Depois do sucesso estrondoso de Meu Dinheiro, Minhas Regras — mixtape de 14 faixas lançada em janeiro de 2026, que rapidamente somou 20 milhões de plays, e levou LPT Zlatan a 1,5 milhão de ouvintes mensais — parecia haver uma certeza: o projeto tinha dito tudo o que precisava dizer. A ideia estava fechada, era um ponto final.
Mas, em junho, quando os produtores Kiell e Wall Hein começaram a remixar as canções lançadas, transformando as faixas em drum n bass, UK garage e house, foi aí que Zlatan percebeu que tinha se enganado e que havia mais uma oportunidade à vista.
Mas desde o começo estava claro: não haveria regravação. Zlatan não voltaria ao estúdio para fazer “versões perfeitas” das linhas sobre novas batidas. Ia apenas confiar que os produtores pegariam aquela voz — a matéria-prima já existente — e a transformariam em algo que Zlatan, sozinho, não conseguiria imaginar. Um risco criativo que poucos artistas topam correr justamente quando acabam de consolidar uma identidade. Zlatan topou.
Para alguém que acabara de firmar uma assinatura tão clara, isso era um ato de fé radical. Permitir que a voz, construída em batalhas de rima, em estúdios improvisados, em cada faixa de Meu Dinheiro, Minhas Regras, fosse manipulada, distorcida e acelerada era abrir mão da certeza.
O modo de operação de Kiell e Wall Hein era, ao mesmo tempo, simples e complexo. “Pegaram a voz, colocam no tempo, ajustaram o tom e deram um toque à mais”, contou Zlatan em entrevista exclusiva à Rolling Stone Brasil.
A confiança como ato de rendição
Quando os primeiros remixes chegaram, a reação foi de surpresa genuína. “Para mim, foi da hora; foi uma surpresa”. Mas também havia inconformismo: “Eu queria ter conseguido fazer um trabalho — pelo menos um — que soasse novo”. A tentação era sempre voltar ao controle, mas, quando de fato começou a ouvir os remixes prontos, algo virou: “No meio, quando eu comecei a ouvir, achei do c*ralho. Depois, foi se construindo a ideia e ficou perfeito do jeito que ficou”.
Escolher quais faixas ganhariam remix também exigiu desprendimento. Zlatan poderia ter transformado as 14, mas preferiu recortar. “A gente até fez de outras também, mas a gente acha que não ficou tão bom”, reflete com sinceridade. Assim, apenas sete sobreviveram: “As que soaram melhor pra gente, que a gente vai soltar”. Entre elas, as transformações mais radicais foram em “Meu Dinheiro, Minhas Regras”, que ganhou outra dimensão no drum n bass, junto com “Jogar o Jogo” e “Vou Continuar”; já “123 Glock” e “Bebeto e Romário” foram para o lado do house.
O universo se expande
O que Zlatan percebeu era que deixar transformar ia expandir seus horizontes. Havia expectativa de que “se não é trap, não é Zlatan”, mas havia aprendido que controlar a mensagem era menos importante do que permitir que ela chegasse. “Vou conquistar com público novo, porque tem essa galera que gosta desse ritmo mesmo mais balançante”, respondeu. “E as músicas vão tocar em várias ocasiões, no carro, na balada, no fone”.
Meu Dinheiro, Minhas Regras – Remix é a prova sonora de que verdadeira autonomia não é nunca isolamento. É confiança tão profunda em sua própria identidade que você consegue permitir que seja completamente transformada — e sair do outro lado ainda sendo você. Os vocais são os mesmos. O universo é diferente. E nessa diferença habita a liberdade real. A verdade que Zlatan descobriu era simples: a melhor forma de dominar algo era deixar ser dominado por ele primeiro. Que a melhor forma de ser autêntico era render-se completamente.
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