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O que é post-rock? Conheça origens e bandas

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Menos de 15 anos após a explosão inicial do rock na música popular, já havia artistas tentando explorar o que poderia ser feito além. Como esperado, as fronteiras foram expandidas ao longo das décadas. No entanto, neste período inicial, as canções sempre pareciam conter, em seu núcleo, algo reconhecível da origem. Isso mudou entre o fim dos anos 1980 e o início da década de 1990, com o post-rock.

Uma nova geração de bandas começou a apresentar ao mundo o que era possível fazer com instrumentação tradicional além daquilo conhecido. O resultado foi descrito, enfim, como algo além.

Características do post-rock

  • Instrumentação tradicional de rock aplicada a contextos diferentes;
  • Ênfase em atmosfera, timbre e texturas;
  • Músicas em maior parte instrumentais;
  • Uso de samples de discursos, poemas ou até mesmo passagens de spoken-word (faladas);
  • Se há vocais cantados, são difíceis ou propositalmente impossíveis de entender, pois trata-se apenas de vocalização;
  • Ausência total de estruturas musicais pop;
  • Canções capazes de alternar entre minimalismo e maximalismo nos arranjos.

História

O uso mais antigo que se tem notícia do termo post-rock ocorreu em setembro de 1967, numa matéria de capa da revista Time sobre os Beatles. A banda britânica estava no meio de um período criativo na qual revolucionou técnicas de produção, introduzindo técnicas de musique concrète – movimento avant-garde de composição a partir de edição sonora – ao léxico da música pop.

Apesar disso, era apenas uma expressão entre muitas outras para tentar descrever inovações feitas ao longo das décadas no gênero. O primeiro uso de post-rock como um significante de gênero ocorreu em 1994, quando o jornalista inglês Simon Reynolds aplicou a caracterização ao álbum Hex, do grupo Bark Psychosis, em texto para a revista Mojo.

Reynolds viria a tentar desenvolver mais a sua ideia, descrevendo post-rock como o uso de instrumentação normalmente associada ao rock para fins diferentes. Esse rótulo se aplicava a certos artistas que ajudaram a criar, desde os anos 1980, um ambiente em que tal ideia pareceria distinta das demais inovações do gênero.

Do outro lado do Atlântico, Slint era um quarteto de Louisville, no estado de Kentucky, cujos integrantes cresceram entre bandas punk e aos poucos desenvolveram um som completamente diferente de tudo. Os ritmos eram quebrados. Havia uma preocupação em soar angular e nada como o lugar comum do rock. O segundo álbum de estúdio do grupo, Spiderland (1991), é reconhecido hoje como pedra fundamental do gênero.

Entretanto, o post-rock ainda assim não é um monolito estético. Artistas de Chicago que caíram sob a alcunha, como Tortoise e The Sea and Cake, tinham uma abordagem mais baseada no jazz e improvisação. O Radiohead foi descrito por alguns como expoente do estilo, mesmo sendo mais associado ao rock alternativo.

Outro aspecto que junta todas essas bandas é a rejeição completa do termo post-rock para descrever o som de si e de seus contemporâneos. Acham redutivo. Infelizmente para eles, pegou não apenas como rótulo, mas como estética.

Post-rock se tornou sinônimo de rock instrumental com qualidades vagamente animadoras, usada em trilhas sonoras de filmes, séries de TV ou comerciais. Além disso, foi cooptada por religiões protestantes na forma da música gospel que hoje em dia é conhecida como worship music.

Artistas conhecidos de post-rock

Slint

Quarteto americano de Louisville visto como precursor tanto do post-rock quanto do math rock. O som é marcado por ritmos quebrados e incomuns, timbres ásperos de guitarra e uma rejeição de estruturas musicais tradicionais. A banda se separou em 1991, logo após o lançamento de seu segundo álbum, Spiderland, com três reuniões curtas desde então.

Tortoise

Quinteto americano de Chicago em parte responsável por popularizar o termo post-rock na metade dos anos 90 entre críticos graças ao seu som, uma mistura de jazz, rock, eletrônica, dub, minimalismo e krautrock. A banda continua ativa até hoje, com o disco mais recente, Touch, saindo em 2025.

Radiohead

Um dos conjuntos mais famosos dos últimos 35 anos. Encaixam-se tangencialmente no estilo, em especial por causa dos álbuns Kid A (2000) e Amnesiac (2001), nos quais exploraram eletrônica, jazz e música avant-garde.

Mogwai

Formado na Escócia em 1995, o grupo que se descreve mais como rock instrumental ao invés de post-rock infelizmente se tornou sinônimo do segundo termo graças aos álbuns Mogwai Young Team (1997), Come On Die Young (1999) e Rock Action (2001). Nestes, apresentaram composições orquestrais de guitarra capazes de alternar entre minimalismo e picos ensurdecedores de barulho.

Godspeed You! Black Emperor

Banda de Montreal conhecida por incorporar elementos de música ambient, colagens sonoras e crescendos orquestrais nas suas composições, quase sempre apresentadas como sinfonias. Além disso, o material apresentava um viés bem pronunciado de esquerda, abordando temas anti-guerra.

Após um hiato entre 2002 e 2010, o Godspeed retornou às atividades e continua na estrada até hoje, com o lançamento mais recente sendo o álbum No Title As of 13 February 2024 28,340 Dead (2024), uma referência ao número de mortos pelas forças israelenses na Faixa de Gaza desde 7 de outubro de 2023.

Sigur Rós

Quinteto formado na cidade de Reykjavik em 1994 cuja sonoridade é baseada em dois elementos principais: baixos e guitarras são tocados em grande parte usando arcos tal qual violino e violoncelo, além da voz de Jón Þór “Jónsi” Birgisson. O cantor comumente faz uso de palavras inventadas e do idioma islandês – um dos menos conhecidos do planeta – para tornar seu canto uma parte pura da instrumentação.

A ponto de uma das músicas mais conhecidas do grupo, “Gobbledigook”, tira seu nome de uma expressão inglesa para o que os brasileiros conhecem como gromelô. A obra do conjunto é frequentemente usada em documentários sobre a natureza, como Planet Earth, da BBC.

Explosions in the Sky

Quarteto americano do Texas que talvez seja o artista de post-rock mais influente de todos, com seu som plácido construído a partir de arpeggios e crescendos. Isso porque a banda foi uma das primeiras a emprestar suas músicas para o cinema, sendo responsável pela trilha sonora de Tudo Pela Vitória (2004), dirigido por Peter Berg.

Desde então, o grupo trabalhou no departamento musical de mais cinco filmes. Além disso, suas músicas apareceram em outras dezenas de longas e séries de TV.

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