Há muitos artistas vivendo uma fase que poderia facilmente ser considerada excelente.
E então existe Karol G, que deu início à sua mais recente turnê de estádios, Viajando Por El Mundo Tropitour, com a primeira de duas noites esgotadas no Soldier Field, em Chicago, na sexta, 25. Solte os quadris, prepare os fogos de artifício, os efeitos de pirotecnia e a enorme arara. Sim, ela realmente canta montada em uma delas.
A cantora colombiana vem redefinindo seus próprios limites desde que venceu o prêmio de Artista Revelação no Grammy Latino 2018. Quase uma década após o início da carreira, fez história repetidas vezes: tornou-se a primeira artista latina a alcançar diversos marcos inéditos no pop, desde liderar a Billboard 200 com um álbum majoritariamente em espanhol até ser atração principal do Coachella, além de conquistar 11 recordes do Guinness por seus números de streaming, vendas de ingressos e outros feitos.
Nos últimos cinco anos, ela comandou uma sequência de turnês internacionais como headliner — todas preparando o terreno para esta, sua maior e mais intencional empreitada até agora. O show de estreia no Soldier Field deu início a uma jornada por 63 estádios na América do Norte, América Latina e Europa, que seguirá até meados de 2027.
Durante pouco menos de duas horas e meia, após a apresentação de abertura de Elena Rose, Karol e seu grupo de mais de 20 dançarinos entregaram um espetáculo ambicioso, emocionante e repleto de orgulho. O palco gigantesco foi transformado em uma representação das montanhas e da floresta colombianas, ampliando a proposta visual que já havia impressionado no Coachella. O cenário, estruturado como um clube instalado em uma caverna de múltiplos níveis, ganhou vida ao longo de quatro atos que contavam a história de uma mulher renascida, guiada em sua jornada de autodescoberta pelos ancestrais e pela própria terra.
Mais do que uma celebração da influência de Karol, o show foi uma homenagem à cultura que une milhões de pessoas. Ela abriu a apresentação com “Latina Foreva“, em uma declaração contundente sobre o espírito da noite, antes de seguir com sucessos como “Un Gatito Me Llamó“, “Qlona” e “El Makinon“. Parecia quase irônico que a turnê começasse justamente na semana em que congressistas dos Estados Unidos discutiam o significado da expressão “poder latino” em uma subcomissão da Câmara. Se alguém precisava de uma aula sobre o tema, Karol estava mais do que preparada para oferecê-la.
O segundo ato foi introduzido por um vídeo com o renomado ator mexicano-americano Edward James Olmos. Tanto ele quanto Karol falaram apaixonadamente sobre a importância da família, dos amigos, do trabalho, dos rituais e da alegria. Mais tarde, um grupo formado exclusivamente por mulheres mariachis participou de diversas músicas, incluindo a tradicional “Negrita de Mis Pesares“, além dos sucessos “Ese Hombre Es Malo“, “Mamiii” — transformada em um fenômeno mundial ao lado de Becky G — e “200 Copas“. Houve também momentos marcantes de interação com o público, como quando um casal recebeu de presente ingressos para outro show de Karol, em Paris, para celebrar a lua de mel. Uma coisa ficou evidente: ser uma tropicoqueta é algo que vem de dentro.
É verdade que algumas transições entre os atos pareceram um pouco desajeitadas. Em determinado momento, parte do público chegou a pensar que a energia havia acabado. Mas o breve silêncio logo deu lugar às congas, metais e flautas de madeira executados por uma banda ao vivo que parecia crescer a cada música, enquanto interpretava cumbias e porros. Enquanto os dançarinos se contorciam em uma longa sequência coreográfica sobre um palco secundário disfarçado de lagoa — aviso aos portadores de ingresso: existe, sim, uma área sujeita a respingos — e um DJ tocava outros sucessos, como “A Ella” e “Provenza“, Karol se preparava para o ato final.
Vestida dos pés à cabeça com orquídeas cravejadas de pedras brilhantes, ela voltou a agradecer ao público. “Ser latino é a coisa mais incrível do mundo”, disse em espanhol, sob aplausos ensurdecedores, antes de acrescentar que a vida, na verdade, é feita das coisas simples.
Confiante, forte, sensual, segura e cheia de coração, Karol mostrou que ser uma bichota e uma tropicoqueta deixou de ser apenas uma identidade para se tornar um movimento global. Encontre sua própria arara e embarque nessa jornada.
Set List:
- “Latina Foreva”
- “Un gatito me llamo”
- “Oki Doki”
- “Ta Ok”
- “QLONA”
- “El Makinon”
- “S91”
- “Tropicoqueta”
- “Papasito”
- “Ese hombre es Malo” (Mariachi also performed “Negrita de mis Pesares” and “El son de la negra”)
- “200 Copas”
- “Mamiii”
- “Ivonny bonita”
- “Pineapple”
- “Gatubela” (interpolated with “Rompe”)
- “Amargura”
- “Tu perfume”
- “Dile Luna”
- “Bandida Entrenada”
- “Ojos Ferrari”
- “TQG”
- “Bichota” (Salsa version)
- “Tusa” (Salsa version)
- “Milagros”
- “Coleccionando Heridas”
- “Si Antes Te Hubiera Conocido”
- “Viajando Por El Mundo”
