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Demissões em massa no Xbox abalam a Bethesda e lançam sombras sobre The Elder Scrolls 6 – Rolling Stone Brasil

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A Bethesda está no centro da maior reestruturação da história do Xbox, e os efeitos já são sentidos no dia a dia dos estúdios. A Microsoft anunciou o corte de 3.200 postos de trabalho em toda a divisão de games ao longo do ano fiscal atual, com 1.600 demissões executadas em 6 de julho. A CEO do Xbox, Asha Sharma, classificou a medida como a reestruturação mais “significativa” da história da empresa e admitiu que o negócio de games da Microsoft “não está saudável”. No total, o Xbox perde cerca de um quinto de sua força de trabalho.

Dentro do ecossistema da Bethesda e da ZeniMax, os números são devastadores. A id Software, criadora da franquia Doom, perdeu 96 funcionários. A ZeniMax Online Studios, responsável por The Elder Scrolls Online, teve 213 desligamentos — com relatos de que até metade da equipe foi afetada. Na Bethesda Game Studios, mais de 50 colaboradores foram demitidos, incluindo profissionais diretamente envolvidos no desenvolvimento de The Elder Scrolls 6, entre eles uma pessoa que estava na empresa desde a época de Morrowind.

Em e-mail enviado aos funcionários da Bethesda, a chefe da empresa, Jill Braff, reconheceu o impacto humano dos cortes e anunciou uma mudança estrutural no modelo de operação. “Para ter sucesso no futuro, precisamos mudar de rumo”, escreveu ela. A empresa abandona o modelo de planejamento centrado nos roadmaps individuais de cada estúdio independente e passa a organizar suas operações em torno das “franquias mais fortes” — leia-se The Elder Scrolls, Fallout e Halo. Títulos como Starfield ficam potencialmente de fora dessa nova equação, e a sequência de Indiana Jones e o Grande Círculo torna-se cada vez menos provável. A Arkane Lyon pode ser vendida ou fechada, colocando o futuro do jogo Marvel’s Blade em xeque.

O impacto sobre The Elder Scrolls 6 é o que mais preocupa os desenvolvedores. Funcionários ouvidos pelo IGN sob anonimato alertaram para o risco de atrasos, períodos de crunch e a substituição de talentos internos por mão de obra terceirizada mais barata. “Já estávamos trabalhando com prazos apertados e tememos que isso atrase o jogo”, disse um deles. Outro relatou o receio de que colegas da ZeniMax Online Studios — que também sofreu cortes significativos — sejam realocados para preencher lacunas em TES 6, sem que esteja claro como isso será gerenciado na prática. O jogo, que foi anunciado há cerca de oito anos, ainda está a pelo menos dois anos do lançamento segundo as estimativas mais recentes.

A resposta dos trabalhadores veio rápido. O sindicato OneBGS, filiado ao Communication Workers of America (CWA), convocou uma manifestação batizada de Save Our Devs para a próxima quarta, 15, com protestos previstos nos escritórios de Rockville, Austin, Dallas e Montreal. O sindicato acusa a liderança do Xbox de tentar contornar obrigações legais de negociação ao classificar os cortes como uma “transição estratégica” em vez de demissões coletivas, e exige transferências preferenciais para cargos abertos, melhores pacotes de indenização e extensão dos planos de saúde para os afetados. “O fantasma das demissões é algo que enfrentaremos perpetuamente até nos sindicalizarmos”, disse um funcionário da Bethesda ao IGN — resumindo o clima de um estúdio que, ao mesmo tempo, carrega o peso de desenvolver um dos jogos mais aguardados da indústria.

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