu de problemas cardíacos, depois de um bom tempo lutando contra o alcoolismo, em São Paulo, onde havia estabelecido residência.

Difícil imaginar Nevermore sem Dane, mas ao reativar o grupo, Jeff e Van fizeram uma excelente escolha ao convocar o turco Berzan Önen, apresentado ao público junto do guitarrista Jack Cattoi e do baixista Semir Özerkan no início deste ano. O trio foi escolhido após uma audição aberta promovida online. Önen, em especial, se destaca pelo timbre bastante similar ao do cantor original, mas com identidade o suficiente para não se tratar de um cover. O vigor físico e visual imponente do musculoso artista turco chamam ainda mais a atenção, de modo a prender olhares da plateia — ainda mais nas primeiras canções do set, durante as quais trajou uma camiseta da seleção brasileira.

Mas na ausência de Warrel, a dinâmica sonora do Nevermore recai, mesmo, sobre a interação entre os riffs pesados de Jeff Loomis e a batida diferenciada de Van Williams, talvez a grande alma do grupo ao lado das contribuições do vocalista original. A construção rítmica de canções como a acelerada “Enemies of Reality”, a quebrada “Beyond Within” e a relativamente groovada “Inside Four Walls” explicam por que este retorno seria inviável sem a presença de Williams, baterista de 59 anos que, diferentemente do colega Loomis e seu vínculo com o gigante Arch Enemy, obteve pouca repercussão com seus projetos pós-2011.

A julgar pelas reações vistas na plateia, o Brasil segue como um dos poucos locais no mundo a ter dado o devido reconhecimento ao Nevermore. Lamenta-se, apenas, o tempo curto de set no domingo, 26. Eles tiveram 55 minutos de palco e só fizeram uso de 47 deles. Que sirva de incentivo para atrair mais gente ao show complementar nesta terça-feira, 28, no Carioca Club, também na capital paulista, ou motivar um retorno em anos seguintes.

Nevermore no Bangers Open Air 2026 — setlist:

  1. Intro: Precognition + Narcosynthesis
  2. Enemies of Reality
  3. The River Dragon Has Come
  4. Beyond Within
  5. Inside Four Walls
  6. Engines of Hate
  7. My Acid Words
  8. Born

+++ LEIA MAIS: Angra faz história com show de 9 integrantes no Bangers; saiba como foi
+++ Siga a Rolling Stone Brasil @rollingstonebrasil no Instagram
+++ Siga o jornalista Igor Miranda @igormirandasite no Instagram


Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

Compartilhe esta história
Deixe um comentário

Apoios

COMPRAR CURSO