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Tim Curry: 9 filmes essenciais do ator que morreu nesta terça (25), de ‘Rocky Horror’ a ‘It’ – Rolling Stone Brasil

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Se Tim Curry não tivesse feito nada além de interpretar Dr. Frank-N-Furter, o médico de Transilvânia vestido com lingerie que ajudou a transformar The Rocky Horror Picture Show no precursor de todos os filmes exibidos nas sessões da meia-noite, ele já teria garantido seu lugar nos livros de história do cinema. Mas o ator britânico, que morreu aos 80 anos, teve uma carreira longa, ilustre e diversificada — interpretando desde reis ingleses até palhaços malignos, de bucaneiros a mordomos, passando por William Shakespeare e um DJ de rádio de Nova York cheio de lábia. (E nem vamos começar a falar sobre a quantidade insana de trabalhos de dublagem que Curry fez, atividade que manteve mesmo depois de sofrer um AVC gravemente debilitante em 2012.)

“Assim como um pintor pode pensar no que fazer com uma tela em branco, ou um jardineiro diante de um espaço vazio no quintal, um vagabundo olha para o mundo como um campo de potencial e possibilidades”, escreveu Curry em seu livro de memórias de 2025, Vagabond, “onde a beleza não apenas pode ser encontrada, mas criada, e a aventura aguarda qualquer pessoa disposta a buscá-la”. Ele levou esse mesmo senso de possibilidades e aventura — acompanhado de uma boa dose de travessura criativa e de um espírito lúdico subversivo — para seus melhores papéis. De Frank-N-Furter ao Pennywise original, estes são nove dos papéis mais inesquecíveis de Curry, segundo Rolling Stone:

The Rocky Horror Picture Show (1975)

“Como vai você?” Nos 50 anos desde que este filme cult de sessões da meia-noite estreou nos cinemas, sua história sobre um casal reprimido e virginal interagindo com figuras excêntricas e adeptas do fetiche se manteve como uma das produções com mais longa permanência em cartaz na história do cinema. E, enquanto Brad e Janet lidam com os estranhos habitantes de uma mansão misteriosa, é Curry, na pele do “doce travesti” Dr. Frank-N-Furter, quem permanece como o personagem mais marcante de toda a produção. Quem poderia esquecer o primeiro vislumbre daqueles saltos plataforma brancos e cheios de brilho, momentos antes de um estridente riff de guitarra anunciar a primeira aparição do foragido do planeta Transexual? Rocky Horror foi a estreia de Curry no cinema e deixou uma geração inteira tremendo de antici… pa-ção pelo que ele faria dali em diante. “Não consigo imaginar um papel melhor para me permitir abraçar minhas contradições e enxergá-las por completo”, escreveu em suas memórias. “Aprendi a não me limitar — artisticamente, profissionalmente, sexualmente ou mentalmente.” Frank-N-Furter viverá para sempre. — CT Jones

Times Square (1980)

Tivéssemos tanta sorte de contar com um anjo da guarda como Johnny LaGuardia, o DJ de rádio noturno interpretado por Curry no cult dos primeiros anos da década de 1980 dirigido por Allan Moyle. Depois de receber uma carta de uma ouvinte identificada como “Zombie Girl”, LaGuardia logo percebe que ela é uma das duas fugitivas — interpretadas por Trini Alvarado e Robin Johnson — que as autoridades estão tentando localizar. Ele então incentiva a dupla a formar uma banda de punk rock chamada Sleez Sisters e continuar desafiando o sistema. É o tipo de papel irreverente e antiautoritário que Curry dominava, mas observe como ele acrescenta uma dose de empatia e sofrimento a uma resposta para uma das cartas da adolescente revoltada: “Talvez você esteja completamente sozinha… esse é um lugar bem assustador para se estar. Você pode ter que saltar para a escuridão. O quão desesperadas elas se sentem, aqueles momentos antes de saltar — mas você tem que fazer isso”. — David Fear

Annie (1982)

Os Sete Suspeitos (1985)

Seis estranhos entram em uma mansão. Eles ficam presos até solucionar um assassinato. A confusão de descobrir o culpado começa. Mas o maior crime da hilária comédia de 1985, adaptada de um jogo de tabuleiro, é que não temos Tim Curry o tempo todo. Ele entrega uma atuação genial como Wadsworth, mordomo que trabalha para o misterioso Sr. Boddy. Há trabalho corporal suficiente para construir um filme inteiro apenas compilando os revirados de olhos, as expressões de espanto e as consoantes vibrantes de Curry. (Aquela cena da reconstituição, sozinha, parece uma peça de três atos.) Afinal, foi o mordomo quem fez tudo — e ainda nos proporcionou uma experiência fantástica. — CTJ

A Lenda (1985)

Ridley Scott não havia pensado originalmente em Curry para o papel de Darkness, o vilão deste conto de fadas estrelado por Tom Cruise; mais tarde, ele admitiu que pensava em Peter O’Toole, mas acabou desistindo da ideia porque o astro de Lawrence da Arábia era “tão magro e tão pálido”. Foi só quando assistiu a The Rocky Horror Picture Show, enquanto pensava em escalar uma das atrizes do filme para interpretar a feiticeira do pântano Meg Mucklebones, que viu Curry e pensou: “Meu Deus, este é o Darkness”. Nem mesmo vários quilos de próteses conseguem esconder o quanto ele se diverte no papel, e dizer que Curry abraça o charme diabólico do personagem — veja esta cena em particular — seria um enorme eufemismo. Ele é, de longe, a melhor coisa do filme. — DF

It: Uma Obra-Prima do Medo (1990)

Embora Tim Curry provavelmente não fosse muito querido pela comunidade que sofre de coulrofobia, o homem certamente entregou um palhaço assustador como poucos. As adaptações do épico romance de Stephen King sobre crianças que enfrentam uma entidade sobrenatural usando maquiagem de palhaço evoluíram muito desde aquela minissérie original de 1990. Mas não tenha dúvida: a interpretação de Curry do Pennywise original, o monstro maligno que se disfarça de palhaço pintado, é ainda mais aterrorizante por causa das limitações dos efeitos especiais da época. Ele é o maior pesadelo do Clube dos Otários e torna os momentos mais assustadores da história inesquecíveis simplesmente ao fixar um olhar frio e assassino nos olhos e um sorriso de arrepiar os cabelos no rosto. “Você também vai flutuar…” — CTJ

FernGully – As Aventuras de Zack e Crysta na Floresta Tropical (1992)

Muito antes de se tornar uma presença constante em trabalhos de dublagem para animações e videogames, Curry emprestou seu rico timbre de barítono a este longa-metragem musical de animação sobre um jovem lenhador e um grupo de fadas místicas que tentam salvar, como diz o título, a última floresta tropical. O ator interpreta Hexxus, a personificação do desastre ecológico — e a maneira como Curry acrescenta elementos de humor camp a esse vilão torna o filme ainda mais rico. (Preste atenção à pausa que ele faz na frase “Acredito que estamos destinados a ser almas… gêmeas!” e diga que você não consegue ouvir o Dr. Frank-N-Furter dando uma espiadinha.) Uma geração inteira conhece Curry principalmente por esse papel e, como mostra este registro dos bastidores, ele se divertiu muito fazendo o trabalho. Em pouco tempo, começaria a usar regularmente sua voz marcante em uma série de filmes e programas de TV de animação. — DF

Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York (1992)

Como o concierge Sr. Hector, Curry circula sorrateiramente pelo Plaza Hotel para ficar de olho no astuto Kevin McCallister. O ator teve dificuldade para se relacionar com Macaulay Culkin no set, mas conseguiu manter um sorriso de orelha a orelha na tela, permanecendo no personagem como se estivesse perseguindo o garoto de 10 anos abandonado, suspeitando que ele tivesse roubado o cartão de crédito do pai. “Pessoalmente, eu gostava de Macaulay e tenho muita simpatia por atores mirins, então me esforcei para ser paciente com ele”, escreveu Curry em suas memórias. “No início dos anos 1990, o jovem Macaulay havia alcançado um enorme status de celebridade e era reconhecido em todos os lugares. Acho isso estranho como adulto, então não consigo imaginar como deve ter sido processar tudo aquilo quando criança.” Depois do lançamento do filme, Curry narrou um audiolivro da novelização da produção. — KG

Os Muppets na Ilha do Tesouro (1996)

O extravagante e malandro cozinheiro que se transforma em pirata, Long John Silver, era um papel natural para Curry, que assumiu perfeitamente o posto de vilão do jovem Jim Hawkins (Kevin Bishop) e de vários personagens que Robert Louis Stevenson nunca inventou, incluindo Kermit, Fozzie Bear e Miss Piggy. O papel não exigiu muito esforço de Curry, que já havia interpretado o Rei dos Piratas de The Pirates of Penzance na Broadway, então a bota — e a perna de pau — serviram perfeitamente. Ele chegou a cantar sua música de destaque, “A Professional Pirate”, com todo o pizzazz de Penzance e um sotaque irlandês. “É meu filme favorito”, disse Curry ao The New York Times em fevereiro deste ano. “Adorei fazê-lo e espero que continue sendo exibido para sempre.” — KG

+++LEIA MAIS: A carta que Luke Evans escreveu para Tim Curry semanas antes da morte do ator


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