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Mulheres, vinhos e novidades da ciência | Vinho e Algo Mais

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Cena clássica: mesa de jantar, boa companhia, uma garrafa dividida igualmente entre ela e ele. Na terceira taça, ela sente a cabeça leve. Ele, nada. E aí vem o comentário inevitável — dito com um sorrisinho benevolente: “você não tem resistência mesmo.” Resistência. Como se beber fosse uma habilidade treinável. Como se o problema fosse a falta de prática.

Uma reportagem recente da Deutsche Welle reuniu pesquisadores de diferentes países para explicar o que os médicos sabem há tempos: mulheres sentem mais rapidamente o efeito do álcool do que homens, não por falta de hábito, mas por biologia.

O ponto de partida é simples: o etanol — o álcool presente em qualquer bebida, do espumante ao uísque — se dissolve em água, não em gordura. O corpo feminino tem, em média, uma proporção menor de água e maior de gordura do que o masculino. Resultado: a mesma dose de álcool se concentra em menos líquido, e a taxa de alcoolemia sobe mais rápido. Simples assim.

Mas tem mais. As mulheres produzem até 40% menos de uma enzima chamada álcool desidrogenase, a responsável por começar a quebrar o álcool ainda no estômago, antes que ele chegue ao sangue. Menos enzima, mais álcool livre circulando.

Mas a história não termina no estômago nem no fígado. O que acontece quando o álcool chega ao cérebro também é diferente, dependendo do sexo biológico — aqui vale olhar com interesse sobre o impacto da bebida.

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O estrogênio, principal hormônio sexual feminino, influencia diretamente os circuitos de recompensa do cérebro. São os mesmos circuitos que o álcool aciona para produzir aquela sensação de relaxamento, euforia leve e sociabilidade aumentada que todos conhecemos e que, sejamos honestos, é parte importante do prazer de uma boa taça.

Pesquisas em neurociência sugerem que o estrogênio pode amplificar essa resposta, tornando os efeitos prazerosos do álcool mais salientes para mulheres.

Traduzindo sem rodeios: o vinho pode ser, literalmente, uma experiência mais rica para elas. Não porque bebam mais, mas porque o cérebro feminino responde com mais sensibilidade aos sinais de prazer que o álcool desencadeia. É uma diferença que os sommeliers mais atentos perceberam empiricamente: mulheres frequentemente descrevem aromas e sabores com mais precisão e nuance, e talvez haja biologia nessa percepção aguçada também.

Há ainda que se considerar o ciclo menstrual. Ao longo do mês, o organismo feminino passa por oscilações hormonais, em particular nesse período. Conhecer esse ritmo é parte de uma relação mais inteligente e prazerosa com o vinho.

Sugestão de rótulos (Reprodução/Reprodução)

Chandon Passion Rosé

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Publicado em VEJA São Paulo de 03 de julho de 2026, edição nº 3002.

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Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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