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‘A história da arte é erótica’, diz Catto sobre relação entre Madonna e Judith Butler – Rolling Stone Brasil

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O Centro Cultural FIESP, na Avenida Paulista, recebeu no dia 13 de agosto mais um encontro do Filosofia Pop, série de debates gratuitos que coloca ícones da cultura pop em diálogo com pensadores contemporâneos. Desta vez o cruzamento foi entre Madonna e a filósofa Judith Butler, autora de Problemas de Gênero, obra que redefiniu o debate sobre identidade e performatividade de normas de gênero desde 1990. A mesa contou com Ademir Corrêa, diretor de conteúdo da Rolling Stone Brasil, ao lado do curador Ali Prando e da artista Catto.

Idealizado e mediado por Prando, o projeto propõe ler discografias, clipes e performances pop à luz da filosofia. Sobre a relação da Rainha do Pop com a liberdade sexual feminina, Catto defende que a dimensão erótica da obra de Madonna não é invenção da artista, mas herança de toda uma tradição: “A história da arte, ela é erótica. A história da arte, a vida, toda a história da arte passa pelo corpo, passa pela sexualidade, passa pelo desejo”, afirmou. Para a cantora, a estrela “genuinamente acha foda mulheres” dentro do espaço da arte, citando sua admiração por Frida Kahlo como exemplo de um “desejo estético de se colocar ao lado de artistas provocadoras e viscerais”.

Corrêa completou o raciocínio destacando o papel de Madonna como uma porta-voz de pautas relacionadas ao feminino e à comunidade LGBTQIA+. Segundo ele, a cantora entendeu “atitudes, ou lugares, ou pessoas, ou grupos, ou momentos da cultura que deveriam ser amplificados, que deveriam ser discutidos.” O integrante da equipe Rolling Stone Brasil complementa: “Ela trouxe esses espaços seguros, como eu já falei aqui, para o mainstream. E eu acho que isso é, sim, uma maestria. Eu não vejo nenhum problema em algo ser mainstream, em algo vender, em algo ser um produto.”

Prando destacou o preconceito etário que Madonna sofre dentro da própria comunidade LGBT+. Ele citou a recepção do disco Confessions II, questionado por um jovem nas redes como “apenas um produto, sem nenhuma validade política”. O mediador rebateu lembrando o custo humano da epidemia de HIV/AIDS sobre a geração da estrela pop. “ Eu acho que as pessoas ainda não entenderam o saldo da quantidade de grandes artistas que a gente perdeu para o HIV/ AIDS, e de como isso afetou a história da comunidade queer. E de como isso afetou a própria história da Madonna, como isso afetou também a própria história da teoria queer”.

O multiartista e mediador também reafirmou a importância do comparativo histórico, um modo de alcançar a compreensão da pandemia dos anos 80: “Às vezes, eu sinto falta de comparar isso com a Covid-19. A covid foi uma das maiores tragédias que eu experimentei enquanto pessoa viva. E aí eu acho que vale a pena talvez essas pessoas olharem mais para os anos 80 e entenderem o quão punk foi aquilo, e sobreviver àquilo”, explicou.

A conversa também escapou para outros nomes da cena pop, revelando a influência de Madonna sobe todos os artistas do gênero. Catto arriscou um debate sobre Beyoncé, evitando romantizar sua relação com o público LGBT+. “Ela é uma grande diva, celebrada pela nossa comunidade, mas ela é uma hétero, né, gente? A gente gosta, nós LGBTs amamos a Beyoncé, mas lembrem-se, ela é hétero”, disse, reafirmando a importância da Rainha do Pop como representatividade pansexual. O debate aproveitou para passear por diferentes eras da artista, além de temas como a relação de Madonna com seu corpo (sempre musculoso, desafiando normas de gênero) e com a religião (uma mulher muito espiritual, mas afastada por instituições como a Igreja Católica).

O Filosofia Pop segue às quintas, às 20h, até 24 de setembro, sempre no Centro Cultural FIESP, com entrada gratuita e sem necessidade de retirada de ingressos. Os próximos encontros abordam a relação entre Beyoncé e Angela Davis, Charli XCX e McKenzie Wark e Rosalía e Silvia Federici.

+++ LEIA MAIS: Centro Cultural FIESP recebe série de debates que aproxima Madonna, Beyoncé e Charli XCX da filosofia contemporânea


Fonte: LEIA A NOTÍCIA COMPLETA

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