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Não, Zac Brown, seu hino na UFC não foi ‘patriótico’ – Rolling Stone Brasil

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No último domingo, Zac Brown proferiu um dos refrões mais queridos da música country: Não é político, é patriótico.

Ele também cantou o hino nacional norte americano.

Brown cantou “The Star-Spangled Banner” nas lutas em gaiola realizadas no gramado sul da Casa Branca, em pé, honrosamente, sobre um logotipo da Monster Energy com o tema da bandeira americana, sob o brilho de uma enorme garra do UFC, vestindo um terno que lembrava levemente um detetive de desenho animado na festa de aniversário de Donald Trump. Se você quiser eternizar o evento, pode comprar a camiseta patriótica oficial (importada).
“Para mim, isso é patriotismo, não política”, disse Brown ao programa Pat McAfee Show em uma entrevista sobre sua participação na luta. “Quer dizer, que se dane toda essa divisão. Eu não acredito nisso. Eu amo este país. Amo todas as pessoas que se sacrificaram para que eu pudesse viver meu sonho americano.” Brown estava no programa para rebater algumas críticas que recebeu por ter aceitado participar do evento — uma noite que se desenrolou de uma forma extremamente politizada, quando o lutador peso-pesado Josh Hokit comemorou sua vitória gritando “Michelle Obama é um homem” para a plateia. Independentemente de você tentar se justificar alegando “patriotismo”, tudo o que Trump faz é inerentemente político. E, claro, tudo terminou com o vencedor proferindo uma declaração ridícula e antipatriótica sobre a única primeira-dama negra da história.
Para artistas country, essa é uma das estratégias mais antigas de tentar-manter-o-máximo-de-fãs-possível. Muitos antes de Brown já usaram o argumento de “Não é político, é patriótico” quando faziam exatamente o contrário: a música “Try That in a Small Town“, de Jason Aldean, com sua conotação racial; “Courtesy of the Red, White and Blue (The Angry American)“, de Toby Keith, com seu tom patriótico; e “Have You Forgotten“, de Darryl Worley. Músicos não são obrigados a fazer nada político como parte de sua profissão, e muitos apreciam quando os artistas não defendem pontos de vista partidários. Mas fazer algo que divide opiniões e tentar justificar com “patriotismo” é, para muitos, um passo longe demais.

“Estou envergonhado”, diz Michael Trotter Jr., da dupla War and Treaty, um veterano da guerra do Iraque que participou de combates reais. “Tenho muito orgulho de poder dizer que servi a este país e o servi bem. Portanto, estou envergonhado de que as pessoas se escondam atrás do termo ‘patriotismo’. Estou envergonhado de que homens adultos usem um evento esportivo para atacar uma ex-primeira-dama, que representou o próprio local do evento com classe, dignidade e beleza. Estou envergonhado de que meus colegas tenham participado disso. Mas a verdade é que não há nada de patriótico no que acabamos de ver.”

Para ser justo, Brown tem usado sua influência para direcionar recursos e apoio a famílias de militares e veteranos por meio de sua organização Camp Southern Ground. Por causa disso, o cantor de “Chicken Fried” provavelmente sabe onde termina o patriotismo e começa a política — e onde a festa machista de 80 anos de Trump se encaixa nessa escala.

Enquanto isso, Trotter está lançando uma organização chamada iVet Cares com sua esposa, Tanya, para apoiar veteranos, e diz que quer que mais artistas country parem de fingir e comecem a ouvir o que realmente significa ser patriota. “Acho que a maioria dos artistas pensa que basta doar dinheiro, mas é mais importante ouvir os veteranos, ouvir os soldados, marinheiros e fuzileiros navais, e realmente aprender o que eles precisam. E então fazer lobby, ir ao Congresso e se envolver”, diz ele. “Os artistas precisam parar de ser artistas e começar a ser humanos.”

O evento do UFC deveria demonstrar apoio aos veteranos, mas isso foi, no mínimo, questionável. Foi noticiado que os militares presentes foram submetidos a um “padrão de condicionamento físico” e obrigados a arcar com os custos de viagem, enquanto o evento, com fins lucrativos, atraiu uma multidão de bilionários da tecnologia e serviu de propaganda para anunciantes. No fim, como é de costume em tudo o que o governo Trump faz, a natureza divisiva de uma luta no octógono, na sede do governo, tornou impossível qualquer demonstração genuína de patriotismo.


Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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