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o que você pode aprender com a expansão da Smoov

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Imagine a cena: o despertador toca, você começa a correr contra o tempo e a decisão do café da manhã se torna um cabo de guerra entre o que o seu corpo precisa e o que o seu paladar deseja.

De um lado, a praticidade sedutora e indulgente daquela rede de fast-food no caminho do seu trabalho. Do outro, a promessa saudável – muitas vezes desprazerosa – de um suplemento preparado às pressas na coqueteleira.

Foi exatamente nas entrelinhas desse conflito diário que nasceu um dos fenômenos mais impressionantes do varejo recente.

A Smoov não surgiu de um lampejo de sorte. Ela é o resultado de 18 anos de amizade entre Leonardo Quintão e Vinícius Mastiguim.

Durante quase duas décadas, os dois cultivaram o hábito de provocar um ao outro com a ideia de construírem um negócio juntos.

A provocação finalmente tomou forma no papel em meados de 2022, quando começaram a desenhar a marca. O objetivo não era apenas vender bebidas, mas envelopar um estilo de vida que as pessoas tivessem orgulho de carregar nas mãos.

Em 2023, o projeto ganhou o mundo físico com a inauguração da primeira loja.

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O que parecia uma aposta ousada em um mercado competitivo rapidamente se revelou uma leitura precisa do comportamento do consumidor contemporâneo.

A marca oferecia exatamente o que a vida moderna exigia: sabor de indulgência com atestado de saudabilidade.

Mas, para transformar um produto inovador em uma operação de escala global, os fundadores sabiam que iriam precisar de nomes de peso na mesa de decisões.

A estrutura societária da Smoov foi, então, reforçada com conselheiros estratégicos.

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A entrada do jogador de futebol Alexandre Pato e de Georgios Frangulis, cofundador da Oakberry, trouxe um atalho de experiência inestimável para acelerar a internacionalização de forma segura.

Com a fundação sólida, a marca partiu para a construção do seu ecossistema de influência. A Smoov entendeu cedo que, na nova economia, a atenção é a moeda mais valiosa do mercado.

A marca passou a investir em parcerias e ativações conjuntas com marcas internacionais e influenciadores.

Um dos grandes acertos dessa estratégia foi a aproximação com personalidades que já respiram empreendedorismo e universo fitness, como Manu Cit e Lara Akel.

Hoje, os números da Smoov parecem desafiar a gravidade do varejo.

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O que começou como uma conversa entre dois amigos transformou-se em uma rede com 140 lojas no Brasil, 6 em Portugal, 2 na Inglaterra e 3 no Chile. Uma expansão relâmpago, consolidada em menos de quatro anos.

Mas o que, afinal, sustenta esse crescimento?

1) Timing: a arte de surfar a onda antes que ela quebre

O lendário investidor serial Bill Gross conduziu um estudo avaliando centenas de startups para descobrir qual era o fator supremo que separava os unicórnios dos fracassos (que você pode assistir no TED dele clicando aqui).

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A resposta não foi a equipe brilhante, nem o modelo de negócios revolucionário, nem os cofres cheios.

O fator mais determinante foi o timing. Chegar cedo demais exige educar um mercado que ainda não está pronto; Chegar tarde é lutar pelas sobras. A Smoov dominou a arte de chegar na hora exata.

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A marca leu com perfeição a onda crescente dos alimentos proteicos e saudáveis.

O consumidor já havia despertado para a importância do bem-estar, mas o mercado ainda oferecia soluções extremistas: ou você abria mão da saúde pelo sabor, ou abria mão do prazer pela dieta.

O brasileiro é apaixonado por sorvete.

Contudo, quem consegue tomar um copo de milk shake de uma rede de fast-food tradicional diariamente sem ser consumido pela culpa? Na outra ponta, quantas pessoas, na correria do dia a dia, abandonam a dieta do whey protein por pura falta de conveniência?

A Smoov encontrou aí a sua “fenda” perfeita. Ao unir o consumo livre de culpa à praticidade de um hábito que as pessoas já queriam adotar, a empresa não precisou forçar uma demanda.

O timing foi impecável.

2) Marketing: a economia do pertencimento e o “olhar de dono”

No imaginário popular, uma marca que escala para mais de 150 lojas em quatro países deve ter injetado milhões de reais em publicidade.

A realidade da Smoov subverte essa lógica: os sócios afirmam que o investimento em marketing direto —como mídia programática, outdoors de rua, cachês milionários ou eventos de ativações — foi praticamente nulo.

Como isso é possível? Através da arquitetura do pertencimento. A Smoov não comprou audiência; ela aprendeu a cultivar uma comunidade crescente.

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E o grande segredo para o êxito dessa estratégia foi o “olhar de dono”.

Até o final de 2025, era o próprio cofundador, Leonardo Quintão, quem operava as redes sociais da empresa, respondendo clientes e estreitando laços diretos com a teia de parceiros e influenciadores.

Ao não terceirizar o pulso da marca, Leonardo injetou uma alma humana na comunicação.

Os consumidores não se sentiam comprando de uma corporação fria, mas fazendo parte de um movimento autêntico e movido por uma mídia espontânea.

O copo da Smoov transformou-se em um troféu publicamente ostentado pelos clientes, por meio de postagens orgânicas na saída da academia.

Com o tempo e o aumento da capilaridade, as próprias lojas físicas, estrategicamente posicionadas no trajeto do público-alvo, tornaram-se os mais valiosos outdoors da companhia.

3) Produto: marketing atrai, mas é a qualidade que retém

Existe uma máxima implacável no varejo: o melhor marketing do mundo não salva um produto ruim; ele apenas acelera a sua morte, pois faz com que mais pessoas descubram rapidamente que ele não presta.

A Smoov economizou na captação de clientes, mas não na formulação.

O objetivo não era fazer um shake meramente “bebível”, mas criar uma experiência gustativa que desafiasse a lógica nutricional.

Era preciso entregar a textura, a cremosidade e o sabor reconfortante de uma sobremesa gordurosa, mas com a tabela nutricional equilibrada de uma refeição saudável.

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Essa obsessão pelo produto final é o verdadeiro motor de retenção da rede.

Quantas vezes você já preparou um whey protein em casa que ficou cheio de grumos ou com um gosto residual metálico e artificial? A Smoov aniquilou esse atrito.

Quando o saudável deixa de ter gosto de sacrifício e passa a ser ansiado pelo paladar, o consumo deixa de ser um esforço esporádico e vira um ritual.

É essa recompra garantida pelo desejo do cliente que sustenta a viabilidade financeira de cada nova loja.

4) Consistência: o laboratório que antecede a fábrica

A pressa é, frequentemente, o algoz de ideias brilhantes. Muitos empreendedores, inebriados pelo sucesso da primeira loja, correm para vender franquias sem antes testar o modelo a fundo.

Antes de abraçar a tese de expansão, a Smoov fez questão de abrir e operar dez lojas próprias.

Não foi preciosismo, mas um laboratório deliberado e rigoroso. Era preciso estressar a operação e validar as crenças do papel.

Imagine o desafio estrutural: alinhar a ergonomia do layout, criar uma padronização inquebrável de atendimento, ajustar a engenharia do cardápio e testar a elasticidade do preço de venda em diferentes pontos.

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Se a marca repassasse esses dilemas iniciais para terceiros, correria o risco de escalar o caos.

Ao absorver a curva de aprendizado nessas dez unidades, os sócios construíram processos mais lógicos e menos suscetíveis a falhas.

Quando o modelo se provou verdadeiramente lucrativo e operável, a transição para o franchising foi um movimento fluido, vendendo muito mais previsibilidade do que apenas promessa.

5) Comercial: a bagagem que transforma contatos em contratos

Um negócio bem estruturado ganha velocidade quando encontra a capacidade comercial certa para vendê-lo. Antes de criar a Smoov, Leonardo Quintão atuou como corretor da Prudential. 

Vender seguros de vida é, indiscutivelmente, uma das negociações mais complexas e abstratas que existem. Exige empatia, inteligência emocional e uma capacidade ímpar de tangibilizar promessas de longo prazo para as pessoas.

Essa bagagem empírica lhe deu um doutorado prático em como ler as entrelinhas e quebrar objeções com naturalidade.

Mais do que persuasão, essa jornada prévia resultou em um networking denso: uma base consistente de contatos qualificados, compostos por pessoas com capital e perfil ideal para investir.

Assim que o modelo da Smoov se mostrou redondo, a captação de franqueados encontrou um terreno altamente fértil.

A marca não precisou implorar por investidores frios na internet; ela apenas colheu relacionamentos de confiança regados ao longo de anos com uma proposta de valor agora irrecusável.

A moral da história: amarre bem as pontas

A trajetória meteórica da Smoov é um lembrete contra a cultura do atalho corporativo.

Ela nos ensina que, se você planeja criar uma empresa desenhada para escalar (principalmente em um modelo de franquias), o trabalho silencioso de fundamentação e testes será sempre o seu maior ativo.

Não tente convencer o seu primeiro franqueado a comprar um sonho antes de você mesmo suar a camisa para transformá-lo em uma operação lucrativa.

A marca impressionante de 150 unidades em menos de quatro anos não pode ser tratada como acaso. Ela é o resultado de quem criou 10 lojas próprias e aprendeu a amarrar bem as pontas.


Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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