Em 2013, quando lançava Watching Movies with the Sound Off, seu segundo álbum de estúdio, Mac Miller sentou com a Complex para falar sobre os discos que moldaram sua visão de mundo. A lista que surgiu dessa conversa é um retrato fiel de quem ele era: um artista de Pittsburgh que cresceu ouvindo de tudo, sem fronteiras de gênero ou era. Bob Dylan ao lado de 50 Cent. Portishead ao lado de A Tribe Called Quest. Elliott Smith ao lado de Lil B. Cada escolha carregava uma história — e Mac tinha uma para contar sobre cada uma delas.
Hoje, oito anos após o lançamento de Swimming — disco lançado um mês antes de sua morte, em setembro de 2018 —, a lista ganha um peso diferente.
Confira abaixo os 25 álbuns favoritos de Mac Miller de todos os tempos, com suas próprias palavras sobre cada um deles.
25. ScHoolboy Q — Oxymoron (2013)
Mac já havia ouvido a maior parte do álbum antes do lançamento e foi enfático: era o melhor disco que o TDE já tinha lançado. Recusou-se a dar detalhes — afinal, não era o trabalho dele para revelar. Ainda assim, o jeito como falou deixou claro o que pensava.
24. Thundercat — Apocalypse (2013)
23. The Duck Hunters (Most Dope) — Duck Butter Vol. 1 (2013)
Único projeto do seu próprio selo na lista, Mac o descreveu como “uma das maiores coisas que já aconteceram à música”, com a modéstia e o humor de sempre quando o assunto era algo que realmente importava.
22. Lil B — Choices and Flowers (2012)
Mac fez questão de dizer que não era uma escolha irônica. O que o fascinava em Lil B era a ideia por trás do projeto: alguém decide fazer um álbum clássico e simplesmente vai lá e faz. “Ele está em um nível de compreensão do mundo ao redor dele que é outro”, disse, acrescentando que também queria fazer um álbum clássico algum dia.
21. King Krule — King Krule EP (2011)
Para Mac, King Krule era diferente de tudo o que ele já tinha ouvido. Não havia comparação possível. “Aquele cara é diferente de qualquer coisa que você já ouviu. É lindo”, disse. A EP era curta, mas o impacto era enorme.
20. Flying Lotus — Los Angeles (2008)
Mac admirava como Flying Lotus construía álbuns que soavam como uma única música longa e contínua, embora não fossem. “É como uma jornada”, disse. A coesão do disco claramente influenciou a forma como ele pensava os próprios projetos.
19. Radiohead — In Rainbows (2007)
Mac descreveu In Rainbows como um álbum que literalmente “existe”, algo vivo, que vai além da soma das faixas. Ele chegou a mandar uma mensagem para Flying Lotus perguntando por que o disco era tão impressionante. A resposta do produtor foi direta: “Porque parece que foi feito todo de uma vez só, numa única sessão”.
18. Kanye West — Graduation (2007)
Mac falava de Graduation como alguém que acompanhou Kanye West desde o início, e valorizava justamente isso: ter estado presente em cada lançamento, sentindo o impacto de cada disco no momento em que chegava. Para ele, essa continuidade de escuta criava um vínculo especial com o artista.
17. Lil Wayne — Da Drought 3 (2007)
Mac usou o espaço dedicado a esse disco para defender Lil Wayne das críticas que o rapper recebia na época. Segundo ele, quem criticava Wayne, na verdade, expressava saudade do melhor momento da carreira dele de um jeito torto. “O que elas realmente querem dizer é algo emocional, tipo: ‘Eu só sinto sua falta’”, analisou.
16. MF Doom — Mm.. Food (2004)
Mac era fascinado pela maneira como MF Doom articulava as palavras, a textura da voz sobre as batidas e a aparente descontração que escondia uma precisão absoluta. “Parece sem esforço, mas tudo é proposital”, disse. Ele também ressaltou a versatilidade do disco: dava para ouvi-lo em qualquer momento, em qualquer humor.
15. 50 Cent — Get Rich or Die Tryin’ (2003)
Mac descreveu o disco como “brilhante” e apontou “Many Men” como a faixa mais atemporal do álbum — capaz de funcionar em qualquer fase da vida, em qualquer estado de espírito. Para ele, era um dos discos de hip hop mais sólidos já feitos, sem ressalvas.
14. Modest Mouse — The Moon & Antarctica (2000)
O que mais impressionava Mac em Modest Mouse era a voz de Isaac Brock, que ele descrevia como completamente única, diferente de tudo o que já tinha ouvido. Ele citou especificamente “Gravity Rides Everything” como exemplo do que tornava o álbum especial.
13. OutKast — Aquemini (1998)
A reação de Mac ao mencionar Aquemini dispensou palavras: “foram gestos entusiasmados com as mãos”, segundo a revista, dizendo mais do que qualquer explicação verbal.
12. Elliott Smith — Either/Or (1997)
Mac descreveu Either/Or como a trilha sonora da sua adolescência melancólica, a música que ouvia quando estava triste e sozinho, apesar de ser uma criança aparentemente feliz. “As crianças mais felizes são as mais tristes quando estão sozinhas”, disse. Ele reconhecia o gênio de Elliott Smith, mas não escondia o peso que aquela música carregava.
11. Erykah Badu — Baduizm (1997)
Mac tinha uma imagem muito específica para esse disco: dirigir sozinho à noite por uma estrada vazia, às quatro da manhã, sem outros carros à vista, com o álbum como única companhia. Para ele, Baduizm capturava exatamente aquela solidão contemplativa de uma viagem longa, e não havia nada melhor para esse estado de espírito.
10. Fugees — The Score (1996)
Mac descreveu The Score a abertura de “Zealots”, como “o maior som do mundo”. Para ele, o fluxo do álbum e os timbres usados na produção eram fora do comum. “Quem não gosta de Lauryn Hill?”, resumiu.
9. Big L — Lifestylez ov da Poor & Dangerous (1995)
Foi esse disco que fez Mac Miller começar a rimar. Ele era tão apaixonado pelo universo de Big L que chegou a criar, aos quinze anos, uma persona de rapper de rua de Nova York, com letras sobre assaltos e guerra entre coasts, apesar de ser de Pittsburgh. “Eu costumava tentar ser como ele”, contou, rindo da própria fase.
8. D’Angelo — Brown Sugar (1995)
Mac descreveu a experiência de ouvir Brown Sugar como algo que “passa pelas suas veias” — e fez questão de notar o duplo sentido do título antes de rir de si mesmo. Para ele, o disco tinha o poder de um estado alterado de consciência, sem precisar de nada além da própria música.
7. Portishead — Dummy (1994)
Mac conta que descobriu Portishead por meio do produtor E-Dan e, rapidamente, o álbum virou uma obsessão. Ele se impressionou com a textura do som e com o fato de que a banda realmente sampleava material externo em Dummy, ao contrário do álbum seguinte, em que, segundo ele, passaram a samplear apenas a si mesmos. “Aquele som tem tanta textura”, disse.
6. Wu-Tang Clan — Enter the Wu-Tang: 36 Chambers (1993)
A reação ao Wu-Tang foi de pura reverência, temperada por humor. “Esse hip hop de verdaaaade”, disse Mac, alongando as vogais. Segundo ele, existia um padrão de excelência no rap que poucos conseguiam sustentar ao longo de dois discos.
5. A Tribe Called Quest — Midnight Marauders (1993)
A reação de Mac, muito parecida com a que teve com Enter the Wu-Tang: 36 Chambers, veio acompanhada de uma frase curta e direta, dita com ênfase máxima: “Para o hip hop de verdade!”. Para Mac, o disco condensava a essência do que o gênero podia ser — e ele não precisava de muitas palavras para explicar.
4. Bob Marley & The Wailers — Legend (1984)
Mac descreveu Bob Marley como um remédio para os momentos mais difíceis. Contou uma história de uma noite em Las Vegas em que o álbum literalmente salvou o humor de todo o grupo, às oito da manhã, com todo mundo dançando e cantando junto no quarto de hotel. “Bob Marley me deixa feliz”, resumiu.
3. Prince — Controversy (1981)
Prince era seu ídolo declarado, a pessoa que ele queria ser. A admiração chegou a tal ponto que, ao receber um convite para ver um show do artista, Mac chorou. Ele não conseguiu ir porque estava gravando um videoclipe, algo que claramente o incomodou. “Eu faria qualquer coisa para ter feito uma música com Prince”, disse.
2. The Beatles — Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967)
Mac tinha uma tatuagem de John Lennon no corpo e comparava perguntar como alguém virou fã dos Beatles a perguntar como alguém virou fã de sanduíches — simplesmente não faz sentido, porque eles sempre existiram. Ele se identificava com a trajetória da banda, especialmente com a fase mais experimental. “Sou um fã enorme dos Beatles desde que era criança”, disse.
1. Bob Dylan — The Freewheelin’ Bob Dylan (1963)
Mac foi a um show de Bob Dylan em Pittsburgh quando criança e se enfiou na multidão até chegar, sozinho, à primeira fila. “Eu realmente amo Bob Dylan. Meu irmão também é muito fã”, contou. O carinho pelo álbum passava pela capa, pela sonoridade e por uma conexão familiar que ele carregou pela vida toda.
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