Um dos grandes segredos para a manutenção da relevância do rock é sua capacidade de renovação. Isso pode ocorrer a partir de formas diferentes de se praticar o gênero ou, de modo mais simples, ao apresentar sons e fórmulas consolidados para gerações mais recentes. O Dirty Honey, uma das atrações do Monsters of Rock 2026 no último sábado, 4, se encaixa nesta segunda definição e logrou êxito tanto no palco do Allianz Parque, em São Paulo, quanto em uma movimentação recente de sua carreira.
A banda americana de hard rock fundada em 2017 composta por Marc LaBelle (voz), John Notto (guitarra), Justin Smolian (baixo) e, ao menos nesta visita ao Brasil, Jason Ganberg (bateria) obteve destaque no fim da década com as músicas “Rolling 7s” e “When I’m Gone”. Esta última, em especial, ganhou novo fôlego ano passado ao entrar na trilha sonora do blockbuster Um Filme Minecraft. “Muitos jovens estão nos conhecendo graças a esse filme”, contou LaBelle a este repórter, em entrevista à Rolling Stone Brasil.

A fatia mais juvenil de público não esteve necessariamente na plateia do Monsters of Rock ao meio-dia do sábado, 4, mas jovens adultos ali presentes demonstraram conhecer, ainda que timidamente, o hard rock afiado do grupo, embebido de referências como Guns N’ Roses (atração principal do evento), Aerosmith e AC/DC. Teve quem cantasse na plateia os trechos principais das duas faixas citadas, além de “Heartbreaker” e a balada “Another Last Time”, destaques do repertório daquela tarde.

Todavia, de modo curioso, uma das canções mais aplaudidas era desconhecida. “Lights Out”, a ser incluída no terceiro álbum de estúdio do quarteto, teve apenas sua segunda execução ao vivo até hoje. Sequer foi lançada como single até o momento. Agradou pelo andamento à la AC/DC, mas com uma pitada dramática devido às suas quedas de andamento, e pelos vocais ultraagudos de Marc LaBelle, um frontman magnético e de performance potente que remete a Axl Rose na juventude.
A nível de competência, o restante da banda não fica atrás. Tudo bem calculado, testado e, a julgar pelas reações no Monsters, aprovado. O som gira em torno dos riffs de John Notto, enquanto o baixo de Justin Smolian soa forte, em especial, pela timbragem distorcida. Não se sabe se Jason Ganberg ocupa em definitivo a vaga deixada por Jaydon Bean, mas, com as baquetas em mãos, o único britânico da formação se saiu bem.


Repertório — Dirty Honey no Monsters of Rock 2026
1. Won’t Take Me Alive
2. California Dreamin’
3. Heartbreaker
4. The Wire
5. Don’t Put Out the Fire
6. Another Last Time
7. Lights Out
8. When I’m Gone
9. Rolling 7s
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