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Os primeiros foras da lei eram os grandes azarões. É por isso que os amamos – Rolling Stone Brasil

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Os norte-americanos gostam de figuras históricas de foras da lei porque elas são um raro exemplo de um Davi vencendo um Golias, mesmo que por um breve momento. Esses elementos atípicos do nosso país, vistos como inaceitáveis, surgem e transformam completamente a ideia do que significa ser convencional. Esse tipo de autossuficiência e individualismo obstinado — por mais diferentes que todos sejam, a maioria dos estadunidenses acredita em alguma coisa.

Com relação aos foras da lei, e estou falando dos de verdade, o público tende a mitificá-los. Mas às vezes a verdade é mais estranha que a ficção. No caso de Butch Cassidy e Sundance Kid, não há nem mesmo um consenso histórico definitivo sobre onde esses rapazes morreram. A história de Billy the Kid é ainda mais nebulosa. Esses caras apareciam “mortos” nos jornais, com todos aqueles jornalistas com pressa de sensacionalizar alguma coisa. Imagine você ser Butch Cassidy se vendo no jornal, e está escrito que você está morto, mas você está muito vivo. Woody Guthrie canta sobre isso em músicas como “Poor Lazarus“: “Como estou, rapazes, morto ou vivo?”

Outro dia, eu estava assistindo a um vídeo do Robert Redford falando sobre Butch Cassidy e Sundance Kid. Ele estava dizendo algo parecido com o que Bob Dylan disse: “Para viver fora da lei, você tem que ser honesto”. É verdade, essa ideia de honra entre ladrões. Redford estava dizendo que um fora da lei do tipo Butch Cassidy provavelmente faria um trabalho melhor administrando o governo do que os políticos que ele tinha em mente no início dos anos 70. Há alguma verdade nisso. E tem o Davy Crockett. [Nota do editor: Charley, o autor, afirma ser descendente do lendário texano.] Ele é uma figura complexa. No início, ele era um batedor indígena. Depois, entrou em conflito com a estrutura de poder americana e ficou do lado dos interesses dos nativos americanos na chamada fronteira. Ele é infame por se opor à Lei de Remoção Indígena. Mas é tudo verdade que ele estava lá, no salão de uma casa no Tennessee, e disse: “Que todos vocês vão para o inferno, e eu irei para o Texas”. Essa é a primeira celebridade da América.

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Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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