Bad Bunny encerrou ontem à noite sua turnê mundial recordista Debí Tirar Más Fotos no lugar onde este capítulo criativo começou pela primeira vez: bem no coração de Porto Rico. Como o próprio Benito disse à multidão de quase 35 mil pessoas: “Eu não poderia fazer uma turnê mundial sem incluir o meu lugar favorito no mundo inteiro”.
Depois de 57 datas que o levaram da América Latina à Austrália, Japão e Europa, Bad Bunny encerrou a turnê no Estádio Hiram Bithorn, em San Juan, com duas últimas noites celebrando seu álbum vencedor do Grammy, DeBÍ TiRAR MáS FOToS.
Bad Bunny já havia concluído uma residência de 31 shows em Porto Rico antes do início da turnê mundial, mas uma volta de honra na terra que o criou era inevitável. “Eu vi tanta alegria pelo mundo quando pessoas de outros países viraram porto-riquenhas por uma noite. Bom, aqui em casa a gente é porto-riquenho todo dia, do nascer ao pôr do sol, e do dia em que nascemos até o dia em que deixamos este mundo”, disse ao público em determinado momento.
Como na maioria das datas internacionais, o show de abertura ficou por conta de Chuwi, o quarteto porto-riquenho dinâmico que Bad Bunny tirou de relativa obscuridade e incluiu na faixa ensolarada “WELTiTA” do álbum. O grupo, que disparou a alturas astronômicas ao longo do último ano, tocou músicas como “Rico y Pico”, “Tikiri”, “Mundi” e “Tierra”. A música deles costuma ser influenciada por questões socioeconômicas em Porto Rico, com letras que abordam desde gentrificação até colonialismo em Porto Rico e no exterior — o percussionista Adrián López chegou a erguer uma bandeira palestina ao fim da apresentação. Bad Bunny também raramente evita se inserir em política e acontecimentos atuais, então o momento chamou atenção.
Quando o show principal começou, fãs que tinham assistido à residência de Benito no verão passado notaram uma mudança imediata: a residência terminou com uma vitrine de suas músicas de salsa, mas aqui ele começou com salsa. Ele manteve o formato mais próximo ao da turnê mundial, fazendo da última música da residência, “LA MuDANZA”, o ataque de abertura.
Acompanhado por sua banda de turnê LoS SOBRiNOS, Bad Bunny colocou seus fãs para dançar com sucessos como “PIToRRO DE COCO”, uma versão em salsa de “Callaíta”, e seus agora clássicos “BAILE INoLVIDABLE” e “NUEVAYoL”. A primeira surpresa da noite veio cedo, quando o lendário cantor porto-riquenho de salsa Victor Manuelle apareceu para acompanhar Benito em uma performance de “Mala y Peligrosa”, colaboração de 2018, que Bad Bunny observou ter sido “a primeira vez que eu cantei salsa”. Enquanto Bad Bunny se ausentava para trocar de figurino, Manuelle seguiu mantendo o público animado com uma versão do sucesso seminal de Celia Cruz, “La Vida Es Un Carnaval”.
O show de sábado contou com Arcángel, Farruko e Ñengo Flow como convidados-surpresa da casita. Mas no domingo, tudo girou em torno dos compatriotas mais firmes e antigos de Bad Bunny: Jowell y Randy. Quando as notas iniciais estrondosas de “Safaera” fizeram o público rugir em delírio, a dupla subiu no telhado da casita e se juntou a Bad Bunny para tocar a música assinatura. Quando acabou, eles começaram a se despedir, até que Benito ficou de lado e balançou o dedo — eles não iam a lugar nenhum.
Jowell y Randy assumiram o show por um tempo, incendiando o público com faixas picantes do repertório, como “El Funeral de la Canoa”, “Hey Miste”, “Siente el Boom” e mais. Benito voltou após a apresentação deles, apresentando as duas músicas exclusivas da noite, “RLNDT” e “120”. Ele não apresentou essas faixas em nenhuma outra parada da turnê mundial e ainda tocou uma extra em P.R., com uma mensagem gigante nas telas do estádio: “[Porto Rico] é o melhor”.
Los Pleneros de la Cresta saíram da casita para seus tradicionais sucessos de plena “CAFé CON RON” e “Ábreme Paso”, enquanto Bad Bunny mais uma vez se dirigia ao palco principal para a última parte do show.
Diminuindo o ritmo para canções mais melancólicas e românticas, como “Ojitos Lindos”, “La Canción”, “Yonaguni” e “KLOuFRENS”, Bad Bunny relembrou o caminho que sua carreira percorreu até chegar à noite passada. Ligando seu sucesso ao apoio dos fãs, ele os incentivou a usar essa paixão para lutar pelos interesses de Porto Rico em meio a problemas que a ilha enfrenta atualmente. “Eu quero dar a vocês hoje um pouquinho de alegria… [e] esperança e força para lutar e continuar defendendo esta terra”, disse.
Sem querer terminar em um clima pesado, Bad Bunny reservou uma última surpresa para quem estava presente. Ele chamou Rauw Alejandro para uma versão de “Party” e de “Qué Pasaría…”, do álbum de Rauw Cosa Nuestra. Esse álbum, lançado dois meses antes de DtMF, também é considerado uma homenagem à cultura porto-riquenha — o que torna a participação ainda mais adequada. Duas estrelas unidas pelo amor à sua terra natal.
O show terminou com a faixa-título de DtMF — indicada a Música do Ano — e um bis com “EoO”, já que Benito quis se despedir com mais um gosto de sua música favorita: reggaeton.
Benito sabe que não pode resolver todos os problemas de Porto Rico, mas está disposto a apoiar os movimentos que acredita que beneficiarão seu lar — e tem dado a seus conterrâneos boricuas motivação diante de probabilidades cada vez maiores. A era DeBÍ TiRAR MáS FOToS pode ter chegado ao fim ontem à noite, mas ele criou um impacto que será sentido por muito tempo. Nunca foi apenas música para dançar, e sim um lembrete de que tudo e todos que valem a luta estão sempre ao seu redor.
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