O vocalista do System of a Down, Serj Tankian, criticou o governo de Israel após o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sinalizar o reconhecimento do genocídio armênio de 1915.
Em uma declaração em vídeo publicada no canal Vocal Politics (via Metal Hammer), o músico e ativista acusou as autoridades israelenses de hipocrisia e de utilizarem o sofrimento histórico de seu povo como moeda de troca política.
A reação de Tankian ocorre dias após o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, afirmar que o país estava cumprindo um “dever moral ao reconhecer a verdade histórica”.
No entanto, o músico questionou o momento escolhido para a medida. Durante décadas, Israel evitou formalizar o reconhecimento do massacre de 1,5 milhão de armênios promovido pelo Império Otomano para preservar suas relações diplomáticas, comerciais e de inteligência com a Turquia.
Serj Tankian, inicialmente, contextualizou no vídeo:
“Por muitos anos, o governo de Israel usou o AIPAC (Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel) para fazer lobby junto ao Congresso dos Estados Unidos para que não reconhecessem o Genocídio Armênio — para impedir que o Congresso reconhecesse o genocídio armênio — devido à sua relação com a Turquia, ao compartilhamento de inteligência com a Turquia, e assim por diante. Hoje, o gabinete de Netanyahu decidiu reconhecer o genocídio armênio de 1915: um genocídio que levou Hitler a pensar que poderia fazer o que fez com os judeus nas décadas de 1930 e 1940.”
Em seguida, o vocalista do System of a Down criticou:
“O fato de que este governo, que já está cometendo um genocídio em Gaza e no Líbano, decidiu reconhecer o genocídio dos meus avós é a pior merda que eles poderiam ter feito aos armênios — usando nossa história, nosso genocídio e nossa dor para obter vantagem política. “Vão se f*der”.
System of a Down e a memória do genocídio armênio
O compromisso de Serj Tankian e dos demais integrantes do System of a Down com a memória do genocídio armênio não é recente e moldou a própria identidade da banda, cujos membros são todos netos ou filhos de sobreviventes. Músicas clássicas do grupo, como “P.L.U.C.K.”, já denunciavam abertamente o massacre no final dos anos 1990.
Em 2015, quando o genocídio armênio completou 100 anos, a banda organizou a turnê Wake Up the Souls Tour, que culminou no primeiro show do System of a Down na Armênia. Na ocasião, em entrevista à Rolling Stone EUA, Tankian compartilhou as memórias de seus próprios avós, que eram crianças pequenas quando enfrentaram as marchas da morte em direção ao deserto da Síria e perderam quase toda a família nos massacres otomanos.
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