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Mensagens recuperadas de D4vd com Celeste Rivas Hernandez revelam conversa sobre aborto – Rolling Stone Brasil

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D4vd trocou diversas mensagens de texto com Celeste Rivas Hernandez sobre um aborto que ela supostamente realizou em janeiro de 2024, quando tinha apenas 13 anos e o cantor já era adulto, de acordo com registros de celular compartilhados por promotores na sexta-feira, segundo Rolling Stone.

As mensagens foram extraídas de um telefone encontrado na casa do cantor, junto com um conjunto de suposto material relacionado a abuso infantil. O artista, nascido David Anthony Burke, é acusado de assassinar Rivas em 23 de abril de 2025, depois que ela supostamente ameaçou tornar público o caso. (Burke nega as acusações.)

Depoendo como a última testemunha em uma audiência que determinará se o caso contra Burke seguirá para julgamento, o detetive Corey Farrell, do Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD), leu as mensagens em voz alta no banco das testemunhas e descreveu dezenas de imagens que, segundo a acusação, registrariam o abuso. A promotoria afirmou que as fotos eram sensíveis demais para serem exibidas na tela do tribunal.

Durante a descrição de uma das imagens, Mercedes Martínez, mãe de Rivas, começou a chorar. A promotora-adjunta Beth Silverman se aproximou para confortá-la e disse: “Acho sinceramente que isso é algo que você não precisa ouvir. Acho que é demais.” Em seguida, Martínez deixou o tribunal acompanhada por Jesus Rivas, pai da adolescente.

As mensagens de texto mostraram que Rivas dizia repetidamente a Burke que temia estar grávida. A mensagem mais antiga apresentada no tribunal é do fim de novembro de 2023, período em que os promotores alegam que Burke iniciou um relacionamento com ela.

“No momento, estou [manifestando] minha menstruação porque me recuso a ter filhos”, escreveu Rivas. Burke teria respondido: “Você perdeu a data?” e a incentivado a acompanhar o ciclo menstrual por meio de um aplicativo. “Só preciso ter certeza de que você está cuidando direitinho disso”, ele teria escrito.

Pouco depois, ele teria escrito: “Ah, e minha mãe mandou eu fazer esta pergunta… É meu, né?”

Rivas respondeu: “Claro que é seu, David.”

As mensagens trocadas entre Burke e Rivas eram descritas como controladoras e, em alguns momentos, de teor íntimo. As dela, por vezes, eram carinhosas, mas frequentemente demonstravam sofrimento. Em uma conversa de 11 de junho de 2024, Burke teria escrito: “Mal posso esperar para morarmos juntos sem os policiais enchendo o saco.” Ele prometeu levá-la para sair todos os dias, e ela respondeu que sentia muita falta dele. Algumas horas depois, ele disse que queria reunir os documentos dela para que os dois pudessem “sair do país e se casar na Itália”.

Pouco depois, Rivas escreveu que temia estar grávida novamente. “Não gosto disso”, disse ela, perguntando: “E se o primeiro aborto não tiver funcionado?”

Mais tarde naquele mês, em 19 de junho, ela enviou uma mensagem dizendo: “Posso te ver e dormir aí, só não me engravida.” Ele teria respondido: “A gente fez um bom trabalho nos últimos meses, amor… A última e única vez que você engravidou foi por causa de uma camisinha que deu errado em dezembro.”

Pouco mais de uma semana depois, em 27 de junho, Rivas escreveu a Burke dizendo que havia sentido dores após um encontro entre os dois. Burke minimizou o relato, respondendo que não se lembrava de ela ter reclamado.

Em outra conversa, em 10 de julho, Rivas perguntou: “Alguém sabe que a gente ficou?” Ele respondeu: “Não, e eu gostaria de manter assim até a gente se casar.” Em seguida, teria acrescentado: “Vamos casar no ano que vem e ter um bebê.”

Em 30 de agosto de 2024, Rivas enviou uma série de mensagens aflitas a Burke, demonstrando arrependimento pelo aborto. “Sendo realista, eu me importo com você. Eu matei meu filho por sua causa”, escreveu. Quando acrescentou que “teria cuidado dele” caso a gravidez tivesse continuado, Burke respondeu que ela estaria agindo de forma “egoísta”.

“David, vou ter que mentir para as pessoas ao meu redor, até para o meu filho, pelo resto da minha vida”, respondeu ela. “Não gosto de falar sobre isso porque fico muito mal, mas faria qualquer coisa para tê-lo de volta.”

A resposta de Burke à garota de 13 anos foi fria: “Vamos encerrar esse assunto por aqui.” Depois escreveu: “Não gosto de conversar com você quando está chateada.” Quando Rivas perguntou como ele se sentia em relação ao aborto, ele respondeu: “Fico triste com isso. Fico ainda mais triste pela forma como aconteceu, fora do casamento e diferente de como eu imaginava que seria meu primeiro filho… Mas não fico remoendo isso.”

Outras mensagens apresentadas no tribunal mostraram Burke culpando Rivas por um encontro ocorrido no fim de dezembro de 2024, após a data em que os promotores afirmam que os dois haviam “terminado” o relacionamento.

“Você me perguntou se eu queria ficar com você, e eu cedi”, escreveu ele em 20 de dezembro. “Depois a gente parou, você chorou e eu te abracei.”

Rivas contestou essa versão. “Não foi isso, David”, respondeu. “A gente só ficou se beijando e eu ia para casa.”

Cerca de um mês antes do suposto assassinato, Burke e Rivas ainda mantinham contato, e o suposto abuso continuava, testemunhou Farrell. Em 14 de março, Rivas enviou a seguinte mensagem: “Podemos ser amigos, mas só pela internet. Não quero mais ter nada com você pessoalmente se vou tentar seguir em frente.”

Antes de Farrell depor, o tribunal ouviu o médico-legista Dr. Grant Ho, responsável pela autópsia de Rivas. Uma das advogadas de Burke, Marilyn Bednarski, deu uma prévia da possível estratégia da defesa ao questionar Ho sobre como o escritório concluiu que Rivas morreu em decorrência de “múltiplos ferimentos perfurantes” causados por outra pessoa. Ao longo de mais de uma hora, Bednarski sugeriu que Rivas poderia ter tomado alguma atitude que desencadeou os acontecimentos que levaram à sua morte.

Ela começou perguntando se informações adicionais sobre o histórico da vítima poderiam ajudar a determinar a causa da morte, como a possibilidade de a pessoa ter apresentado comportamento suicida, uso frequente de drogas ou histórico de violência. Dr. Ho reconheceu que esse tipo de informação poderia “potencialmente” influenciar a conclusão. Ele acrescentou que não conversou com a família de Rivas antes de seu escritório classificar a morte como homicídio.

Em seguida, a advogada concentrou os questionamentos nos dois ferimentos perfurantes encontrados no corpo de Rivas. Durante seu depoimento inicial, Dr. Ho afirmou que um dos ferimentos, localizado na região abdominal, tinha cerca de 3,8 centímetros de profundidade e atingiu o fígado. Um segundo ferimento, no lado esquerdo do tórax, tinha aproximadamente 5 centímetros de profundidade e alcançou a região próxima ao pulmão, danificando a superfície de uma costela.

Bednarski perguntou se o médico poderia determinar quem segurava o objeto que provocou os ferimentos nos quais se baseou a conclusão de homicídio. Ele respondeu que não.

“Então o senhor não pode descartar que ela mesma estivesse segurando o objeto”, afirmou a advogada.

“Essa é uma possibilidade a ser considerada”, respondeu Dr. Ho, acrescentando que, nesse caso, seria esperado encontrar lesões superficiais ao redor do ferimento principal.

“É correto dizer que o senhor não sabe em que circunstâncias esses ferimentos ocorreram?”, perguntou Bednarski.

“Correto”, respondeu.

A advogada também questionou o que a autópsia poderia revelar sobre a posição de Rivas no momento em que foi ferida. Perguntou se seria possível determinar se o corpo dela estava se movendo em direção ao objeto no instante do contato ou qual seria a velocidade desse movimento. O médico respondeu que não era possível determinar nenhum desses fatores.

O depoimento de Ho foi acompanhado por uma sequência de fotografias da autópsia, algumas das quais provocaram reações de choque entre os presentes no tribunal. Em uma das imagens, o corpo de Rivas aparecia sobre uma mesa metálica após os procedimentos periciais. Burke observou a tela em silêncio, com o cotovelo apoiado na mesa da defesa e o queixo apoiado sobre a mão fechada, que cobria parcialmente sua boca.

Em outro momento do depoimento, Ho abordou diversos pontos da acusação. Sobre a alegação de que Burke teria usado uma motosserra para desmembrar o corpo, afirmou que cortar ossos exigiria o uso de uma ferramenta motorizada. Ao comentar o forte odor produzido por um corpo em decomposição, disse que o cheiro era perceptível até mesmo do lado de fora da sala de autópsia. Já sobre a alegação de que Burke matou Rivas com golpes de faca, o médico-legista afirmou que o ferimento na região inferior do fígado era compatível com um golpe desferido na região abdominal.

Na petição apresentada para a audiência preliminar, os promotores alegam que Burke “permaneceu ao lado enquanto Rivas sangrava até morrer”. Dr. Ho testemunhou que ela poderia ter morrido por perda de sangue em questão de “minutos”. Quando a promotora Beth Silverman perguntou se esse processo também poderia ter levado horas, Ho respondeu: “Potencialmente.”

A Promotoria afirma que Burke matou Rivas dentro da casa alugada por ele em Hollywood Hills, em 23 de abril de 2025, depois que ela ameaçou expor o relacionamento que mantinham quando ainda era menor de idade. Os investigadores alegam ainda que ele desmembrou o corpo na garagem, possivelmente semanas depois.

Os restos mortais de Rivas, já em avançado estado de decomposição, foram encontrados em 8 de setembro de 2025, divididos entre duas sacolas pretas de vinil e plástico no compartimento dianteiro de um veículo. Burke se declarou inocente das acusações de homicídio, abuso contínuo de menor de 14 anos e mutilação ilegal de restos humanos. Seus advogados afirmam que ele não matou Rivas nem foi responsável por sua morte.

No início desta semana, o tribunal também ouviu a criminalista Samantha Tosch, da polícia de Los Angeles, que afirmou que o DNA de Burke foi identificado em uma mistura genética encontrada na parte externa de um saco de lixo recolhido na garagem. Um saco interno continha panos com manchas que apresentaram resultado preliminar positivo para sangue. Segundo Tosch, o DNA encontrado em um desses panos tinha probabilidade de ser de Rivas três trilhões de vezes maior do que de uma pessoa desconhecida. O DNA de Burke não foi detectado nesse material.

Tosch afirmou ainda que o DNA de Rivas também foi encontrado em um aparelho de remo, em um tapete de borracha preto, em um carregador de Tesla e em uma lona verde localizada na garagem. Vestígios também foram identificados em um compartimento traseiro do Tesla de Burke, separado do compartimento dianteiro onde os restos mortais foram encontrados.

Durante o contra-interrogatório, Tosch reconheceu que o DNA pode ser transferido sem contato direto e que o software utilizado pela polícia apenas calculou a probabilidade de inclusão do DNA de Burke na mistura genética, sem oferecer uma conclusão definitiva. Ainda assim, afirmou que, em sua avaliação profissional, o DNA dele estava presente no saco de lixo.

Outra criminalista, Lisa LaHendro, testemunhou que fragmentos de material azul encontrados junto aos restos mortais de Rivas eram compatíveis com furos em uma piscina inflável localizada na garagem de Burke. Segundo a acusação, ele teria utilizado a piscina durante o desmembramento do corpo para conter o sangue.

A criminalista Lauren Wallace testemunhou que o Bluestar, um reagente químico utilizado para detectar possíveis vestígios de sangue, apresentou fortes reações nos tapetes de borracha que cobriam o piso da garagem e também nos tijolos sob eles. Ela afirmou que os investigadores não recolheram duas motosserras encontradas na garagem nem uma terceira serra elétrica localizada no andar superior porque os equipamentos tiveram resultado negativo para possíveis vestígios de sangue e não foram considerados relevantes do ponto de vista pericial. A Promotoria afirma que Burke comprou as duas motosserras encontradas na garagem pela Amazon pouco depois do suposto homicídio. Um detetive também testemunhou que Burke adquiriu uma motosserra Makita de 10 polegadas na Home Depot em 4 de maio de 2025 e solicitou a entrega pelo Uber Postmates. Essa motosserra nunca foi localizada.

O detetive William Roecker afirmou que registros de torres de telefonia e do modem instalado no Tesla de Burke mostraram que o celular e o veículo viajaram juntos da casa do cantor até uma área remota do condado de Santa Barbara em três ocasiões após o suposto crime. A primeira viagem começou por volta das 23h31 de 23 de abril, cerca de uma hora após o horário em que a Promotoria afirma que Rivas foi morta. Segundo Roecker, o celular e o Tesla seguiram para uma área “bastante isolada” às margens da Highway 154, próxima ao local onde um funcionário do transporte encontrou posteriormente o cartão de passaporte de Rivas. O telefone e o carro retornaram à residência de Burke por volta das 7h da manhã e voltaram à mesma região em 8 e 31 de maio.

Depoimentos anteriores já haviam estabelecido que os investigadores encontraram pelo menos 11 aromatizantes de ambiente dentro do Tesla, incluindo um localizado sob uma massa de larvas de mosca próxima ao compartimento onde os restos mortais estavam escondidos.

O detetive Joshua Byers testemunhou que Burke tinha a palavra “Celeste” tatuada em letra cursiva vermelha no dedo anelar esquerdo quando foi preso. Dados do Tesla mostraram que o iPhone de Burke foi desconectado do veículo em 29 de julho de 2025, pouco antes de uma câmera de segurança da vizinhança registrá-lo caminhando de volta para casa. Leitores automáticos de placas da polícia registraram o Tesla estacionado no mesmo local até sua apreensão, em 8 de setembro.

A Promotoria também exibiu imagens de câmeras corporais mostrando policiais interrogando Burke em fevereiro de 2024, depois que Rivas foi dada como desaparecida. Burke afirmou que a conheceu pela internet, que a havia encontrado apenas uma vez e que acreditava que ela tinha 18 anos. Os promotores alegam que, posteriormente, Burke comprou um celular secreto para Rivas e pagou US$ 1 mil a um colega de classe para entregar o aparelho depois que os pais dela confiscaram outro dispositivo. Os investigadores também afirmam ter encontrado evidências de que Burke comprou passagens aéreas e viajou com ela para o Texas e Londres.

Benjamin Greger, ex-gerente financeiro da empresa responsável pela gestão da carreira de Burke, testemunhou que discutiu a possibilidade de transferir propriedades do cantor no Texas para o nome da mãe dele, com o objetivo de proteger os bens de uma eventual ação civil.

Se for condenado por todas as acusações, Burke poderá ser sentenciado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional ou à pena de morte. A Promotoria ainda não informou se pretende pedir a aplicação da pena capital.

+++LEIA MAIS: DNA de D4vd teria sido encontrado em saco de lixo ligado ao sangue de vítima adolescente


Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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