Três anos depois de mostrar que adaptações de videogame podem dar certo quando tratadas com respeito ao material original, a Nintendo volta aos cinemas com Super Mario Galaxy: O Filme (2026), uma sequência que troca cautela por ambição. Se o primeiro longa estabeleceu bases sólidas, este segundo capítulo tenta erguer tudo de uma vez: novos personagens, novas galáxias, novos power-ups, um cruzamento com Star Fox (1993) e até referências a Matrix (1999), Star Wars (1977) e a outros filmes de super-heróis. E, na maior parte do tempo, funciona. O resultado é um espetáculo visual impressionante, com ação do primeiro ao último minuto. Para quem quer uma aventura espacial cheia de referências e ritmo acelerado, é um prato cheio. O problema é que esse fôlego vertiginoso, por mais eficaz que seja, às vezes atropela cenas que mereciam um pouco mais de espaço para respirar.
Na trama, Bowser Jr. sequestra Rosalina (a Mãe das Estrelas), e Mario, Luigi, Toad e Peach partem numa missão de resgate que os leva por diferentes galáxias. No caminho, encontram Yoshi, que se junta ao grupo, e, mais adiante, cruzam com Fox McCloud, de Star Fox (1993), em uma participação que surpreende por se encaixar de forma orgânica. Bowser, miniaturizado como punição pelos eventos do primeiro filme, acaba arrastado junto com os heróis, criando uma dinâmica inusitada — especialmente com Luigi.
Com transições rápidas entre cenários e um personagem novo surgindo a cada dez minutos, o filme funciona. É um estímulo visual e sonoro sem trégua, que mantém a atenção presa à tela. Já quem busca uma narrativa mais elaborada ainda se diverte, embora possa sentir falta de algumas pausas estratégicas.
Visualmente, Super Mario Galaxy: O Filme (2026) é deslumbrante. A Illumination elevou o nível técnico em relação ao primeiro longa, e o resultado salta aos olhos. As sequências com Bowser Jr. usando seu pincel mágico (referência direta a Super Mario Sunshine) têm textura e fluidez impressionantes: cada pincelada cria elementos em cena com um detalhamento quase tátil. Os fantoches do Bowser — um momento que mistura comédia e ação — são o destaque absoluto da direção de arte, mostrando que a produção não tem medo de experimentar texturas. As galáxias são variadas, e cada uma carrega identidade visual própria: há planeta aquático, planeta desértico e planeta de gelo, todos com paletas de cores distintas e arquitetura singular.
A animação captura até detalhes como a gravidade afetando o movimento dos personagens. É um filme feito para a tela grande, e a Illumination entrega exatamente isso. A trilha sonora também merece destaque: os temas clássicos de Koji Kondo surgem em arranjos orquestrados, eletrônicos e até em 8-bits, sempre bem encaixados no momento.
A velocidade é parte da proposta, mas alguns trechos específicos pedem mais tempo. Yoshi, por exemplo, é apresentado de forma rápida até demais. Na primeira cena, os protagonistas o conhecem e na seguinte, o dinossauro já está integrado ao grupo. Isso não prejudica o personagem, que funciona bem, é carismático e tem personalidade própria —, mas teria sido interessante ver a confiança se construir de forma mais gradual. O mesmo vale para Bowser: as mudanças de postura fazem sentido narrativamente (afinal, trata-se de um pai orgulhoso de Bowser Jr.), mas acontecem em saltos muito rápidos. Ele vai de furioso com Mario a aliado relutante, depois a quase amigo, até a chegada do filho reconfigurar tudo. Não é um problema estrutural grave, e sim a sensação de que algumas cenas precisavam de 30 segundos a mais para que as transições respirassem. O filme escolhe a velocidade como estratégia, com ganhos e perdas.
A Nintendo dá sinais de estar testando o terreno para um universo compartilhado entre suas franquias, e mostra que isso pode funcionar quando feito com cuidado.
Personagens como Rosalina, Peach e Luigi também têm seus momentos, especialmente quando o roteiro investe em laços familiares e amizade, escolhas que elevam o filme.
Super Mario Galaxy: O Filme é diversão garantida e entrega exatamente o que promete: aventura espacial com ação, humor, agrado aos fãs e um espetáculo visual de primeira — mesmo que o primeiro ainda seja mais completo. A animação é belíssima, a trilha sonora é impecável, as referências são generosas sem se tornarem excessivas, e o ritmo garante que ninguém saia do cinema entediado. Funciona para crianças, funciona para fãs antigos da Nintendo e funciona até para quem só quer desligar a mente e se divertir por duas horas.
