A 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto traz na programação do festival deste ano cinco documentários que percorrem diferentes momentos da música brasileira, revisitando artistas, discos históricos e trajetórias que ajudaram a moldar a cultura do país.
As exibições começam neste sábado (28) com Apocalipse Segundo Baby e Vivo 76. No domingo (29), será a vez de Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, o Documentário e Universo Circular – Jocy de Oliveira. A programação musical se encerra na segunda-feira (30) com As Dores do Mundo – Hyldon. Conheça um pouco sobre cada um dos filmes a seguir:
1. Apocalipse Segundo Baby
A trajetória de Baby do Brasil é revisitada em um documentário em primeira pessoa que acompanha as diferentes fases da artista. Do período revolucionário com os Novos Baianos à carreira solo, o filme mostra como a cantora transitou entre o rock, a MPB, o pop e outros estilos, consolidando uma identidade marcada pela liberdade criativa e pela ousadia. O documentário também evidencia a versatilidade musical da artista e sua importância como um dos grandes símbolos da contracultura brasileira.
2. Vivo 76
O documentário mergulha na criação de Vivo!, terceiro álbum de Alceu Valença, lançado em 1976. A produção revisita o contexto cultural que deu origem ao disco, explorando o nascimento da cena psicodélica pernambucana, seus artistas, referências visuais e o início da projeção nacional do cantor. Mais do que um making of, o filme funciona como um retrato da efervescência artística dos anos 1970 sob um olhar contemporâneo.
3. Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, o Documentário
Construído a partir de imagens inéditas gravadas em 1995, o documentário acompanha os bastidores da criação de Da Lata, um dos álbuns mais importantes da carreira de Fernanda Abreu. As filmagens registram sessões de estúdio no Rio de Janeiro, a mixagem em Londres, gravações de videoclipes, ensaios fotográficos e trechos da turnê. Depoimentos atuais dos colaboradores ajudam a contextualizar a importância do disco para a música brasileira e para a identidade cultural do Rio de Janeiro nos anos 1990.
4. Universo Circular – Jocy de Oliveira
A compositora e pianista Jocy de Oliveira, pioneira da música eletrônica no Brasil, é o centro deste documentário que acompanha sua trajetória artística e intelectual. O filme destaca sua aproximação com nomes como John Cage, Karlheinz Stockhausen, Luciano Berio e Igor Stravinsky, além de mostrar como ela expandiu sua atuação para a ópera experimental e para pesquisas envolvendo a voz feminina. Aos 90 anos, a artista reflete sobre criação, memória e o passar do tempo.
5. As Dores do Mundo – Hyldon
O documentário homenageia os 50 anos de Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda, disco que transformou Hyldon em um dos grandes nomes do soul brasileiro. A produção percorre a infância do artista no interior da Bahia, sua chegada ao Rio de Janeiro e a construção de uma carreira marcada pela independência criativa. Parceiro de Cassiano e Tim Maia, Hyldon relembra histórias por trás de suas canções e reafirma sua posição como um dos principais compositores da música popular brasileira.
Confira a programação do 21º CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto:
MOSTRA COMPETITIVA CONTEMPORÂNEA
- Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas (Carlos Adriano, SP): ensaio cinepoético que parte do único registro filmado do escritor Marcel Proust para refletir sobre as possibilidades e impossibilidades de adaptação de sua obra monumental.
- Apopcalipse Segundo Baby (Rafael Saar, RJ): documentário que percorre a trajetória de Baby do Brasil desde os Novos Baianos até a carreira solo.
- Universo Circular – Jocy de Oliveira (Dácio Pinheiro, RJ) apresenta o percurso artístico da compositora e pioneira da música eletrônica no país, ainda em atividade aos 90 anos.
- Irritante Prodígio (Luiza Lindner, SP) investiga os limites entre autobiografia, performance e memória ao revisitar uma infância marcada por longos períodos de internação hospitalar e psiquiátrica.
- Notas sobre um Desterro (Gustavo Castro, DF) transforma imagens registradas por uma família brasileiro-palestina na Cisjordânia em uma reflexão sobre deslocamento, colonização e violência.
MOSTRA CONTEMPORÂNEA
Os longas e curtas-metragens em pré-estreia ampliam as discussões sobre memória e trauma, como acontece em Anistia 79 (Anita Leandro, RJ), que retoma imagens realizadas durante a Conferência Internacional pela Anistia, em Roma, em 1979, e revisita reflexões sobre os crimes da ditadura militar brasileira.
Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, o Documentário (Paulo Severo, RJ) recupera materiais inéditos das gravações do disco lançado em 1995 e reconstrói um período decisivo da música brasileira.
Outro artista representado nos filmes aparece em Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha (Luis Abramo e Pedro Rossi, RJ), dedicado ao realizador do clássico Viagem ao Fim do Mundo (1968) e ao seu projeto de um cinema poético e radical. As Dores do Mundo – Hyldon (Emilio Domingos e Felipe David Rodrigues, RJ) e Vivo 76 (Lírio Ferreira, PE) completam a seleção.
MOSTRA HISTÓRICA E HOMENAGEM
A seleção reúne obras representativas, como Feminino Plural (Vera de Figueiredo, RJ), lançado em 1976; Mar de Rosas (Ana Carolina, RJ, 1977); Que Bom Te Ver Viva (Lucia Murat, RJ, 1989), que articula depoimentos de ex-presas políticas e ficção para refletir sobre as marcas da ditadura; Um Céu de Estrelas (Tata Amaral, SP, 1996), drama de violência doméstica concentrado em uma única noite; e Um Dia com Jerusa (Viviane Ferreira, SP, 2020).
Confira a programação completa do 21º CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, que acontece entre os dias 25 e 30 de junho, clicando aqui.
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