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o que a história da plataforma Casar.com ensina sobre crescer com sustentabilidade

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Todo mundo que decide abrir uma empresa, mais cedo ou mais tarde, esbarra no mesmo dilema: como ir do ponto A ao ponto B?

Essa é a pergunta que persegue quem tenta sair da inércia e, quase sempre, aparece de forma bem pragmática na mesa de negociação com investidores.

Eles adoram questionar a sua capacidade de cruzar essa ponte, mas raramente definem o que diabos é o “ponto A” e muito menos o “ponto B”.

Sendo bem honesto, levei anos (e tomei muita cabeçada) para aprender a responder a isso.

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A matemática da escassez

Entender que o ponto A é a largada é a parte óbvia. Mas e o destino seguinte? Ele é medido por um prazo? Por uma meta de faturamento? Pela entrega de uma nova versão do produto? Ou tudo isso junto?

Se já é difícil desenhar a primeira etapa, imagina o resto do alfabeto. Depois de patinar bastante, cheguei a uma lógica que, pelo menos para mim, tem funcionado muito bem para deixar essa visão mais clara.

Funciona assim: o ponto A é aquele modelo de negócio que te permite gerar receita desde o primeiro dia, usando o mínimo possível de recursos externos – seja dinheiro, infraestrutura ou conhecimento de terceiros.

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O ponto B, por consequência, precisa ser o seu primeiro marco factível. Aquela meta que dá para bater usando exatamente esses recursos escassos que você já tem, sem depender de salvadores da pátria.

De patinete até Copacabana?

Pense comigo: se o seu ponto de partida é o Parque do Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, e o seu único recurso é um patinete elétrico, o seu próximo destino lógico precisa ser alcançável com ele – como o Parque Villa-Lobos, na Zona Oeste.

Não que seja fisicamente impossível ir de patinete do Ibirapuera até a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Mas convenhamos, quantas pessoas dariam conta do recado?

Na prática, a falta dessa leitura de cenário é o que empurra muitos empreendedores para o abismo. Sem entenderem os meios que têm nas mãos, tentam chegar a Copacabana de patinete.

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No meio do caminho, quando o cansaço bate e a bateria acaba, passam a condicionar o próximo quilômetro a um fator externo: um cheque providencial de um fundo de venture capital, um cliente gigante que pague adiantado ou até um milagre.

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É exatamente nessa armadilha que 90% das startups entram para a estatística cruel de mortalidade precoce. Por outro lado, quem entende as próprias pernas não só sobrevive, como avança.

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Em muitos casos, conseguem crescer no modelo “bootstrap”, ou seja, financiando com as próprias receitas, usando o dinheiro do caixa para financiar os próximos saltos.

O “Ponto C” de Casar.com

Para tirar isso da teoria e entender como essa dinâmica funciona na vida real, podemos olhar para a trajetória do Casar.com.

O ponto A dessa história começou de forma orgânica. Há mais de 20 anos, um grupo que já respirava o universo de casamentos usou os meios e contatos que possuía para criar um encontro presencial voltado para troca, inspiração e networking.

Eles não tentaram criar um império tecnológico no primeiro dia; apenas usaram o que já tinham na mão para gerar valor real para o ecossistema que conheciam bem.

Com a engrenagem girando e a comunidade engajada, a evolução para o ponto B foi natural.

O projeto ganhou corpo e se consolidou como o principal evento do setor. Para se ter ideia desse marco, a edição mais recente, realizada em maio de 2026, reuniu mais de 4 mil pessoas na Avenida Paulista, conectando marcas, fornecedores e casais em um verdadeiro summit da América Latina.

O terreno estava mais do que preparado e o modelo físico já havia se provado um sucesso absoluto.

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Com os recursos e a autoridade gerados entre o ponto A e o ponto B, qual seria o ponto C?

Em 2014, a empresa entendeu que podia transcender a geografia. Digitalizou a experiência e, desde então, vem ampliando sua atuação com soluções focadas na jornada dos noivos.

O que começou como um evento virou um ecossistema completo, que se propõe a resolver todas as possíveis dores dos noivos (criação de convite, lista virtual de presentes, RSVP e até mesmo a escolha de fornecedores).

Somente em 2025, a plataforma apoiou a comunicação de mais de 300 mil casais por meio da criação de sites personalizados. E, ao longo da última década, reuniu mais de 3,5 milhões de usuários e 100 milhões de acessos.

Hoje, eles lideram um setor que, segundo dados da ABRAFESTA, deve movimentar cerca de R$ 32 bilhões no Brasil em 2026, com uma estimativa de 472 mil cerimônias ao longo do ano.

Mas essa solução “de ponta a ponta” é resultado de quem soube avançar “de ponto a ponto”. Eles não pularam etapas. Não tentaram “chegar a Copacabana” antes da hora.

Meu palpite para o encerramento desta “Terapia de Ideias”?

Entender os seus pontos A e B não significa engessar a sua ambição. Pelo contrário.

É, na verdade, a única maneira pragmática de garantir que você terá recursos (e cabeça) para alcançar o restante do alfabeto inteiro.

Quem tenta pular etapas na pressa de abraçar o mundo, normalmente, só consegue chegar até a esquina de casa. Meu conselho?

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Suba em seu patinete e extraia absolutamente cada quilômetro e cada aprendizado que ele puder te oferecer. Quando você esgotar toda a capacidade dele, aí sim, será a hora perfeita de trocá-lo por um carro para buscar destinos ainda mais distantes.

E só lá na frente, quando as estradas já não forem suficientes para o tamanho da sua operação, você pode pensar em trocá-lo por um avião.

A regra da escala sustentável é simples: para voar longe, primeiro, você precisa aprender a se equilibrar.


Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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