O ex-cantor gospel André Luís dos Santos Pereira, condenado por estelionato e associação criminosa, que cumpre prisão domiciliar desde outubro de 2023 por determinação da Justiça do Distrito Federal, teve um luxuoso casamento, em um hotel às margens do Lago Paranoá.
Veja:
O matrimônio contou com uma grande produção, desde o pré-casamento até o grande dia, quando André se casou com sua esposa. No dia seguinte à cerimônia, ambos embarcaram para a lua de mel em Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Entre 8 e 14 de setembro, vídeos e fotos publicados nas redes sociais de sua esposa mostram o casal passeando pelo deserto em camelos, usando trajes típicos árabes e desfrutando de hotéis de alto padrão.
Confira:
Sem autorização
Antes de ser detido, julgado e condenado, o cantor e seus comparsas aplicaram uma série de golpes causando prejuízos próximos de R$ 300 mil. Entre as empresas lesadas estavam as sofisticadas Prada, Gucci e Burberry.
Após a condenação, André passou a cumprir pena domiciliar, com regras claras: não sair da comarca sem autorização judicial, comunicar mudança de endereço e obedecer às condições impostas pela Vara de Execuções Penais (VEP).
Porém, sua rotina recente, marcada por casamento, lua de mel no Oriente Médio e residência em condomínio de alto padrão em São Paulo, sugere um domicílio bem diferente do que determina a Justiça do DF.
Uma prisão domiciliar com vista para as dunas do Golfo Pérsico pode não estar prevista no Código Penal, mas nas redes sociais parece ter funcionado perfeitamente.
Não satisfeito com a geografia internacional ampliada, o ex-cantor também decidiu, por conta própria, mudar-se para Alphaville, em São Paulo. O casal vive atualmente no sofisticado condomínio Wave Alphaville, conhecido pelo alto padrão e pela discrição de seus moradores.
Acontece que as regras da prisão domiciliar no Distrito Federal determinam que o apenado não more fora da comarca sem autorização expressa da Justiça. Ainda assim, segundo informações apuradas pela coluna, André compareceria mensalmente ao DF para “mostrar” que mantém vínculo com a capital da República — uma espécie de ponte aérea judicial informal.
Procurado pelo Metrópoles, o Tribunal de Justiça (TJDFT) disse que o juiz da Vara de Execuções das Penas em Regime Aberto (Vepera) reconheceu a falta disciplinar do ex-cantor e, com isso, os dias em que ele esteve em outros estados, sem autorização da justiça, não serão contabilizados como cumprimento da pena.
Investigação
Em 22 de outubro de 2021, o então cantor, que acumulava cerca de 265 mil seguidores nas redes sociais e notoriedade no meio gospel, foi preso em São Bernardo do Campo (SP). Policiais militares estranharam a movimentação de três homens e decidiram fazer a abordagem. Com o grupo, foram encontrados diversos cartões de crédito, celulares e um notebook.
Ao consultar os dados, os agentes perceberam que um dos abordados era justamente o artista acusado de aplicar golpes contra marcas de luxo em Brasília. O trio foi encaminhado ao 2º Distrito Policial do Rudge Ramos, e ali começava a derrocada pública de uma carreira construída sob holofotes religiosos e redes sociais.
O esquema tinha certo requinte teatral. Para convencer representantes das marcas, o cantor utilizava uma sala comercial em um prédio corporativo na área central de Brasília. Ali, em reuniões cuidadosamente encenadas, ele simulava ligações para um suposto assessor financeiro, pedindo a realização de transferências bancárias.
Segundos depois, um comparsa apresentou um comprovante de pagamento — que, segundo a polícia, existia apenas no papel. As roupas eram entregues. O dinheiro, não.
Em 6 de setembro de 2021, o grupo adquiriu mais de R$ 151 mil em peças da Prada. Dois dias depois, gastou cerca de R$ 124 mil na Gucci. Tudo muito elegante, não fosse o detalhe de que as transferências jamais foram compensadas.
Fonte original: Metropoles.com



















