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Após cancelamentos em massa, Mad in Brazza critica ‘indústria de luxo’ ao redor dos artistas: ‘O rap está ficando caro demais para o próprio rap’ – Rolling Stone Brasil

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O Mad in Brazza virou o estopim de um debate que a cena do rap brasileiro preferia evitar. Depois que Veigh, L7nnon, Alee e 2ZDinizz cancelaram suas apresentações na quinta edição do festival, realizada em 8 de agosto, no Expotrade Convention Center, em Pinhais (região metropolitana de Curitiba), alegando descumprimento de obrigações contratuais por parte da produção, o evento respondeu com duas notas públicas que foram muito além da crise pontual.

“O rap está ficando caro demais para o próprio rap”, escreveu o Mad in Brazza. A frase sintetiza o argumento central da nota: a organização afirma ter enfrentado um aumento expressivo nos custos de cachês, logística, hospedagem, estrutura, segurança e outras despesas — e diz que o problema vai além dos valores pagos aos artistas. Hotéis de luxo, passagens nas categorias mais caras, carros executivos, camarins com exigências crescentes, bebidas premium e equipes cada vez maiores seriam parte de uma “indústria de luxo construída ao redor do artista”, que onera diretamente quem produz os eventos. “Existe uma distância enorme entre a realidade apresentada no palco e a realidade vivida por grande parte de quem está do outro lado da grade”, diz o texto.

Na primeira nota, divulgada logo após os cancelamentos, o festival confirmou que Veigh, L7nnon, Alee, 2ZDinizz e também Orochi não se apresentariam e afirmou que trabalhou “até o último momento” em busca de alternativas, apresentando propostas e acionando equipes jurídicas. A organização deixou claro que não aceita ser responsabilizada sozinha pelo imbróglio: “Não consideramos justo que toda a responsabilidade pelas alterações seja atribuída ao festival quando existiram contratos, negociações e compromissos entre diferentes partes”. Os casos já estão sendo tratados pelo departamento jurídico do evento. O reembolso dos ingressos foi iniciado em 10 de agosto.

A segunda nota, mais reflexiva, tem outro tom — e é nela que o festival faz sua aposta mais arriscada. Ao mesmo tempo em que admite erros (“Nós erramos. Tomamos decisões que gostaríamos de ter tomado de outra maneira”), a organização convida o mercado a uma discussão mais ampla sobre sustentabilidade. O argumento parte do ponto que se os cachês e as exigências continuam subindo sem que o poder de compra do público acompanhe, a conta não fecha — e quem quebra primeiro não é o artista, mas a produção, os fornecedores e os trabalhadores que passaram meses construindo o evento. “Por que não tem mais festival de rap na minha cidade? Talvez essa seja parte da resposta”, diz o texto.

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Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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