A Casa Imperial do Brasil vive uma crise. O motivo da instabilidade é o casamento de Dom Rafael Orleans e Bragança com a aristocrata italiana Margherita delle Piane. Chefe do Ramo das Vassouras — designação dada aos descendentes de Luís de Orleans e Bragança, segundo filho da princesa Isabel (1846-1921) —, o príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança comunicou que não concederá autorização para o parente selar a união matrimonial.
O anúncio de Bertrand ocorreu durante o 36º Encontro Monárquico Nacional, realizado no sábado (11/7), em São Paulo. O veredito foi lido pelo chefe do Ramo das Vassouras em um carta aberta dirigida ao sobrinho Dom Rafael, atual príncipe imperial do Brasil.
Integrantes da família imperial e apoiadores da causa monárquica acompanharam a leitura do documento.

No texto, Dom Bertrand frisou que se o enlace, previsto para ocorrer em Florença, na Itália, em 28 de novembro se concretizar, Dom Rafael perderá automaticamente os direitos reais sem precisar renunciar formalmente.
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do Metrópoles
“Mesmo sem a formalização documental prévia, a realização de um casamento não dinástico seu significará a renúncia efetiva aos seus direitos dinásticos, os quais passarão imediatamente para sua irmã, Dona Maria Gabriela”, enfatizou o príncipe.
Se Dom Rafael e Margherita delle Piane selarem a união matrimonial, a irmã do noivo, Dona Maria Gabriela de Orleans e Bragança, será declarada princesa imperial do Brasil pelas normas defendidas no Ramo das Vassouras.

O ultimato do líder da Casa Imperial ocorre dois meses depois de Dom Rafael revelar ter pedido a italiana em casamento. Em entrevista à revista francesa Point de Vue, ele compartilhou estar apaixonado por Margherita. No bate-papo, o sobrinho do príncipe Dom Bertrand pontuou que a futura esposa compartilha dos mesmos princípios e valores seguidos por sua família.
O casamento entre os dois não é aceito por alguns membros da Casa Imperial devido Margherita delle Piane não dispor de título nobiliárquico suficiente nem fazer parte de uma casa real reinante. Ela pertence a uma antiga linhagem patrícia de Gênova com registros desde o século 12.

Uma norma do Ramo das Vassouras exige que integrantes da família real brasileira só se casem com membros de casas reais ou reinantes, o que não é o caso de Dom Rafael com Margherita. Esse não é primeiro caso de que um matrimônio abalou as estruturas da realeza. Em 1908, Dom Pedro de Alcântara renunciou ao posto para trocar as alianças com a condessa Elisabeth Dobrzensky.
Outra vertente, o Ramo de Petrópolis contestou a decisão de Dom Bertrand. A corrente, que reconhece Dom Pedro de Orleans de Bragança como chefe da Casa Imperial do Brasil, destacou que a Constituição Imperial de 1824 não determina que os direitos sucessórios dependam da autorização do líder da família real ou da origem nobiliárquica do cônjuge.
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Fonte original: Metropoles.com
