Quando as pessoas me perguntam o que há em comum entre disputar um título mundial de surfe e empreender, a resposta costuma surpreender. Uma bateria vai muito além do momento em que o surfista pega uma onda e executa as manobras.
Na prática, ela é um exercício constante de estratégia, leitura de cenário e tomada de decisão, algo que comecei a perceber ao longo da minha trajetória dentro e fora da água.
No surfe profissional, você nunca controla tudo. O mar, o vento e a maré mudam constantemente, e o adversário ajusta a estratégia no meio da disputa. Por mais preparado que você esteja, sempre existe algo que foge do seu controle.
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Nos negócios, acontece exatamente a mesma coisa.
Planejamento exige adaptação
Ao longo da minha trajetória, aprendi que empreender vai muito além de ter um bom plano. Traçar metas é importante, mas a capacidade de se adaptar é o que faz a diferença.
Durante uma bateria, existe um planejamento inicial. Estudamos as condições, analisamos os adversários e definimos uma estratégia.
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Mas basta o mar apresentar uma nova oportunidade para que tudo precise ser ajustado. Quem insiste no plano original, sem ler o que está acontecendo naquele momento, normalmente fica para trás.
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Nos negócios, aprendi que a flexibilidade também é uma vantagem. O mercado e o comportamento do consumidor se transformam rápido, e novas oportunidades surgem o tempo todo.
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Nem sempre vence quem começou com a melhor ideia, mas quem consegue se adaptar mais depressa às mudanças.
Nem toda oportunidade deve ser aproveitada
Outro aprendizado essencial é saber esperar. No surfe, nem toda onda merece ser surfada. Às vezes, a ansiedade faz o atleta entrar em ondas medianas enquanto a melhor série está prestes a entrar.
A experiência ensina que a paciência também é estratégia.
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Empreender me mostrou algo parecido. Nem toda oportunidade precisa ser aproveitada e nem toda tendência merece investimento imediato.
Muitas vezes dizer “não” para algo que parece bom, é o que nos permite estar preparados para algo realmente transformador.
Assumir riscos faz parte do jogo
Quando estou competindo, preciso avaliar constantemente o equilíbrio entre atacar e proteger uma prioridade de onda.
Dependendo do momento da bateria, a melhor decisão pode ser arriscar tudo; em outros, o mais inteligente é administrar o resultado e evitar erros.
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No mundo dos negócios, vejo a mesma dinâmica. Crescer é importante, mas fazê-lo de forma coerente e sustentável é ainda mais vital. Assumir riscos faz parte do jogo, mas eles precisam ser calculados.
A melhor decisão é a do momento
Para mim, estratégia não se resume ao planejamento. Ela está na capacidade de tomar boas decisões durante o jogo. Uma bateria é vencida onda após onda; um negócio, construído decisão após decisão.
Tanto no esporte quanto no empreendedorismo, quem aprende a interpretar os sinais, adaptar-se rapidamente e manter a calma sob pressão aumenta muito as chances de chegar mais longe.
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Foi assim que construí minha carreira no surfe, e é exatamente a mesma mentalidade que procuro levar para todos os projetos fora da água.
Afinal, seja diante de uma série decisiva no mar ou de uma decisão crucial nos negócios, a pergunta continua sendo a mesma: qual é a melhor onda para pegar agora?
