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Arnaldo Antunes fala à Rolling Stone sobre show em SP, Titãs e David Byrne

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Novo Mundo, álbum mais recente de Arnaldo Antunes, lançado em 2025, pode ser definido como um retorno à eletricidade. Após a incursão minimalista de O Real Resiste (2020), que dispensou percussão e bateria para focar nas cordas, e Lágrimas no Mar (2021), calcado no piano, o “titã” mais multifacetado sentiu a necessidade de transbordar sua obra novamente.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, ele explica:

“Comecei a ficar um pouco com saudade de um show mais dançante, mais pesado, com sonoridade de banda. Mais catártico, digamos assim. Nesse meio do caminho, teve a turnê Titãs Encontro (2023-2024), que também deu um gosto a mais de fazer essa performance mais extrovertida.”

Desde então, Arnaldo arregimentou novos parceiros, como o baterista e produtor Pupillo (ex-Nação Zumbi) e o guitarrista Kiko Dinucci, que se tornaram peças importantes no estúdio. Em seguida, foi a vez de cair na estrada com Novo Mundo, eleito pela Rolling Stone Brasil um dos melhores álbuns nacionais de 2025.

Agora, após um ano, o material alcança seu ponto mais “azeitado” no palco, aponta o criador:

“Lançamos o disco no começo do ano passado e logo estreamos o show. Fomos afinando não só a banda e o repertório, mas a parte visual também. Na estrada é que o show vai ficando redondo.”

Arnaldo Antunes (Foto: @josedeholanda)
Arnaldo Antunes (Foto: @josedeholanda)

O ápice desse processo de maturação de disco e show, segundo Arnaldo, pode ser conferido no próximo dia 22 de maio, quando ele toca no Espaço Unimed, em São Paulo, numa apresentação repleta de circunstâncias especiais. Há ingressos à venda no site Eventim.

Além da direção artística de Batman Zavareze, com luzes, lasers e uma estética visual impactante, pela primeira vez Arnaldo terá a companhia ao vivo de três dos quatro convidados que participaram do disco, dentre eles Marisa Monte. E avisa que o trio não irá se limitar às canções gravadas no álbum — “Sou Só” (Marisa), “Pra Não Falar Mal” (Ana Frango Elétrico) e “Novo Mundo” (Vandal).

“Vai ser uma celebração. Um show muito bacana. Estou bem entusiasmado. Eles (convidados) vão cantar não só as canções que gravaram no ‘Novo Mundo’, mas também algumas outras surpresas.”

“É surpresa, não dá para adiantar. Só digo que a gente vai cantar coisas que nunca cantamos juntos ao vivo. É um desejo que eu tinha de fazer algumas coisas diferentes. Parcerias nossas. Tem umas novidades, umas releituras. Canções que eu não cantava há algum tempo, mas que a gente rearranjou dentro da sonoridade do ‘Novo Mundo’.”

E o David Byrne?

A única ausência, bastante lamentada, será a de David Byrne. Não só por o fundador e principal compositor do saudoso Talking Heads ser um dos destaques do disco, mas por Arnaldo nutrir grande admiração por seu trabalho:

“Ah, claro que a gente queria trazer, mas a gente viu que ele estava com uma agenda absurda, com shows nas mesmas datas, enfim, não tinha como.”

Arnaldo acrescenta, revelando como se deu a parceria:

“Eu sou muito fã do Byrne desde o começo da carreira até hoje. E ele recebeu muito bem o convite. Ele tem uma paixão pela música brasileira e já conhecia meu trabalho, tudo isso. Aí eu mandei duas ideias, ele acabou fazendo as duas, as duas entraram no disco, que foram ‘Body Corpo’ e ‘Não Dá Pra FicarParado aí na Porta’. Foram coisas que a gente foi compondo, trocando e-mails durante meses. Na hora de gravar até pensei em ir para Nova York e fazer lá com ele, pra gente, enfim, se encontrar e tudo isso, mas a agenda estava muito complicada.”

“Ele gravou lá e eu gravei aqui (São Paulo). Ele em inglês, eu em português, então são canções bilíngues, né? A ideia de ‘Body Corpo’ é como se eu fizesse uma tradução simultânea do que ele vai cantando verso por verso. É uma ideia um pouco assim. Sempre existiu essa ideia da tradução simultânea, só que era feita por humanos, né? Hoje em dia a IA já está fazendo isso como aplicativo no celular.”

Algoritmos e “saudosismo”

Aos 65 anos, Arnaldo Antunes não se considera saudosista, mas admite certos apegos — inclusive à maneira convencional de produzir e consumir música/arte.

Antes de assinar a direção artística do show atual, Batman Zavareze já havia sido o responsável pela capa e pelo projeto gráfico de Novo Mundo, cuja faixa-título alerta: “Bem-vindo ao novo mundo / que vai se desintegrar no próximo segundo / os emojis são os novos hieróglifos / não há como fugir dos algoritmos / agora querem extinguir os livros / por que será que ainda estamos vivos?”.

Arnaldo Antunes (Foto: @josedeholanda)
Arnaldo Antunes (Foto: @josedeholanda)

A escolha, portanto, não é à toa e possibilita um conceito único, que perpassa o álbum e chega ao palco. Algo que Arnaldo faz questão de valorizar em tempos de algoritmo:

“Acho que hoje em dia tem muita gente que nem grava disco, só lança singles ou lança um EP depois, enfim, duas faixas. Eu, na verdade, tenho um apego pelo formato do disco. Acho que ele tem que ter um conceito, uma ordem das faixas, que de certa forma retrata uma fase da carreira artística daquele artista. Gosto da ideia do álbum. É um apego talvez anacrônico, mas que para mim faz sentido. Hoje em dia tem essa liberdade de você escolher como quer ouvir, mas eu ainda sou um ouvinte de álbum. Sempre que sai um álbum de um artista que me interessa, eu vou lá e escuto com atenção.”

Quais, por exemplo?

“Agora saiu o disco do (Fernando) Catatau, Cidadão Instigado (2026), que eu achei incrível. É um disco todo que conta uma história, que tem um sentido você escutar o disco. O do Vitor Araújo (pianista), que toca comigo na banda e fizemos o Lágrimas no Mar, lançou Toró (2026). É um disco maravilhoso de música instrumental, muito precioso, muito original, com várias levadas brasileiras misturadas com uma orquestra europeia e muito inventivo. O Vitor é incrível. Ouvi também o EP – Mais Simples (2026) – que o José Miguel (Wisnik) lançou, que eu participei recentemente. Enfim, eu sou um ouvinte curioso e gosto disso, de parar para ouvir um disco.”

Titãs Encontro

Em relação ao reencontro com os Titãs, entre 2023 e 2024, Arnaldo se rende à nostalgia da turnê que celebrou o legado da banda e promoveu a reunião dos sete integrantes vivos — o guitarrista Marcelo Fromer faleceu em 2001.

Ao todo, foram 48 shows que passaram por várias cidades do Brasil e chegaram até o exterior — Estados Unidos e Portugal.

Ele comenta:

“Ah, foi uma delícia, né? Matamos a saudade, foi muito gostoso e com shows muito grandes. Muito público. A gente viu o tamanho que os Titãs realmente têm no imaginário popular. Pessoas de várias idades ali no show, desde criança até o pai, o avô, enfim, a mãe, a tia. Acho que foi um show muito realizador, por reviver um pouco aquela vitalidade, vamos dizer assim, que a gente tinha junto nos anos 1980. Além de matar a saudade nossa e do público também.”

Titãs Encontro (Foto: Bob Wolfenson / divulgação)
Titãs Encontro (Foto: Bob Wolfenson / divulgação)

Arnaldo, porém, afasta a possibilidade de uma nova Titãs Encontro:

“Não, a formação atual dos Titãs está fazendo a turnê do Cabeça Dinossauro (40 anos), né? Não tem nenhuma cogitação da gente se encontrar de novo, não.”

Nem mesmo em 2027, quando dos 30 anos do Acústico MTV (1997), conforme ventilado no site Uol Splash? Lançado em 1997, o disco é o trabalho mais vendido da história dos Titãs, com cerca de 1,7 milhão de cópias comercializadas.

Arnaldo refuta:

“Não, não tem essa expectativa. Como eu falei, não é uma coisa que a gente esteja cogitando. Não tem nada planejado nessa direção, não.”

*Arnaldo Antunes se apresenta no Espaço Unimed, em São Paulo, no próximo dia 22 de maio. Há ingressos à venda no site Eventim.

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Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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