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Em ‘Corrida dos Bichos’, Rodrigo Santoro vive vilão complexo e inspirado por Dostoiévski: ‘Alguém que trabalha com dubiedades’ – Rolling Stone Brasil

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Após ser destaque em O Último Azul (2025) e O Filho de Mil Homens (2025), Rodrigo Santoro lidera um elenco estelar em Corrida dos Bichos, que estreia nesta sexta-feira, 7 de agosto, no Prime Video.

Ambientado em um Rio de Janeiro distópico, o longa tira do papel o Jogo do Bicho, transformando-no em uma corrida, em que magnatas, chamados de Jogadores, controlam pessoas de classes baixas, os Bichos, em busca de reconhecimento, poder e, é claro, dinheiro.

Na novidade, criada por Ernesto Solis (O Último Animal), que também codirige o filme junto com Fernando Meirelles (Cidade de Deus) e Rodrigo Pesavento (Pico da Neblina), Santoro interpreta o cruel, mas carismático Abu, que lidera a corrida dos bichos, aliciando novos competidores, conectando-os aos seus jogadores e comandando o violento espetáculo.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o ator revela que a construção do personagem se deu em cima de sua principal referência: o moralmente questionável Fyodor Pavlovich Karamazov, do romance Os Irmãos Karamazov, de Fiódor Dostoiévski, dica do próprio autor da história.

“O Ernesto, que escreveu o roteiro, me disse logo no começo: ‘Esse personagem eu escrevi inspirado no Fyodor Pavlovich, relembra. “É um personagem bastante complexo mas, se fosse possível resumir, eu diria que é alguém que precisa trabalhar com dubiedades. Por exemplo, como ser repugnante e, ao mesmo tempo, cativante. Como ser passional e imoral, debochado, boêmio, corrupto.”

“[Abu] é uma figura patriarcal clássica, mas com uma série de nuances”, acrescenta. “São várias pequenas peças que compõem o processo de criação, mas como eu tinha essa referência muito forte, eu me voltei a Os Irmãos Karamazov como inspiração, sempre trabalhando na dubiedade. Como conseguir ser mais de uma coisa ao mesmo tempo.”

Santoro ainda diz que o seu personagem é uma representação em carne e osso de tudo o que forma a sociedade atualmente: “Ele é quase uma alegoria dos tempos que a gente vive, de espetacularização da cultura, da imagem, da aparência, de dominar a essência, de adorar, de amar ser adorado, idolatrado”, conclui.

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Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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