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Academia do Mel revela sabores raros de abelhas nativas | Delícia de Conta

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Cerca de trinta pessoas se acomodam em mesas com queijos, frutas e pães dispostos, e a curiosidade voa no ar. A cena poderia remeter a uma degustação de vinhos, mas o protagonista ali é outro: o mel de abelhas nativas. Na chamada Academia do Mel, o objetivo é entregar uma imersão em biodiversidade, território e cultura.

Criada em 2022, ela nasceu como um espaço não só para promover provas, mas também difundir o conhecimento sobre os tipos do alimento viscoso e açucarado que existem pelo Brasil. À frente dos encontros estão os idealizadores do projeto, o casal Márcia e Eugênio Basile, também responsáveis pela Mbee, uma das maiores distribuidoras de mel nativo do país, com cerca de oitenta parcerias com pequenos produtores.

(Mbee/Divulgação)

As aulas acontecem, em média, duas vezes por mês no escritório da empresa em São Paulo e apresentam um universo que é pouco explorado. São mais de 300 espécies sem ferrão conhecidas — algumas, inclusive, ainda não foram catalogadas pela ciência. “Nosso objetivo é fomentar cada vez mais o consumo dos méis do Brasil”, afirma o engenheiro, que desde 2015 mergulhou no assunto. Márcia complementa com uma síntese que guia a experiência: “O mel tem o gosto do lugar que o produz”. A frase ganha sentido na prática.

(Mbee/Divulgação)
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Na experiência, os participantes percorrem uma diversidade de tipos vindos de outros estados, como o tubi, do Maranhão, que aparece em dois potes, um claro e outro escuro, coletados em locais distintos da mesma região, o que muda bastante no paladar as notas de cada um.

Durante a aula, os convidados aprendem que muitas abelhas nativas não apresentam ferrão e têm a chance de provar produtos com sabores surpreendentes, como o mel da uruçu-amarela, de alta acidez e notas alcoólicas, como se fosse um licor, e a emerina — de uma abelha ameaçada de extinção —, que impressiona por sua acidez intensa e as pequenas bolhas.

(Larissa Zapata/Veja SP)

“Somente a educação poderá colocar as abelhas nativas no seu devido lugar. Elas sempre existiram por aqui. Consumir o produto delas é a maneira de preservar essas espécies”, defende Eugênio.

Toda a proposta do projeto gira em torno de aproximar o público de um patrimônio brasileiro ainda considerado subestimado e, quem sabe, transformar a maneira como se enxerga (e se prova) o mel nacional.

Mbee. Avenida Queiroz Filho, 1700, bloco B38, Vila Hamburguesa. Próximas edições em 13/4 e 18/5. 

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Publicado em VEJA São Paulo de 27 de março de 2026, edição nº 2988.

ANDROID: https://abr.ai/comerebeber-android

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Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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