Na minha última coluna comentei sobre uma nova categoria de investidores que passou a ter uma maior atenção do mundo, os Everyday Millionaires e a grande oportunidade gerada para a organização patrimonial e sucessória desse grupo.
Na coluna de hoje, quero apresentar onde o Brasil se encaixa nesse cenário, afinal, nos interessa entender quem são, onde estão e de que se alimentam (pedindo toda e qualquer licença para parafrasear um famoso programa da TV brasileira).
Então, vamos la.
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Recapitulando, os Everyday Millionaires (EMILLIs) são pessoas com patrimônio entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões. Desde o início dos anos 2000, o número desses indivíduos quadruplicou e hoje já soma 52 milhões no mundo, responsáveis por mais de US$ 107 trilhões em riqueza, segundo o UBS Global Wealth Report 2025.
O avanço dos novos milionários brasileiros
O Brasil tem um papel cada vez mais relevante nesse cenário. Estima-se que cerca de 433 mil brasileiros já possuam patrimônio superior a US$ 1 milhão, o que coloca o país em 19º lugar no ranking global e como o maior polo de milionários da América Latina.

Mais do que os números, o que chama atenção é o perfil desses indivíduos: ao contrário de dinastias tradicionais de riqueza, os EMILLIs surgem, em grande parte, de trajetórias profissionais e empresariais construídas ao longo dos anos — uma mudança de perfil também observada em análises internacionais sobre o crescimento desse grupo.
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São empresários, profissionais liberais e executivos que construíram seu patrimônio na última década, muitas vezes sem um planejamento financeiro estruturado.
A geografia da riqueza no Brasil
Mas onde eles estão? A geografia da riqueza no Brasil aponta para uma forte concentração em São Paulo, sobretudo em regiões como Jardins, Itaim e Vila Nova Conceição, além do interior, com polos pujantes como Campinas e Ribeirão Preto.
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O Rio de Janeiro segue relevante com a Zona Sul e a Barra da Tijuca, enquanto o Sul do Brasil ganha espaço com cidades como Curitiba, Porto Alegre, Balneário Camboriú e Florianópolis.
O Centro-Oeste também se destaca, impulsionado pelo agronegócio, especialmente em estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Além dos bairros nobres: a presença digital dos EMILLIs
No entanto, os EMILLIs não estão apenas nos bairros nobres.
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Eles também habitam o espaço digital, conectando-se em redes como LinkedIn e Instagram, participando de clubes de investimento e associações empresariais como GV Angels, LIDE e Endeavor, e frequentando fóruns e eventos que misturam negócios, inovação e lifestyle.
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O desafio de preservar o patrimônio construído
Para o private banking e o wealth planning, compreender esse mapa é essencial. Trata-se de um público que não se reconhece como “super-rico”, mas que tem desafios de riqueza complexos: sucessão, proteção patrimonial, governança familiar e eficiência tributária.
E o momento é estratégico. Estamos diante da maior transferência de riqueza da história, com quase US$ 9 trilhões previstos para mudar de mãos no Brasil nas próximas duas décadas. Atender bem um EMILLI hoje significa, na prática, atender a duas ou três gerações amanhã.
Em outras palavras, a grande oportunidade está em ir além do investimento. Performance de portfólio é importante, mas insuficiente.
O que os EMILLIs brasileiros precisam é de estrutura: sistemas de decisão, governança e planejamento sucessório capazes de preservar e perpetuar aquilo que construíram.
É nesse ponto que private banking e wealth planning se encontram — e é aí que está o verdadeiro espaço de diferenciação para quem deseja atender esse público de forma estratégica.
