A relação entre Elvis Presley e os Beatles sempre despertou curiosidade entre fãs de ambos os lados. Embora a carreira de Presley estivesse em declínio nos anos 1960, ele ainda era um dos maiores nomes do mundo quando conheceu a banda britânica. Em 1965, no auge da Beatlemania, os quatro rapazes de Liverpool visitaram Graceland para conhecer pessoalmente seu ídolo. Esse encontro foi, provavelmente, o ponto alto da relação entre eles, já que o Rei do Rock mais tarde se tornaria um crítico ferrenho do grupo.
Segundo relatos, os Beatles ficaram “maravilhados” ao conhecer Elvis (via Cheat Sheet). Tendo crescido ouvindo sua música e citando-o como uma de suas primeiras inspirações, o encontro foi descrito como uma ocasião de sucesso por Jerry Schilling, amigo próximo do cantor de Graceland. “Tivemos uma noite maravilhosa”, afirmou o amigo presente na reunião. Apesar de muitas declarações públicas do cantor indicarem que a opinião de Presley sobre os Beatles azedou com o tempo, e de que ele nunca pareceu ser tão fã deles quanto eles eram dele, Schilling revelou um detalhe pouco conhecido sobre a real relação entre o astro e a banda britânica: “Ao contrário do que todos pensavam, Elvis gostava dos Beatles e gravou várias de suas músicas.”
Segundo o amigo, Elvis realmente apreciava a banda britânica e chegou a gravar covers de diversas canções do grupo, incluindo “Hey Jude“, “Yesterday“, “Something” e “Get Back“. Schilling ainda destacou a regravação da música “I’ve Never Been to Spain“, que contém o verso “I kinda like the Beatles” (em tradução livre, “Eu meio que gosto dos Beatles”), trecho que, segundo o amigo, o próprio astro cantou. “Ele gravou isso”, reforçou Schilling.
Contudo, essa apreciação inicial do americano pela banda inglesa parece não ter resistido ao tempo. Na década de 1970, Elvis já não queria mais os Beatles nos Estados Unidos. Em reunião com o então presidente Richard Nixon, em 1970, quando a banda já havia se separado, ele afirmou, segundo relato publicado pela Vox, que “os Beatles tinham sido uma verdadeira força para o espírito anti-americano.” Um ano depois, em 1971, Elvis voltou a criticar os Beatles, desta vez em encontro com J. Edgar Hoover, então diretor do FBI. “Os Beatles lançaram as bases para muitos dos problemas que temos hoje com os jovens, com sua aparência suja e desleixada e sua música sugestiva”, afirmou o astro na ocasião. Ironicamente, essas foram exatamente as críticas que muitos fizeram ao próprio Elvis quando ele começou sua carreira.
As declarações feitas por Elvis aos líderes políticos americanos causaram forte impacto nos Beatles, que se sentiram traídos ao descobrir os comentários anos mais tarde. Paul McCartney relembrou o episódio no livro The Beatles Anthology: “Eu vi aquelas famosas transcrições de Nixon onde Elvis começa a tentar nos vender — os Beatles!”, disse o baixista e vocalista da banda de Liverpool. “Na transcrição, ele diz — para Richard Nixon, de todas as pessoas — ‘Bem, senhor, esses Beatles: eles são muito pouco americanos e usam drogas.’ Devo dizer que me senti um pouco traído por isso.”
“O mais triste é que, anos e anos depois, descobrimos que ele tentou nos expulsar dos Estados Unidos, porque tinha muita influência no FBI”, revelou o bateirista Ringo Starr na mesma publicação. “Isso me entristece muito, que ele se sentisse tão ameaçado a ponto de pensar, como muitas pessoas, que éramos uma ameaça para a juventude americana.”
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