×
Nine

Geese só ficou famoso por causa de algoritmos? Gravadora responde

Nine

A ascensão do Geese à fama foi tão meteórica quanto controversa. O grupo americano se tornou o nome mais badalado do indie rock graças ao seu álbum mais recente, Getting Killed (2025) — eleito um dos melhores discos de 2025 por Rolling Stone Brasil —, mas alguns detratores argumentaram ser parte de uma conspiração. Agora, a gravadora da banda respondeu.

Em entrevista à Billboard, Tim Putnam e Zena White, respectivamente CEO e COO da Partisan Records, revisitaram a trajetória do selo indie. A conversa, naturalmente, abordou o conjunto americano.

Putnam explicou que o selo só conseguiu os recursos necessários graças a uma parceria com a Play It Again Sam, outra gravadora independente com participação do Universal Music Group. Ele falou sobre como não parava de escutar o trabalho de estreia do Geese, Projector (2021):

“Além do talento da banda tão jovem, as canções tinham algo único, especial. Eu passei grande parte da pandemia dirigindo por aí, ouvindo as músicas do grupo.”

Segundo o executivo, as circunstâncias da pandemia limitaram a promoção do álbum. Entretanto, o disco seguinte, 3D Country (2023), criou um ambiente no qual a banda começou a ganhar notoriedade em círculos indie. A estreia solo do vocalista Cameron Winter, Heavy Metal (2024), só contribuiu para o perfil ascendente do grupo.

Por isso, Putnam contrariou a narrativa que o sucesso de Getting Killed foi uma surpresa:

“Foi mais alívio que surpresa. Não pegou a gente de surpresa porque, internamente, a ascensão do Geese não foi rápida… Quando Getting Killed foi entregue para nós, sabíamos que a banda havia feito algo especial. Além disso, o sucesso de Heavy Metal havia preparado o terreno e se espalhado para dentro da janela de lançamento de Getting Killed. Um alimentou o outro e continua assim.”

Zena White ressaltou que a Partisan trabalha como se Geese e a carreira solo de Cameron Winter fossem uma coisa só — algo claro desde 3D Country. Além disso, ofereceu sua opinião quanto ao motivo para o sucesso do álbum, que esgotou o estoque inicial de vinil no dia do lançamento:

“O jeito que [Geese e Cameron Winter] pegaram fogo e capturaram a atenção das pessoas honestamente me dá esperança para a era musical em que estamos. Pessoas estão rejeitando o algoritmo. Querem pensar e sentir. Não querem ser alimentadas de conteúdo.”

Campanha de marketing do Geese

A companhia americana revelou em entrevista à Billboard que sua estratégia consiste em manipulação de tendências digitais e do algoritmo de redes sociais, através de disseminação de clipes por contas fantasmas ou parcerias com influencers para capturar a atenção do algoritmo. Isso levou a Wired a descrever o sucesso do Geese como um “psy-op”, termo usados por teoristas da conspiração para se referir a uma campanha de manipulação psicológica do público.

Reação à reportagem

Entretanto, essa caracterização foi disputada por diversas fontes. Em artigo para o site Consequence, o jornalista Wren Graves explicou como as ações da Chaotic Good Projects fazem parte da realidade atual da indústria musical. Toda campanha de marketing tenta explorar o algoritmo com esse mesmo objetivo e a empresa trabalha com vários outros artistas cujo sucesso não foi descrito da mesma maneira que o Geese na reportagem, tais quais Mk.gee, Wet Leg e Oklou.

Graves até apontou como a inspiração para a matéria da Wired — um post no Substack da cantora e compositora Eliza McLamb — trata mais sobre o problema inerente do cenário atual que força artistas a precisar contratar firmas como a Chaotic Good. Segundo ela, a questão não está relacionada a bandas enganando o algoritmo, mas, sim, o controle que este tem sobre toda forma de descoberta cultural.

Geese e Cameron Winter atualmente

Quanto ao Geese, a banda anunciou em abril uma turnê pelos Estados Unidos para o segundo semestre. Inicialmente, seriam 21 shows no país entre setembro e novembro, mas foram anunciadas mais 12 datas devido à alta demanda por ingressos.

+++ LEIA MAIS: Geese fala à RS sobre ser ‘salvação do rock’, Brasil e Noel Gallagher
+++ LEIA MAIS: Geese nos lembra por que bandas de verdade importam
+++ LEIA MAIS: Geese dá vida a ‘Getting Killed’ em performance para ‘From the Basement’


Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

Compartilhe esta história
Deixe um comentário

Apoios

COMPRAR CURSO