Jason Eady acabou de lançar um disco cheio de músicas originais — mas não é um disco cheio do country tradicional de Jason Eady.
O cantor e compositor, nascido no Mississippi, mas radicado no Texas durante a maior parte da carreira, é muito respeitado pelo seu som country à moda antiga, misturando ritmos de honky-tonk e baladas acústicas com letras que miram direto no coração. Quando Eady gravou Tulsa Turnaround, porém, ele jogou tudo isso pela janela. O álbum de 11 faixas é a homenagem de Eady ao Tulsa Sound — uma cena que mistura folk, blues e rock e que surgiu na cidade de Tulsa, em Oklahoma, nos anos 1960, e que Eric Clapton abraçou e popularizou uma década depois.
“Eu não estou tentando dizer demais ou colocar significado demais nessas músicas”, diz Eady sobre Tulsa Turnaround. “Eu só quero deixar que elas existam, que soem bem e que a música conduza tudo. Neste disco, é tanto sobre a música quanto sobre qualquer outra coisa, o que é uma mudança pra mim. Normalmente eu sou um cara que coloca as letras em primeiro lugar”.
Eady escreveu 10 das músicas de Tulsa Turnaround e convidou o nativo de Oklahoma John Fullbright — que atualmente está em turnê com a Turnpike Troubadours tocando teclados — para produzir o projeto.
Na faixa-título, Eady cita ícones e locais de Tulsa como J.J. Cale, Leon Russell, a Gap Band e o Cain’s Ballroom sobre um riff de blues com vocais de apoio quase como um coral. Tudo desemboca no refrão: “I’m doin’ that Tulsa Turnaround/Lord have mercy, what a sound” (“Estou fazendo aquela virada de Tulsa/Senhor, tenha misericórdia, que som”). Escrita com Ray Wylie Hubbard, foi a primeira música que Eady gravou para o álbum.
Mas os fãs que talvez imaginem que o disco também deva incluir uma versão da antiga música “Tulsa Turnaround”, de Kenny Rogers and the First Edition, estarão enganados. Primeiro, como Eady observa, aquela “Tulsa Turnaround” na verdade fala sobre um xerife de Omaha, enquanto a dele coloca a segunda maior cidade de Oklahoma no centro.
“Nós tentamos colocar o máximo possível de referências diferentes a Tulsa”, diz Eady. “Tem sábado à noite no Cain’s, tem domingo de manhã no Church Studio, tem o Mercury Lounge e todos os músicos locais. Quando as pessoas pensam no Tulsa Sound, elas sempre esquecem que a Gap Band também era de Tulsa. Colocamos essa referência junto com Charlie Wilson, o cantor da banda”.
Eady, que completou 50 anos no ano passado, lança música desde 2005 e ganhou destaque no country com AM Country Heaven (2012) e Daylight/Dark (2014) — ambos chegaram ao Top 50 da parada de álbuns country da Billboard. Seus vocais cheios de twang lhe renderam um público fiel entre os fãs do country tradicional. Mas Eady sempre teve um carinho especial pelo Tulsa Sound desde que ouviu a coletânea em LP de Clapton de 1982, Timepieces (1982). Em particular, ele ficou marcado pelas versões que Clapton fez de J.J. Cale, pioneiro do Tulsa Sound.
“Isso meio que me fisgou”, diz Eady. “E me fez cavar mais fundo. Aí eu fui descobrindo e percebi que não era só um cara. Era um som inteiro saindo de Tulsa”.
Para gravar Tulsa Turnaround, Eady e Fullbright escolheram o Farmhouse Studios, na casa do falecido Steve Ripley — ele próprio ex-proprietário do Church Studio, que Russell havia aberto e transformado no centro do Tulsa Sound. Foi o ápice de um esforço de dois anos para Eady e Fullbright.
Depois do show de Eady em Tulsa, Fullbright o convidou para acompanhá-lo a uma jam session no porão de um bar próximo.
“Eram umas 11 da noite”, lembra Eady, “e a gente desceu lá e, cara, parecia que você tinha entrado em 1972. Em cada música ainda tinha aquele som, sabe? Está vivo e bem, e ainda está acontecendo. Naquele momento, eu pensei: ‘Eu preciso fazer isso. Eu preciso fazer parte disso’”.
Eady começou a mergulhar no Tulsa Sound e frequentemente trocava ideias com Fullbright. Ele tinha dúvidas sobre o que dizer ao produtor quando fosse gravar o álbum. Com o tempo, caiu a ficha de que ele poderia simplesmente pedir para o próprio Fullbright fazer isso.
“Estou muito animado para ver como as pessoas vão reagir”, diz Eady. “A capa do álbum somos eu, o John e a banda — e isso foi muito intencional. Eu penso nisso como sendo tanto um disco do John Fullbright quanto meu. É o disco da banda tanto quanto é meu. Não é ‘Todo mundo olhe para mim’, é mais ‘Olhe que coisa legal que a gente conseguiu fazer’. É uma sensação incrível”.
Josh Crutchmer é jornalista e autor, e seu próximo livro, Sonoran Sounds, tem lançamento previsto para março de 2027 pela Back Lounge Publishing.
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