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Show de despedida do Sepultura tem data e local confirmados

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“Celebrating Life Through Death”, a turnê de despedida do Sepultura iniciada em 2024, chega ao fim no próximo dia 7 de novembro. A banda confirmou não apenas a data, como, também, o local do último show de sua carreira: Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo.

Ainda não há detalhes sobre a performance derradeira de Derrick Green (voz), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr (baixo) e Greyson Nekrutman (bateria), produzida pela Live Nation. Em entrevistas, porém, os integrantes têm dito que a ideia é transformar o evento em uma celebração de toda a carreira do grupo, com direito a convidar ex-integrantes e artistas ligados de alguma forma à sua carreira.

Os fundadores Max (voz e guitarra) e Iggor Cavalera (bateria) não devem comparecer. Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Andreas Kisser confirmou que ambos negaram os convites para subirem ao palco junto dele na ocasião.

“Liguei para o Iggor alguns meses atrás. Tivemos uma conversa sensacional e muito cordial. Falamos de outros assuntos: família, futebol… foi muito legal. Então, fiz o convite. Ele disse: ‘cara, a gente não sente parte disso, a gente não se sente confortável’. Deu os motivos dele para não querer fazer parte disso. Ok. Por meio dos empresários, também enviamos oficialmente um contato lá [para Max] e também recebemos a negativa. Não sei se foi diretamente da Gloria [esposa e empresária de Max] ou do advogado, mas fomos pelos dois caminhos: um caminho direto, onde falaram ‘não’, e outro mais burocrático, onde também foi falado ‘não’.”

Além dos irmãos Cavalera, passaram pelo grupo o vocalista Wagner Lamounier (futuramente membro do Sarcófago e hoje retirado da música), o guitarrista Jairo Guedz (atualmente líder do The Troops of Doom) e os bateristas Jean Dolabella e Eloy Casagrande (agora no Slipknot). Ao longo dos anos, os discos contaram com participações de nomes célebres, a exemplo de Henrique Portugal (que viria a ser tecladista do Skank), John Tardy (vocalista do Obituary), Jello Biafra (ex-vocalista do Dead Kennedys), Carlinhos Brown (percussionista), Jonathan Davis (cantor do Korn), Mike Patton (frontman do Faith No More), João Gordo (vocal do Ratos de Porão), Jason Newsted (ex-baixista do Metallica), a dupla de Titãs Tony Bellotto e Sérgio Britto, entre outros.

Impacto do Sepultura

Com mais de 50 milhões de discos vendidos a nível mundial, o Sepultura é considerado a maior banda brasileira de heavy metal em todos os tempos. Lançou ao todo 15 discos de estúdio, além de trabalhos ao vivo, EPs e compilações. Seu trabalho mais popular, Roots (1996), chegou ao 27º lugar da parada americana, onde também ganhou certificação de ouro pelas mais de 500 mil cópias vendidas. A premiação se repetiu também em Austrália, Canadá, França e Reino Unido.

Artisticamente, uma de suas maiores contribuições foi a inclusão de ritmos tribais ao peso do metal. Grupos de todo o planeta foram influenciados pelo som dos brasileiros, como Slipknot, Limp Bizkit, Korn, Machine Head, Gojira, Children of Bodom, entre vários outros.

Com a palavra, Andreas Kisser

“É uma porta aberta do Brasil para o mundo, um símbolo cultural brasileiro que, infelizmente, não tem o reconhecimento aqui dentro desse país, como um aspecto cultural, o heavy metal. É o país que mais ama heavy metal no mundo. Não à toa, toda banda do circuito mundial vem para cá, toca em grandes lugares, grava DVDs e discos ao vivo.”

Depois da última apresentação, o Sepultura continua, mas com sua obra. E que tipo de legado Kisser gostaria de deixar a partir do momento em que a banda encerrar as atividades? Em uma longa resposta a ser mantida na íntegra, ele diz:

“Que tudo é possível, mesmo dentro de um sonho impossível, que era o Sepultura em 1984, até a história que construímos, colocando o Brasil no mapa do mundo do metal. Acreditar em você mesmo, focar, se preparar. O Sepultura ensaiava todo dia, desde que eu entrei em 1987. Até antes, eles tinham essa disciplina, de ensaiar todo dia, de compor, buscar influências, escutar coisas novas.
E ser autêntico com você mesmo. A partir do momento que você começa a perder um certo foco ou identidade, você vai querer fazer música para rádio, vai querer usar um certo visual porque está na moda, ou vai se perder no caminho. Muitos artistas se perdem porque querem agradar ao fã, à gravadora, à rádio, aí se perdem. Sempre fomos muito seguros no que queríamos, sempre lutamos pela liberdade artística, de fazer nossa música, escolher nossa arte para o disco. E aqui estamos.
É muito legal escutar por exemplo o Juanes, um grande artista colombiano, que viu na ascensão do Sepultura fora da América Latina a possibilidade de ele fazer aquilo também. É f#da ouvir um negócio desse. Argentinos, colombianos, chilenos falam: ‘essa banda não é só brasileira, é sul-americana’. É um pioneirismo não só brasileiro, mas sul-americano. Isso tem um poder espetacular de influência, de motivação… de fazer a galera pegar no instrumento, fazer um som e transformar seu próprio sonho em realidade. Acho que é um legado que mostra como, independentemente do estilo musical ou mesmo a profissão que for seguir, se prepare: estude, se respeite, dê a si a chance de encarar os desafios da melhor maneira possível.”

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