Embora não divulgue o tamanho do seu cheque, a Link fez parte de um grupo que reuniu alguns dos principais nomes do ecossistema global de Venture Capital, entre eles Andreessen Horowitz (a16z), Kleiner Perkins, SV Angel, Alliance e Sui Foundation, além de investidores como Michigan State University, Phoebe Gates e Lucy Guo.
Em conversa exclusiva com o InfoMoney, Nicolas Scridelli, head de Ventures da Link School of Business, comemorou a coincidência. “Não foi orquestrado para acontecer ao mesmo tempo que a inauguração do campus de Miami, na Flórida. Nós aproveitamos uma oportunidade no final do segundo trimestre e conhecemos os fundadores para começar uma conexão. Então, o investimento evoluiu rapidamente”, resume.
Fundada por americanos, a fintech desenvolve soluções para câmbio e pagamentos internacionais com infraestrutura baseada em stablecoins. Em pouco tempo, percebeu o nicho de estudantes brasileiros em universidades americanas, facilitando pagamentos de mensalidades do Brasil para os EUA com taxas mais baixas. A partir dessa base, migrou para um produto de hedge cambial corporativo, endereçando importadores e exportadores. “Eles perceberam um mercado muito maior de empresas brasileiras que têm uma dor grande em travar a taxa de câmbio,” afirmou Scridelli. Ele destaca a distinção da solução: “Diferente de outras stablecoins, que normalmente travam por horas, a deles consegue travar por até 180 dias. É uma inovação muito relevante.”
O aporte inaugura um novo momento para o braço de venture capital da Link, que, agora, mira em empresas globais. “Nosso cheque não é relevante em valor, mas abrimos muitas portas, principalmente no Brasil,” diz. A gestora opera com participação-alvo de 1% a 3%; no caso da Crebit, ficou abaixo desse intervalo.
O investimento, contudo, sinaliza a estratégia da Link de usar capital relacional — rede de empreendedores, professores, investidores e empresas — como diferencial na criação de valor. “Nosso capital é muito mais sobre conexões, abertura de canais de distribuição, do que necessariamente só o aporte financeiro,” diz. A presença no Vale do Silício e a nova investida tendem a facilitar conexões para outras startups da Link e do ecossistema.
O braço de venture capital
Criado em 2024 e operacional desde janeiro de 2025, a Link Capital acumulou sete investimentos até agora — cinco em empresas de alunos e dois fora do ecossistema direto —, com um último deal ainda sob embargo. A gestora pretende concluir o deploy do primeiro veículo até o início de 2026 e já articula um novo fundo. “A demanda por um novo fundo me parece clara; devemos abrir no começo do próximo ano,” diz o executivo.
Para este segundo fundo, a estimativa é de captar US$ 5 milhões para distribuir cheques entre US$ 200 mil e US$ 500 mil, com foco em investimentos pre-seed e seed e escopo internacional. Neste último ponto, a inauguração do campus em Miami deve ajudar. A sede internacional terá uma área dedicada de Venture e um especialista local.
Além do Vale, a Link opera lodges em Madrid e programas na Estônia, e observa oportunidades na Europa e na Ásia — com maturidade menor fora dos EUA, mas sem descartar movimentos conforme o acesso evolui.
No front doméstico, a gestora intensifica o pipeline ao se aproximar de outras faculdades — como o ITA — e grandes empresas para teses B2B, além de iniciativas em deep tech via instituições de pesquisa. “Queremos que nossos alunos melhorem um milhão de vidas,” diz o executivo.
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