Se você frequenta restaurantes de frutos do mar ou presta atenção nas prateleiras das boas adegas, já deve ter notado: chablis está em todo lugar. O branco da Borgonha — que por décadas era escolha de entendidos — tornou-se nos últimos anos um dos vinhos franceses mais comentados e mais vendidos do Brasil, senão o mais.
Os números dessa virada são surpreendentes: entre 2024 e 2025, as importações de chablis cresceram 56% em volume e 62% em valor, saltando de 2,9 para 4,7 milhões de dólares em apenas um ano segundo dados da Ideal BI Consulting.
Analistas já falam em efeito chablis — esse branco foi um dos principais responsáveis pelo salto de 10% na entrada de rótulos franceses no país, e a appellation representa hoje um quarto das garrafas vindas da França para o Brasil.
Chablis é uma região no extremo norte da Borgonha, a 186 quilômetros de Paris, onde se produz exclusivamente brancos da uva chardonnay — mas não qualquer chardonnay.
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A combinação de clima frio, solos calcários de 150 milhões de anos repletos de fósseis marinhos e a tradição de quase não usar carvalho resulta num branco radicalmente diferente do que o mercado estava acostumado.
Enquanto as versões do Novo Mundo chegavam amanteigadas, com baunilha e presença de madeira, o chablis original traz outra linguagem: limão, toranja, flores brancas e aquela sensação de pedra molhada frequentemente descrita como mineralidade.
Uma acidez que corta o paladar com precisão. É um vinho de terroir perceptível — você sente o lugar na taça. O Brasil sempre foi país de tintos, com mais de 70% das preferências voltadas a esse tipo de vinhos, mesmo num país tropical onde o frescor seria aliado natural.
Mas isso está mudando: a participação dos brancos importados subiu de 18% em 2021 para 24% em 2024, incremento de 12 milhões de garrafas por ano. Em alta nos restaurantes de frutos do mar de São Paulo e do Rio, a garrafa de branco, antes esquecida na adega, hoje virou protagonista.
Chablis tem quatro níveis, todos encontrados no Brasil: o petit chablis, mais leve e acessível; o chablis, mineral e expressivo; o chablis premier cru, proveniente de vinhedos como Montée de Tonnerre e Fourchaume; e o chablis grand cru, de sete vinhedos históricos capazes de produzir vinhos que envelhecem por décadas.
Produtores como Raveneau e Dauvissat são referências obrigatórias. O sucesso de Chablis não é obra do acaso. Num mercado acostumado a valorizar potência, ele mostra que elegância, frescor e precisão também conquistam consumidores.
Ropiteau Frères Petit Chablis 2022
Da tradicional Ropiteau Frères, casa borgonhesa de 1848, 100% chardonnay, com de quatro a cinco meses sobre as borras finas em inox. Cor palha com reflexos esverdeados. No nariz, cítricos e tangerina, flores brancas e um toque de pedra molhada. Paladar leve, com boa acidez e bom frescor, 12,5% de álcool. R$ 219,90, na Wine.
Antoine Janson Chablis 2024
AOC da casa Antoine Janson, 100% chardonnay, com seis meses apenas em inox. Cor amarelopalha claro. Aroma fresco, com notas de maçã verde, pera, pêssego e um floral de jasmim e flor de laranjeira, com uma nota de mineralidade. Paladar fresco, 12,5% de álcool, com final seco e levemente salino. R$ 419,90, na Evino.
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