À primeira vista, o universo folk e poético de Bob Dylan e o rock alternativo do Foo Fighters podem parecer habitar ambientes opostos do espectro musical. No entanto, o lendário cantor e compositor já provou mais de uma vez que seus gostos são surpreendentes. Entre as canções que conseguiram fisgar o ouvido atento do Nobel de Literatura, destaca-se um clássico lançado em 1997 por Dave Grohl e companhia.
A revelação desse apreço inusitado foi compartilhada pelo próprio líder do Foo Fighters em uma entrevista à revista Uncut (via Far Out Magazine). O encontro que originou a história aconteceu em 2008, quando o grupo foi convidado para abrir uma série de shows da turnê de Dylan.
Ao relembrar o caso, Grohl conta que a oportunidade de excursionar com um dos maiores artistas de todos os tempos rapidamente se transformou em um misto de honra e ansiedade. Convocado para os bastidores para conhecer o headliner, o ex-baterista do Nirvana admitiu que a experiência foi, de certa forma, intimidante. Ele relembra, inicialmente:
“Tudo o que eu conseguia ver era a silhueta dele: ele usava um moletom preto com capuz, jaqueta de couro preta, calça jeans preta e botas pretas. Estava encostado na parede com os braços cruzados.”
Após agradecer à banda por se juntar à turnê, Dylan surpreendeu ao cantar o trecho de uma letra do Foo Fighters e perguntar a Dave Grohl, que recorda:
“Aí ele disse: ‘Cara, qual é aquela música que vocês têm? Que diz: ‘The only thing I’ll ever ask of you is to promise not to stop when I say when’ (‘A única coisa que eu vou te pedir é que você prometa não parar quando eu disser quando’, em português).”
Grohl, incrédulo, respondeu que se tratava de “Everlong”, uma das faixas do segundo álbum da banda, The Colour and the Shape (1997). A reação de Bob Dylan, segundo o líder do Foo Fighters, foi:
“Essa é uma ótima música, cara. Eu deveria gravá-la.”
Dave Grohl e Bob Dylan
Para Grohl, além de aliviar o nervosismo inicial, o elogio serviu como uma validação externa definitiva de seu trabalho como compositor. Ele arremata:
“Honestamente, foi uma das experiências mais incríveis de toda a minha vida. Foi assustador pra caramba – mas ele foi extremamente gentil.”
