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‘Mestres do Universo’ é o live-action de He-Man que os fãs mereciam – Rolling Stone Brasil

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Existem adaptações que parecem destinadas a viver eternamente no imaginário dos fãs. Projetos que são comentados há décadas, cercados por rumores, versões canceladas e expectativas quase impossíveis de atender: Caverna do Dragão, As Meninas Superpoderosas, Os Padrinhos Mágicos, Carmen Sandiego ou Super Choque, só para citar alguns. Entre todas elas, poucas carregaram uma espera tão longa quanto Mestres do Universo.

Criado pela Mattel no início dos anos 1980 como uma linha de brinquedos, He-Man rapidamente se transformou em um fenômeno cultural graças à série animada que apresentou Eternia para milhões de crianças ao redor do mundo. Com sua mistura peculiar de fantasia medieval, ficção científica e personagens extravagantes, a animação conquistou uma geração inteira e ajudou a transformar o Príncipe Adam e seu alter ego musculoso em ícones da cultura pop.

A primeira tentativa de levar essa mitologia aos cinemas aconteceu em 1987, com Dolph Lundgren (Rocky IV) no papel principal. Embora tenha conquistado certo status cult ao longo dos anos, o filme fracassou comercialmente e decepcionou muitos fãs. Parte do problema estava justamente na decisão de abandonar grande parte da riqueza visual de Eternia para concentrar a trama na Terra. Com orçamento problemático e uma narrativa que frequentemente deixava os elementos mais interessantes do universo original em segundo plano, aquela adaptação nunca conseguiu capturar o espírito da animação.

Quase quarenta anos depois, Mestres do Universo finalmente entrega aquilo que os admiradores da franquia esperavam. Na trama, após quinze anos longe de casa, o Príncipe Adam (Nicholas Galitzine, Vermelho, Branco e Sangue Azul) é guiado pela lendária Espada do Poder de volta a Eternia, agora dominada pelo cruel Esqueleto (Jared Leto, Clube de Compras Dallas). Para salvar seu mundo, ele precisará aceitar seu destino como He-Man e contar com a ajuda de aliados como Teela (Camila Mendes, Riverdale) e Duncan, o Mentor (Idris Elba, Luther).

Sob a direção de Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas), o longa entende algo que muitas adaptações recentes parecem ter esquecido: fantasia precisa ser fantástica. Em vez de esconder suas origens sob filtros escuros e cenários sem personalidade, Mestres do Universo abraça cores vibrantes, criaturas extravagantes e paisagens que parecem ter saído diretamente das ilustrações dos brinquedos e dos episódios clássicos. Em uma época em que muitos filmes de super-heróis apostam em visuais opacos e excessivamente padronizados, o colorido de Eternia surge quase como um alívio.

O resultado lembra um blockbuster de aventura que ainda não foi contaminado pela obsessão dos multiversos. É curioso porque o projeto claramente faz parte da estratégia da Mattel, aqui em parceria com a Amazon MGM Studios, de expandir suas propriedades para o cinema após o sucesso estrondoso de Barbie (2023). Porém, o filme não parece preocupado em plantar dezenas de futuras produções ou construir um gigantesco quebra-cabeça corporativo. Antes de pensar no amanhã, ele se preocupa em contar uma boa história hoje. E faz isso muito bem.

A decisão de manter a maior parte da ação em Eternia também se revela um enorme acerto. Afinal, estamos falando de um universo rico em identidade visual, repleto de castelos, monstros, guerreiros e tecnologia fantástica. Diferentemente da produção dos anos 1980 — que colocava personagens humanos da Terra, incluindo uma jovem Courteney Cox (Pânico) em um de seus primeiros papéis no cinema, no centro da narrativa —, esta nova versão entende quem realmente deve ocupar os holofotes. E Nicholas Galitzine aproveita a oportunidade.

Muito mais confortável dramaticamente do que Dolph Lundgren jamais esteve no papel, o ator consegue sustentar o protagonismo com carisma e vulnerabilidade. Seu Adam convence tanto como príncipe deslocado quanto como herói destinado a salvar um mundo inteiro. Ao seu lado, Camila Mendes entrega uma Teela determinada e cheia de presença, enquanto Idris Elba traz entusiasmo e autoridade ao Mentor. Os três formam um trio bastante eficiente, servindo como contraponto perfeito ao vilão interpretado por Jared Leto.

E falando nele… Embora a computação gráfica transforme significativamente a aparência de Leto, os trejeitos característicos do ator continuam lá. Ele mergulha sem medo no lado mais teatral e cartunesco do Esqueleto, construindo uma figura ameaçadora, mas também divertida, exatamente como o personagem sempre foi na animação. Seria um erro tentar tornar Esqueleto excessivamente realista e, felizmente, o filme entende isso.

Na verdade, a disposição para abraçar o caricato talvez seja o maior triunfo de Mestres do Universo. A produção não tem vergonha de seus absurdos nem de sua inspiração direta na fantasia que dominou a cultura pop dos anos 1980. Há armaduras impossíveis que remetem aos action figures, castelos gigantescos e imponentes, e toda a grandiosidade que os fãs sempre quiseram ver com os recursos tecnológicos de uma superprodução dos tempos atuais.

O mesmo entusiasmo vale para as cenas de ação. Em tempos em que franquias como Street Fighter e Mortal Kombat retornam aos cinemas, Mestres do Universo demonstra como construir combates visualmente claros e empolgantes.

O espectador consegue acompanhar quem está atacando, quem está levando vantagem e quais golpes realmente importam para o desenrolar da luta. Parece algo simples, mas é uma qualidade cada vez mais rara em blockbusters contemporâneos.

No fim das contas, Mestres do Universo entrega exatamente aquilo que prometia. Não reinventa He-Man, não tenta desconstruir sua mitologia e nem renega suas origens. Pelo contrário: celebra tudo aquilo que tornou a franquia especial desde os anos 1980. Depois de décadas de espera, os fãs finalmente receberam o live-action que mereciam — e as surpresas não param ao subir dos créditos, então não levante da cadeira até que a tela do cinema esteja desligada.

E um último aviso: fique na sala até o fim dos créditos. Eternia ainda guarda algumas surpresas.

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Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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