Elton John mantém uma lista mental dos discos mais importantes da história da música — e, no topo, está um álbum que ele jamais deixa para trás. Em entrevista à Rolling Stone, resgatada pela Far Out Magazine, o pianista britânico afirmou ter encontrado aquilo que chama, simplesmente, de o melhor álbum já feito: uma obra que leva consigo em todas as viagens, não importa o destino. “Sempre fico em êxtase quando o ouço. Ele é tão multitalentoso que é difícil apontar o que o torna o maior de todos”, disse, sem esconder a reverência.
A admiração de Elton John pelo artista em questão vem de longa data. O pianista britânico acompanhou sua trajetória desde os anos 1960, quando, ainda adolescente, o músico já emplacava hits na Motown e impressionava pela habilidade como multi-instrumentista — talento que desenvolveu desde os oito anos de idade, mesmo sem enxergar. Descoberto por Ronnie White, do The Miracles, foi apresentado ao presidente da Motown, Berry Gordy Jr., que o renomeou e o contratou pela gravadora. Mas foi na década seguinte, já livre de obrigações contratuais, que alcançou um nível criativo que poucos músicos, de qualquer geração, conseguiram igualar.
O álbum que conquistou Elton John de forma definitiva é Songs in the Key of Life (1976), de Stevie Wonder. O disco duplo transita entre gêneros com uma naturalidade que parece impossível: da pegada jazzística de “Sir Duke”, uma celebração da música em si, ao pop intimista de “Isn’t She Lovely”, escrita para a filha recém-nascida de Wonder. “Onde quer que eu vá no mundo, sempre levo comigo uma cópia de Songs in the Key of Life. É o melhor álbum já feito”, declarou Elton.
Para ele, o impacto do disco vai além da admiração passiva. Em alguns de seus épicos instrumentais, como “Funeral For a Friend/Love Lies Bleeding”, é possível identificar o equilíbrio entre os sons clássicos que aprendeu na escola e a energia rítmica que sempre reconheceu como marca registrada de Wonder.
“Quando as pessoas, décadas e séculos à frente, falarem sobre a história da música, vão citar Louis Armstrong, Duke Ellington, Ray Charles e Stevie Wonder”, afirmou.
No dia 7 de setembro, o britânico sobe ao palco do Rock in Rio pela primeira vez após sua aposentadoria das turnês, em um show que ele mesmo descreveu como inevitável: “Sempre me diverti muito quando tocamos no Brasil. Quando o Rock in Rio me convidou para tocar, aceitei imediatamente”.
