Ser o último longa a ser exibido na Mostra Competitiva Brasileira da 15ª edição do festival curitibano Olhar de Cinema, que aconteceu entre os dias 4 e 13 de junho, poderia ter sido desfavorável para o road movie cearense Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, mas acabou sendo o seu trunfo, como uma ótima sobremesa ao fim de um menu perfeito.
Após uma maratona composta por cerca de 80 produções, dentre novidades nacionais e internacionais, além de curtas-metragens e clássicos do cinema, o longa de estreia de Janaína Marques — que também passou pela última edição do Festival de Cinema de Berlim, o Berlinale — encantou o júri oficial do evento, em sua reta final, e foi eleito o Melhor Filme da edição de 2026, além de garantir a estatueta de Melhor Atuação para as suas protagonistas, Veronica Cavalcanti (Cinema, Aspirinas e Urubus) e Luciana Souza (Ó Paí, Ó).
Em Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, durante uma exame em uma máquina de ressonância magnética, Rosa (Veronica Cavalcanti), é orientada a pensar em uma memória feliz, para se distrair da claustrofobia. Ao tentar recuperar a tal lembrança, ela se vê em uma viagem com a mãe, Dalva (Luciana Souza), com quem cria recordações inexistentes.
Para Janaína, apesar de não ter feito o longa pensando em conquistar prêmios, a vitória é um reconhecimento do esforço colocado para tirar a obra, escrita por Xenia Rivery, Pablo Arellano, Pedro Cândido e Taís Monteiro, do papel:
“Isso é muito importante para mim, porque é um filme feito com baixo orçamento, durante a pandemia, numa época em que a gente enfrentou muitos obstáculos”, relembra à Rolling Stone Brasil. “[Também] é muito importante porque é uma história sobre duas mulheres, uma história sobre o feminino, sobre a vida, sobre como a gente pode se curar, sobre como muitas vezes parece que você não tem nada, mas você tem, dentro de você. Você tem um mundo e, com isso, fazer um foguete e chegar a qualquer lugar.”
Segundo a cineasta, Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha conta uma história sobre atingir uma liberdade pessoal, o que a levou a querer dirigi-lo: “Eu sinto que a Rosa tem uma trajetória que, para mim, é quase como se ela estivesse indo em direção à infância, que é o momento da vida em que a gente é mais livre, que não recebemos imposições, não nos importamos com julgamentos… É o momento em que somos completamente”, explica.
“O filme tem essa mensagem de que, para que você consiga chegar a essa liberdade, a primeira viagem que você tem que fazer é para dentro, chegando o mais longe possível”, acrescenta. “É uma história que é uma viagem por si só. Metafórica e fisicamente”.
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