Desde que Ella Langley lançou “Choosin’ Texas” em 2025, ela vem quebrando recordes atrás de recordes. A cantora superou Taylor Swift ao conquistar o single country número 1 com maior permanência no topo, tornou-se a primeira artista feminina a liderar simultaneamente as paradas Hot 100, Hot Country Songs e Country Airplay da Billboard e levou para casa sete prêmios da ACM (Academy of Country Music Awards). Agora, ao retomar sua turnê como atração principal, a Dandelion Tour, neste fim de semana, Langley mostra que está mais interessada em ser a primeira, e não a última, ao levar uma série de artistas mulheres com ela para a estrada.
Langley recrutou mulheres para abrir todos os shows da turnê, escolhendo Gabriella Rose, Kaitlin Butts, Avery Anna, Laci Kaye Booth e Madeline Edwards para a excursão, que começou em maio e termina em agosto, apropriadamente, no estado do Texas. O mais notável, porém, é que, enquanto a música country costuma priorizar atrações de abertura consideradas menos arriscadas para grandes turnês — ou seja, artistas já bem-sucedidos nas rádios country —, Langley parece determinada a dar espaço a mulheres independentemente de seu desempenho nas emissoras. Algo que, como sabemos, está longe de acontecer em condições de igualdade. (Os artistas country Dylan Marlowe e Kameron Marlowe também participam de algumas datas selecionadas.)
“Ella é um exemplo do que significa alcançar o estrelato com elegância”, disse Butts à Rolling Stone, creditando à cantora uma mudança em sua vida depois que Langley publicou um vídeo no TikTok usando a música “You Ain’t Gotta Die (To Be Dead To Me)”, de Butts. “Ela me escalou para um papel em seu icônico videoclipe de ‘Choosin’ Texas’ e agora está me levando em turnê com ela. É isso que eu amo nela: uma vitória para Ella significa uma vitória para todas nós, mulheres da música country, porque ela é uma daquelas artistas que olham para trás para ajudar quem vem logo atrás.”
Tudo no universo de Langley parece girar em torno de homenagear aqueles que abriram portas para ela — e de encontrar maneiras de fazer o mesmo pelas próximas gerações. Dandelion foi coproduzido por Miranda Lambert, que também coescreveu “Choosin’ Texas”. Foi Lambert (ao lado de Carrie Underwood) quem começou a romper o padrão de “equilibrar” uma atração principal feminina com artistas homens: suas turnês Roadside Bars & Pink Guitars, em 2019, levaram nomes como Maren Morris, Ashley McBryde, Elle King, Tenille Townes e Caylee Hammack para a estrada. Morris seguiu pelo mesmo caminho, recrutando Cassadee Pope, RaeLynn, Kassi Ashton, Hailey Whitters e Townes para sua GIRL World Tour. Quando as rádios country resistem a mudanças — e, apesar do sucesso de Langley, ainda tocam músicas de mulheres, na melhor das hipóteses, cerca de uma vez por hora — essas vagas em turnês podem fazer toda a diferença para tornar o cenário mais equilibrado.
“A força necessária para ser uma mulher no topo desta indústria é quase inimaginável”, afirma Booth. “E a generosidade necessária para olhar para trás e estender a mão para outras mulheres ao longo do caminho é algo extraordinário.”
Edwards, que lançou um dos melhores álbuns country de 2025 segundo a Rolling Stone e será uma das atrações de abertura da Dandelion Tour em 16 de julho, conheceu Langley durante um festival de composição em Maui há alguns anos, em um dos períodos mais vulneráveis de sua vida. Enquanto lidava com o agravamento dos problemas de saúde mental de seu irmão, ela se abriu com Langley.
Levar mais mulheres para a estrada é ainda mais importante em um verão em que, segundo dados da organização Book More Women, elas seguem sub-representadas nos principais festivais de country e americana. O festival Tortuga Music Festival tem apenas 12,7% de participação feminina, uma queda em relação aos anos anteriores; enquanto Under the Big Sky Festival, Railbird Music Festival, Tailgates N’ Tallboys e Stagecoach Festival apresentam índices inferiores a 15%.
Edwards elogia Langley não apenas por levar mais mulheres em turnê, mas por escolher artistas que “realmente têm algo a dizer”.
“Ela não é uma ‘girl’s girl’ apenas pela estética disso. Está criando uma experiência completa, do início ao fim, que inspira seu público a sentir algo de verdade”, afirma. “Quem é autêntico reconhece a autenticidade dos outros.”
